Análise da questão sobre o texto "Bons Dias!" de Machado de Assis
Gabarito: letra A. A passagem que prova a resposta está no penúltimo parágrafo: "Pancrácio aceitou tudo: aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei." Após ser alforriado, Pancrácio torna-se trabalhador assalariado (recebe seis mil-réis), e o narrador justifica o castigo físico como um "impulso natural", sem anular a liberdade civil. A alternativa A capta exatamente essa relação.
Análise das demais alternativas
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O texto mostra que, depois da alforria, o narrador oferece a Pancrácio casa e um ordenado (seis mil-réis), estabelecendo uma relação de trabalho assalariado. Quando Pancrácio falha ao escovar as botas, o narrador lhe dá um peteleco e justifica como "impulso natural". Portanto, a condição de homem livre e trabalhador assalariado serve de justificativa para o castigo físico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto diz que o narrador quer ser deputado e usará o ato de alforriar Pancrácio como propaganda. No entanto, não afirma que a repercussão do banquete o fez sentir-se preparado para a vida pública. A candidatura já é um plano premeditado, não uma consequência do evento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A visão implícita no texto é crítica e irônica, não otimista. O narrador é hipócrita e explora a abolição para proveito próprio, e a sociedade retratada não demonstra esperança de renovação. A alternativa C impõe um otimismo ausente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto e acrescenta opinião. O narrador não é um "valoroso cidadão" — pelo contrário, é egoísta, calculista e trata o ex-escravo com violência disfarçada. Tampouco há tom de denúncia; ele exalta seu próprio ato, não critica as dificuldades.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: opinião embutida e contradição. O narrador é, de fato, cínico e oportunista, mas descrevê-lo como "afável e cristão no trato pessoal entre amigos" é incorreto. Ele invoca Cristo para justificar a alforria, mas suas ações posteriores (petelecos, pontapés, xingamentos) revelam hipocrisia. A ironia machadiana desmascara essa falsa afabilidade.
Gabarito: letra A