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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce216072
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-MS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Auditor de Controle Externo - Área: Direito
No texto CG2A2-I, o personagem-narrador
  1. Aapresenta a libertação do escravo como ato de iniciativa própria, independente da decisão governamental, por considerá-lo vantajoso para seus planos pessoais, não por justiça a Pancrácio.
  2. Bé um homem que tem a capacidade de antever acontecimentos, um profeta, propriedade divina que ele atribui a uma herança familiar.
  3. Cassume, em um contexto de transição do escravismo para o trabalho assalariado, um comportamento verdadeiramente abolicionista, de benfeitor.
  4. Dressente-se de ter libertado o escravo em um ato post factum, o que, para ele, poderia comprometer sua superioridade moral e seu discernimento inusitados.
  5. Evê-se como um importante representante da corte, que gosta de contribuir financeiramente para a realização de confraternizações com alguma causa social.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — apresenta a libertação do escravo como ato de iniciativa própria, independente da decisão governamental, por considerá-lo vantajoso para seus planos pessoais, não por justiça a Pancrácio.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Caracterização do narrador em "Bons Dias!"

Gabarito: letra A. O narrador revela que libertou o escravo como ato de iniciativa própria e vantajosa para seus planos pessoais, não por justiça. Isso é sustentado pela ironia do texto e pelos planos futuros de usar o feito para se eleger deputado.

A questão exige identificar a alternativa que melhor descreve a caracterização do personagem-narrador no texto de Machado de Assis. O narrador, um fazendeiro que liberta um escravo às vésperas da Lei Áurea, é marcado por um tom irônico e contraditório: prega a liberdade mas continua maltratando Pancrácio, e planeja usar o ato para benefício político.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A afirma que o narrador apresenta a libertação como ato de iniciativa própria, independente da decisão governamental, por considerá-lo vantajoso para seus planos pessoais, não por justiça. O texto comprova essa leitura em várias passagens:

"Eu pertenço a uma família de profetas, après-coup, post factum, depois do gato morto..." (ironia: ele é "profeta" depois do fato)

"antes, muito antes da abolição legal, já eu em casa, na modéstia da família, libertava um escravo"

"O meu plano está feito; quero ser deputado, e, na circular que mandarei aos meus eleitores, direi que..."

O narrador não age por justiça; ele mesmo diz "perdido por mil, perdido por mil e quinhentos" (se já estava comprometido, aproveitou para ganhar capital político). Portanto, a alternativa A é a única inteiramente sustentada pelo texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

B afirma que o narrador é um profeta com capacidade divina herdada da família. O texto, porém, usa a expressão "família de profetas, après-coup" em tom claramente irônico: profeta depois do fato não é profeta. Não há atribuição de poder divino; é uma autodepreciação irônica. A alternativa comete o erro de troca de conceito (confunde ironia com literalidade).

Alternativa C — ❌ Incorreta

C diz que o narrador é "verdadeiramente abolicionista" e benfeitor. O texto desmente isso logo em seguida:

"aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade... tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro puxão de orelhas, e chamo-lhe besta"

O comportamento pós-libertação é de violência e exploração, contradizendo qualquer altruísmo. A alternativa contradiz o texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

D afirma que o narrador se ressente por ter libertado o escravo post factum, comprometendo sua superioridade moral. O narrador, ao contrário, orgulha-se de ter se antecipado à lei e usa isso para se promover. A expressão "post factum" é irônica, não expressa arrependimento. A alternativa contradiz o texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

E diz que o narrador se vê como representante da corte e gosta de contribuir financeiramente para confraternizações com causa social. Não há menção a "corte" no texto; ele dá um jantar para amigos, não para a corte. A ideia de "contribuir financeiramente para causa social" é uma extrapolação (informação externa ao texto).

Gabarito: letra A.

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