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Questão de Português — Pontuação — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsPontuação
Código
ce216064
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-MS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Auditor de Controle Externo - Área: Direito
Texto CG2A2-II


   Lembremos que a concepção moderna dos direitos do homem nasce contra a violência ou os privilégios, contra os preconceitos que sustentam todas as formas de violência, sejam elas físicas, psíquicas, raciais, de gênero ou religiosas. Segundo a concepção moderna dos direitos, os homens são portadores de direitos por natureza (direito natural) e por efeito da lei positiva (direito civil), instituída pelos próprios homens. Essa diferença dos direitos é de grande envergadura porque lhes permite compreender uma prática política inexistente antes da modernidade e que se explicita, significativamente, em ocasiões muito precisas: a prática da declaração dos direitos.

   A prática de declarar direitos significa, em primeiro lugar, que não é um fato óbvio para todos os seres humanos que eles são portadores de direitos e, por outro, que não é um fato óbvio que tais direitos devam ser reconhecidos por todos. Em outras palavras, a existência da divisão social (por exemplo, os grandes e o povo, em Maquiavel; as classes sociais, em Marx) permite supor que alguns possuem direitos e outros, não. A declaração de direitos inscreve os direitos na sociedade e na política, afirma sua origem social e política e se apresenta como objeto que pede o reconhecimento de todos, exigindo o consentimento social e político de todos. Esse reconhecimento e esse consentimento dão aos direitos a condição e a dimensão de direitos universais.

   A prática política da declaração de direitos ocorre em ocasiões muito precisas. De fato, algumas declarações de direito ocorrem em situações revolucionárias, isto é, naqueles momentos em que o Baixo da sociedade se rebela contra o Alto e não mais reconhece a ordem vigente injusta: na Revolução Inglesa de 1640; na Independência dos Estados Unidos; na Revolução Francesa de 1789; na Revolução Russa de 1917. Também encontramos a declaração de direitos no período posterior à Segunda Guerra Mundial, isto é, ao fenômeno do totalitarismo nazista e fascista, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Dessa maneira, os direitos dos homens se tornaram uma questão sociopolítica comprovada pelo fato de que as declarações dos direitos ocorrem nos momentos de profunda transformação social e política, quando os sujeitos sociopolíticos têm consciência de que estão criando uma sociedade nova ou defendendo a sociedade existente contra a ameaça de sua extinção. Não por acaso, portanto, no caso do Brasil, a luta pelos direitos humanos ganhou força social e política no combate à ditadura implantada em 1964 e aprofundada em 1969, com o Ato Institucional n.º 5.


Marilena Chaui. In: RIDH. Bauru, v. 10, n. 2, p. 13-26, jul./dez. 2022 (com adaptações). 
No que se refere à pontuação, seria mantida a correção gramatical do texto CG2A2-II caso se inserisse vírgula imediatamente depois do vocábulo
  1. A“óbvio”, em sua segunda ocorrência no primeiro período do segundo parágrafo.
  2. B“direitos”, em sua segunda ocorrência no penúltimo período do texto.
  3. C“sociedade”, em sua segunda ocorrência no penúltimo período do texto.
  4. D“envergadura”, no último período do primeiro parágrafo.
  5. E“humanos”, no primeiro período do segundo parágrafo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “envergadura”, no último período do primeiro parágrafo.

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Pontuação: inserção de vírgula após vocábulos

Gabarito: letra D. Inserir vírgula após “envergadura” mantém a correção gramatical, pois a vírgula antes da conjunção causal “porque” é facultativa quando a oração subordinada vem depois da principal.

“Essa diferença dos direitos é de grande envergadura porque lhes permite compreender uma prática política inexistente antes da modernidade...”

A vírgula após “envergadura” simplesmente marca uma pausa opcional, sem violar qualquer regra sintática.


Alternativa A — ❌ Incorreta

Inserir vírgula após a segunda ocorrência de “óbvio” (no trecho “não é um fato óbvio que tais direitos”) separaria o predicado “um fato óbvio” da oração subordinada substantiva iniciada por “que”. A regra proíbe separar o verbo de seu complemento oracional com vírgula.

“...não é um fato óbvio que tais direitos devam ser reconhecidos por todos.”

Erro: vírgula entre núcleo do predicado e conjunção integrante.


Alternativa B — ❌ Incorreta

No penúltimo período, a segunda ocorrência de “direitos” está em “as declarações dos direitos ocorrem”. Inserir vírgula após “direitos” separaria o sujeito (“as declarações dos direitos”) do verbo (“ocorrem”), o que é sempre vedado.

“...as declarações dos direitos ocorrem nos momentos de profunda transformação...”

Erro: vírgula entre sujeito e verbo.


Alternativa C — ❌ Incorreta

A segunda ocorrência de “sociedade” no mesmo período está em “defendendo a sociedade existente”. Colocar vírgula após “sociedade” separaria o substantivo do adjetivo “existente”, rompendo a coesão do sintagma nominal.

“...defendendo a sociedade existente contra a ameaça...”

Erro: vírgula entre substantivo e adjunto adnominal.


Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Após “envergadura”, a vírgula é facultativa antes da conjunção “porque”, que inicia oração subordinada causal. Não há qualquer restrição gramatical; a inserção mantém a correção.

“...é de grande envergadura porque lhes permite compreender...”

Acerto: vírgula facultativa diante de conjunção causal.


Alternativa E — ❌ Incorreta

No primeiro período do segundo parágrafo, a palavra “humanos” ocorre em “para todos os seres humanos que eles são portadores”. Inserir vírgula após “humanos” separaria o adjunto adverbial “para todos os seres humanos” da oração subordinada substantiva (“que eles são portadores”) que funciona como sujeito de “não é um fato óbvio”. Essa separação é inadequada, pois o adjunto está integrado à estrutura e não se trata de um deslocamento que justifique a vírgula.

“...não é um fato óbvio para todos os seres humanos que eles são portadores de direitos...”

Erro: vírgula indevida entre adjunto adverbial e oração subordinada subjetiva.


Conclusão: Apenas a inserção após “envergadura” (alternativa D) é gramaticalmente aceitável.

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