Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2025
Português›Sintaxe
Código
ce216074
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-MS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Auditor de Controle Externo - Área: Direito
Texto CG2A1
A inteligência artificial (IA) está transformando a maneira
como as políticas públicas são formuladas e implementadas em
todo o mundo. A sua capacidade de processar grandes volumes
de dados em alta velocidade e identificar padrões complexos
oferece oportunidades para a melhoria da eficiência e da eficácia
das ações governamentais, desde a otimização de serviços
públicos até a formulação de políticas baseadas em evidências.
Assim, a IA passou a ser considerada uma ferramenta essencial
para os governos enfrentarem diversos desafios contemporâneos,
como as mudanças climáticas e questões de saúde pública e
segurança.
Uma das principais áreas de impacto da IA nas políticas
públicas é a gestão de recursos públicos. As aplicações de IA
podem analisar grandes quantidades de dados financeiros e
operacionais, a fim de identificar ineficiências e desperdícios, e
permitir uma melhor alocação de recursos. Além disso, essas
tecnologias proporcionam a automação de processos
burocráticos, para reduzir custos operacionais e possibilitar que
os servidores públicos atuem em tarefas de maior valor agregado.
O Poder Judiciário é outro setor em que a IA tem um
impacto crescente. As ferramentas são utilizadas para auxiliar
juízes na tomada de decisões, o que reduz o tempo de tramitação
dos processos e melhora a consistência das decisões judiciais. Contudo, isso leva a questões éticas e legais sobre a transparência
e a imparcialidade dos algoritmos, bem como sobre o papel do
ser humano na tomada de decisões judiciais.
De forma ampla, a administração pública é impactada pela
IA, especialmente no que diz respeito à automação de processos e
à análise de grandes volumes de dados. A análise de dados em
tempo real permite que os gestores públicos tomem decisões mais
informadas e respondam rapidamente a mudanças nas condições
socioeconômicas. Contudo, a adoção da IA no setor público
também exige uma reformulação das práticas regulatórias, para
garantir que os benefícios sejam distribuídos de forma equitativa
e que os riscos sejam adequadamente gerenciados.
Apesar dos diversos benefícios que a IA pode trazer para
as políticas públicas, os desafios associados ao seu uso não
podem ser ignorados. Questões controversas, como a
discriminação algorítmica, a proteção da privacidade e de dados
pessoais, a transparência e a responsabilidade, são fundamentais
para o debate sobre a adoção de IA em políticas públicas.
Considerando as regras gramaticais relativas à concordância e à colocação pronominal, assinale a opção em que é apresentada uma proposta de reescrita gramaticalmente correta e coerente para o seguinte trecho do texto CG2A1: “os desafios associados ao seu uso não podem ser ignorados” (primeiro período do último parágrafo).
Anão se podem ignorarem os desafios associados ao seu uso
Bnão podem ignorar os desafios associados ao seu uso
Cnão se podem ignorar os desafios associados ao seu uso
Dnão pode-se ignorarem os desafios associados ao seu uso
Enão podem ignorarem-se os desafios associados ao seu uso
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GabaritoC — não se podem ignorar os desafios associados ao seu uso
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Reescrita com concordância e colocação pronominal – Gabarito: letra C
A única opção que preserva o sentido original (voz passiva) e respeita as regras gramaticais é a letra C: "não se podem ignorar os desafios associados ao seu uso". No trecho original, o sujeito é "os desafios associados ao seu uso" (plural) e a locução verbal é "podem ser ignorados" (passiva analítica). A reescrita mantém a passividade por meio da partícula "se" (voz passiva sintética).
Análise de cada alternativa
Alternativa A — ❌ Incorreta
"não se podem ignorarem os desafios"
Erro de concordância: o infinitivo "ignorar" não deve ser flexionado. Em locuções verbais com verbo auxiliar, o infinitivo fica no singular (forma nominal impessoal). Além disso, a presença do "se" não autoriza a flexão do infinitivo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"não podem ignorar os desafios"
Embora gramatical, essa reescrita muda o sentido: troca a voz passiva (os desafios não podem ser ignorados) pela voz ativa (alguém não pode ignorar os desafios). O texto original não explicita um agente; portanto, a mudança é incoerente.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"não se podem ignorar os desafios"
O "se" é partícula apassivadora; o verbo auxiliar "podem" concorda com o sujeito "os desafios".
O infinitivo "ignorar" permanece invariável (correto).
A colocação do "se" em próclise ao auxiliar é perfeitamente aceita, especialmente com a palavra negativa "não".
A reescrita preserva a ideia passiva original.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"não pode-se ignorarem os desafios"
Dois problemas: (1) "pode-se" está em ênclise indevida (o advérbio "não" exige próclise, "não se pode"); (2) o verbo auxiliar "pode" está no singular, mas o sujeito "os desafios" é plural (deveria ser "podem").
Alternativa E — ❌ Incorreta
"não podem ignorarem-se os desafios"
Novamente o infinitivo flexionado "ignorarem" está incorreto. Além disso, a colocação do "se" após o infinitivo flexionado é agramatical e fere a eufonia.
💡 Dica: Na dúvida entre alternativas com "se", lembre-se de que, em locuções verbais, o "se" pode ficar antes do auxiliar (próclise) ou depois do auxiliar (mesóclise/ênclise), desde que não haja palavra atrativa. Se houver palavra negativa, advérbio, pronome relativo etc., a próclise é obrigatória. No caso, "não" atrai o "se" para antes do verbo.
NÃO CAIA NESSA!
Sujeito nunca tem preposição
Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.