Questão de Administração Financeira e Orçamentária — Orçamento Público em AFO — CESPE / CEBRASPE 2025
Administração Financeira e Orçamentária›Orçamento Público em AFO
Código
ce214713
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEFAZ-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Auditor Fiscal da Receita Estadual (3ª Categoria) - Conhecimentos Específicos II
Considerando que a restrição orçamentária intertemporal do governo é essencial para a sustentabilidade da dívida pública, assinale a opção em que é indicada a condição-chave para a garantia da solvência fiscal no longo prazo.
Ao governo deve evitar déficits primários durante períodos de recessão para assegurar um balanço orçamentário cíclico
Ba taxa real de juros deve ser inferior à taxa de crescimento real do PIB no longo prazo
Co crescimento do PIB deve superar, de forma persistente, o crescimento da base monetária
Da taxa real de juros da dívida pública deve ser inferior ao superávit primário estrutural
Eo déficit nominal deve ser sempre menor que o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos
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GabaritoB — a taxa real de juros deve ser inferior à taxa de crescimento real do PIB no longo prazo
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Sustentabilidade da Dívida Pública – Condição de Solvência Intertemporal
Gabarito: letra B. A condição-chave para a solvência fiscal no longo prazo é que a taxa real de juros seja inferior à taxa de crescimento real do PIB (r < g). Isso decorre da equação de dinâmica da dívida: a razão dívida/PIB tende a se estabilizar quando o crescimento econômico supera o custo real da dívida, mesmo que haja déficits primários moderados. Essa é uma condição amplamente aceita na teoria das finanças públicas e em modelos de sustentabilidade fiscal.
A banca testa o conhecimento da condição fundamental de solvência intertemporal, que não exige superávits primários constantes, mas sim que o crescimento econômico supere o custo da dívida no longo prazo.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o governo deve evitar déficits primários durante recessões. Isso é pró‑cíclico e pode agravar a recessão, além de não ser uma condição de solvência intertemporal. A solvência não exige superávit em todos os momentos; permite déficits temporários, desde que a trajetória da dívida seja sustentável no longo prazo (condição r < g).
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A condição r < g (taxa real de juros inferior ao crescimento real do PIB) é o requisito central para a estabilização da relação dívida/PIB. Mesmo que haja déficits primários, se o PIB cresce mais rápido que os juros, a dívida tende a se tornar menos pesada ao longo do tempo. É a base da restrição orçamentária intertemporal do governo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O crescimento do PIB superar o crescimento da base monetária é condição relevante para controle inflacionário, não para solvência da dívida pública. A dívida pública é composta por títulos e obrigações contratuais, não tem relação direta com a base monetária nesse contexto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A taxa real de juros deve ser inferior ao superávit primário estrutural? Isso confunde a condição. O que importa é a comparação com o crescimento do PIB, não com o superávit primário. O superávit primário é uma variável de ajuste fiscal, não um parâmetro exógeno de solvência.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O déficit nominal deve ser sempre menor que o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos? Essa relação envolve contas externas e não é condição de solvência fiscal doméstica. O déficit nominal inclui juros; o déficit em conta corrente é um conceito do setor externo. Não há relação direta com a sustentabilidade da dívida pública.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a variável de comparação correta (crescimento do PIB) pelo superávit primário estrutural (alternativa D). O candidato pode lembrar que a condição envolve juros, mas associa erroneamente ao superávit primário. A condição clássica é r < g, e não r < superávit primário.
Conclusão: A única alternativa que expressa a condição central de solvência intertemporal é a letra B.