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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce216066
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-MS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Auditor de Controle Externo - Área: Direito
Em relação ao texto CG2A2-I, assinale a opção correta.
  1. AApós ter sido alforriado, o personagem Pancrácio passou à condição de homem livre e trabalhador assalariado, o que, para o personagem-narrador, serviu de justificativa para o castigo físico ao qual o ex-escravizado foi submetido quando falhou no desempenho do trabalho caseiro.
  2. BDevido à repercussão que o ato generoso do personagem-narrador teve entre os amigos que participaram do banquete, o anfitrião viu-se como um homem preparado para a vida pública, apostando, portanto, em sua candidatura a deputado.
  3. CNo texto, está implícita uma visão otimista da possibilidade de surgimento de uma nova sociedade, condicionada à atuação de homens livres.
  4. DNo texto, o personagem-narrador, um valoroso cidadão da corte, aponta, em tom de denúncia, as vicissitudes que enfrentou ao emancipar seu escravo Pancrácio.
  5. EO autor cria, com base em fatos que remetem à corte, um personagem-narrador cínico, oportunista e sequioso de notoriedade no que se refere à causa abolicionista, mas afável e cristão no trato pessoal entre amigos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Após ter sido alforriado, o personagem Pancrácio passou à condição de homem livre e trabalhador assalariado, o que, para o personagem-narrador, serviu de justificativa para o castigo físico ao qual o ex-escravizado foi submetido quando falhou no desempenho do trabalho caseiro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise da questão sobre o texto "Bons Dias!" de Machado de Assis

Gabarito: letra A. A passagem que prova a resposta está no penúltimo parágrafo: "Pancrácio aceitou tudo: aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei." Após ser alforriado, Pancrácio torna-se trabalhador assalariado (recebe seis mil-réis), e o narrador justifica o castigo físico como um "impulso natural", sem anular a liberdade civil. A alternativa A capta exatamente essa relação.

Análise das demais alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O texto mostra que, depois da alforria, o narrador oferece a Pancrácio casa e um ordenado (seis mil-réis), estabelecendo uma relação de trabalho assalariado. Quando Pancrácio falha ao escovar as botas, o narrador lhe dá um peteleco e justifica como "impulso natural". Portanto, a condição de homem livre e trabalhador assalariado serve de justificativa para o castigo físico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto diz que o narrador quer ser deputado e usará o ato de alforriar Pancrácio como propaganda. No entanto, não afirma que a repercussão do banquete o fez sentir-se preparado para a vida pública. A candidatura já é um plano premeditado, não uma consequência do evento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A visão implícita no texto é crítica e irônica, não otimista. O narrador é hipócrita e explora a abolição para proveito próprio, e a sociedade retratada não demonstra esperança de renovação. A alternativa C impõe um otimismo ausente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto e acrescenta opinião. O narrador não é um "valoroso cidadão" — pelo contrário, é egoísta, calculista e trata o ex-escravo com violência disfarçada. Tampouco há tom de denúncia; ele exalta seu próprio ato, não critica as dificuldades.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: opinião embutida e contradição. O narrador é, de fato, cínico e oportunista, mas descrevê-lo como "afável e cristão no trato pessoal entre amigos" é incorreto. Ele invoca Cristo para justificar a alforria, mas suas ações posteriores (petelecos, pontapés, xingamentos) revelam hipocrisia. A ironia machadiana desmascara essa falsa afabilidade.

Gabarito: letra A

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