Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2025
Português›Sintaxe
Código
ce216061
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-MS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Auditor de Controle Externo - Área: Direito
Assinale a opção correta em relação a aspectos linguísticos do texto CG2A2-II.
ANo penúltimo período do texto, a oração “ou defendendo a sociedade existente” pode ser reescrita, sem prejuízo sintático ou semântico, como para defender a sociedade, já que ambas expressam ideia de finalidade.
BNo último período do texto, o deslocamento da conjunção “portanto”, com a vírgula que a sucede, para o início do período, feitos os devidos ajustes de letra inicial maiúscula e minúscula, manteria as relações estruturais e de sentido do texto.
CNo último período do texto, a estrutura nominal “no combate à ditadura” poderia ser substituída, com correção gramatical e manutenção da coerência textual, por ao combater à ditadura.
DMantendo-se a correção gramatical e os sentidos do texto, o trecho “nos momentos de profunda transformação social e política” (penúltimo período do texto) poderia ser reescrito como nos momentos que há profunda transformação social e política.
ENa estrutura oracional “quando os sujeitos sociopolíticos têm consciência” (penúltimo período do texto), o termo “quando” expressa circunstância de proporcionalidade.
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GabaritoB — No último período do texto, o deslocamento da conjunção “portanto”, com a vírgula que a sucede, para o início do período, feitos os devidos ajustes de letra inicial maiúscula e minúscula, manteria as relações estruturais e de sentido do texto.
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Reescrita e deslocamento de conectivos no texto
Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que respeita a correção gramatical e mantém o sentido original. O deslocamento da conjunção conclusiva “portanto” para o início do período, com os ajustes de maiúscula/minúscula, preserva a relação lógica de conclusão e a coesão textual.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O penúltimo período do texto afirma que os sujeitos sociopolíticos “têm consciência de que estão criando uma sociedade nova ou defendendo a sociedade existente”. A forma gerundial “defendendo” expressa ação simultânea à consciência, não finalidade. Substituir por “para defender” (infinitivo com valor de finalidade) altera o sentido, pois transforma a ação concomitante em propósito. Portanto, a reescrita não preserva o significado original.
“quando os sujeitos sociopolíticos têm consciência de que estão criando uma sociedade nova ou defendendo a sociedade existente contra a ameaça de sua extinção.”
Erro: troca de valor semântico (gerúndio → finalidade).
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
No último período, lê-se: “Não por acaso, portanto, no caso do Brasil, a luta pelos direitos humanos ganhou força social e política no combate à ditadura […]”. A conjunção “portanto” introduz uma conclusão. Deslocá-la para o início: “Portanto, não por acaso, no caso do Brasil, […]” mantém a mesma relação lógica de conclusão. Apenas a ordem é alterada, sem prejuízo sintático ou semântico — desde que ajustada a maiúscula (início do período) e a vírgula após “Portanto”.
“Não por acaso, portanto, no caso do Brasil, a luta pelos direitos humanos ganhou força social e política no combate à ditadura implantada em 1964 e aprofundada em 1969, com o Ato Institucional n.º 5.”
Correta: preserva a estrutura conclusiva e o sentido.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A expressão original “no combate à ditadura” é um complemento nominal (combate + a + ditadura). A substituição por “ao combater à ditadura” apresenta dois problemas: (1) “combater” exige objeto direto, logo o correto seria “combater a ditadura” (sem crase); (2) a forma “ao combater” (preposição a + infinitivo) altera a classe gramatical (nome → verbo) e o sentido, indicando tempo (“quando combate”) em vez de finalidade/associação. A reescrita é gramaticalmente incorreta (crase indevida) e muda a coerência.
Erro: crase indevida e mudança de categoria gramatical.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O trecho original “nos momentos de profunda transformação social e política” emprega a preposição “de” para indicar posse/característica. A reescrita “nos momentos que há profunda transformação […]” omite a preposição necessária (“em que” ou “nos quais”) para estabelecer a relação temporal, além de criar uma estrutura com verbo “haver” impessoal que não se liga corretamente a “momentos”. A frase resultante é agramatical: “nos momentos que há” deveria ser “nos momentos em que há”.
“as declarações dos direitos ocorrem nos momentos de profunda transformação social e política”
Erro: ausência de preposição exigida pela regência de “momentos”.
Alternativa E — ❌ Incorreta
No trecho “quando os sujeitos sociopolíticos têm consciência”, a palavra “quando” introduz uma oração subordinada adverbial temporal, indicando o momento em que ocorre a consciência (simultaneidade). Circunstância de proporcionalidade é expressa por locuções como “à medida que”, “quanto mais… mais”, “conforme”. O “quando” aqui não denota proporção, e sim tempo.
“quando os sujeitos sociopolíticos têm consciência de que estão criando uma sociedade nova ou defendendo a sociedade existente contra a ameaça de sua extinção.”
Erro: classificação equivocada do valor semântico do “quando”.
NÃO CAIA NESSA!
Sujeito nunca tem preposição
Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.