Implicações bacteriológicas do lançamento de efluentes
Gabarito: letra B. A elevada concentração de coliformes termotolerantes indica potencial contaminação fecal, representando risco à saúde pública – conceito fundamental em saneamento ambiental, respaldado pela Resolução CONAMA 357/2005, que estabelece limites para esse parâmetro justamente por seu significado sanitário.
Alternativa | Afirmação Principal | Implicação Bacteriológica | Correta? | Justificativa |
|---|
A | Presença de coliformes termotolerantes está de acordo com padrões de classe 2. | Conformidade normativa (não aborda implicação bacteriológica). | ❌ | O valor exato é desconhecido; a questão pede implicações bacteriológicas, não conformidade. |
B | Elevada concentração de coliformes termotolerantes indica potencial contaminação fecal. | Risco à saúde pública (presença possível de patógenos). | ✅ | Coliformes termotolerantes são indicadores de contaminação fecal; alta concentração sinaliza risco sanitário (CONAMA 357/2005). |
C | Presença de coliformes termotolerantes indica ausência de microrganismos patogênicos. | Inversão do significado do indicador. | ❌ | A presença de coliformes sugere possível presença de patógenos, não ausência. |
D | Alta DBO prejudica crescimento bacteriano heterotrófico, diminuindo consumo de oxigênio. | Efeito sobre oxigênio dissolvido (não aborda implicação bacteriológica direta). | ❌ | A DBO alta aumenta o consumo de oxigênio, não o diminui; o foco não é bacteriológico. |
E | pH ácido do efluente inibe totalmente a sobrevivência bacteriana, reduzindo risco de contaminação. | Supressão total de bactérias (afirmação absoluta e incorreta). | ❌ | pH ácido pode inibir parcialmente, mas não totalmente; coliformes termotolerantes podem sobreviver em ampla faixa de pH. |
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a presença de coliformes termotolerantes naquele valor está de acordo com padrões de classe 2. Sem conhecer o valor exato, sabe-se que a legislação (CONAMA 357/2005) fixa padrões para coliformes em diversas classes, mas a simples presença em concentração elevada – como sugere o texto-base – não garante conformidade. Além disso, a questão pede as implicações bacteriológicas, e não a conformidade normativa.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Os coliformes termotolerantes (ou fecais) são indicadores de contaminação de origem fecal. Sua elevada concentração no efluente sinaliza a possível presença de microrganismos patogênicos (bactérias, vírus, protozoários), constituindo risco à saúde pública caso o corpo hídrico seja utilizado para abastecimento, recreação ou irrigação. A própria Resolução CONAMA 357/2005 reconhece a relevância do parâmetro ao estabelecer limites:
Art. 20, VICONAMA-RES-357-2005
Art. 20, VI — "coliformes termotolerantes: não deverá ser excedido um limite de 4.000 coliformes termotolerantes por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 6 amostras coletadas durante o período de um ano, com freqüência bimestral. A E. Coli poderá ser determinada em substituição ao parâmetro coliformes termotolerantes de acordo com limites estabelecidos pelo órgão ambiental competente"
Assim, a alternativa B está correta ao associar alta concentração com potencial contaminação fecal e risco à saúde.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a presença de coliformes termotolerantes indica ausência de microrganismos patogênicos. Na realidade, ocorre o oposto: a presença desses coliformes é um indicativo de que pode haver patógenos de veiculação hídrica, já que ambos têm origem fecal comum. Portanto, a assertiva inverte o significado do indicador.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Relaciona alta DBO com prejuízo ao crescimento bacteriano heterotrófico e diminuição do consumo de oxigênio dissolvido. Na verdade, a alta DBO estimula o crescimento de bactérias heterotróficas, que consomem oxigênio dissolvido, reduzindo sua concentração no corpo hídrico – o que pode levar à depleção de oxigênio e morte de organismos aquáticos. A alternativa afirma o contrário.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que o pH ácido inibe totalmente a sobrevivência bacteriana, reduzindo o risco. Embora pH extremos possam ser desfavoráveis a alguns microrganismos, afirmar que inibe totalmente é exagerado. Muitas bactérias, inclusive patogênicas, toleram pH ácido (ex.: Escherichia coli sobrevive em pH 4-9). Além disso, a presença de coliformes termotolerantes já demonstra que há viabilidade bacteriana, contrariando a afirmação.
Conclusão: A única alternativa que trata corretamente das implicações bacteriológicas é a letra B.