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Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsSintaxe
Código
ce217020
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCU
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
Técnico Federal de Controle Externo
Texto CB1A1

        Em pleno momento de grandes transformações político-sociais, na segunda metade da década de 1970, quando já havia inclinações para a volta da democracia, o cantor e compositor Belchior anunciava que “o passado é uma roupa que não nos serve mais”. Os padrões de hoje já nos estabelecem estilos e modelos diversos daqueles que um dia adotamos como referência. Definitivamente, aquele que envergou a vestimenta outrora usada já não é mais a mesma pessoa e qualquer tipo de tentativa de reutilizá-la passará, necessariamente, pela realização de ajustes que se amoldem ao instante presente.

        Velhos hábitos incorporados à nossa rotina devem, periodicamente, ser revisitados, a fim de que se tornem compatíveis com a realidade e a concretude do presente. Se, antes, a vasta cabeleira podia ser repartida ao meio, dando a quem a ostentava ares despojados e joviais, no tempo atual, para muitos, a escassez capilar obriga a adaptar o penteado. Nada adianta ficar de mal com a superfície que a imagem reflete. De qualquer forma, nada ou ninguém passa incólume pela ação do tempo, sem experimentar transformações de todas as naturezas.

Mudar é verbo que se conjuga em perfeita sintonia com viver e, essencialmente, compõe rima exata com adaptar. Ao descrever a teoria da evolução, Charles Darwin assentou que a sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força, mas depende de mudanças adaptativas dos seres expostos às transformações constantes (paulatinas ou abruptas) do ambiente que os cerca. 

        O contexto estampado veicula um paradoxo. Se, por um lado, a marcha da mudança é via que não admite retorno, permitindo apenas momentos de variações rítmicas dos passos, mas sem nunca ser contida, por outro, ela aterroriza, chegando quase a paralisar o paciente da mutação. No entanto, não é o medo do escuro que vai impedir que a Terra gire, tampouco fará que a luz solar tome o lugar da noite pouco iluminada.

Fábio Túlio Filgueiras Nogueira. O tribunal de contas contemporâneo, o processo de transformação e a pandemia. In: Edilberto Carlos Pontes Lima (coord.). Os tribunais de contas, a pandemia e o futuro do controle. Belo Horizonte: Fórum, 2021, p. 245-254 (com adaptações)
Julgue o item a seguir, referente a aspectos linguísticos e ao vocabulário do texto CB1A1.A oração “que a sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força” (segundo período do terceiro parágrafo) exerce sintaticamente a função de complemento da forma verbal “assentou”.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática de oração subordinada substantiva — ✅ CERTO

Gabarito: Certo (C). A oração "que a sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força" exerce sim a função de complemento (objeto direto) da forma verbal "assentou", como se comprova diretamente no texto.

O trecho do terceiro parágrafo afirma: "Charles Darwin assentou que a sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força". O verbo "assentou" é transitivo direto — significa "estabeleceu", "afirmou" — e exige um complemento que responda "o quê?". Esse complemento é exatamente a oração iniciada por "que", uma oração subordinada substantiva objetiva direta. Sintaticamente, toda oração subordinada substantiva iniciada por conjunção integrante ("que") funciona como um termo essencial da oração principal: sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo ou aposto. No caso, ela completa o sentido do verbo, atuando como objeto direto.

Não há ambiguidade: a estrutura é clássica de oração subordinada substantiva objetiva direta.

  1. 1Verbo transitivo direto (assentou)
  2. 2Pergunta: assentou o quê?
  3. 3Substituir 'que' por 'isso'
  4. 4Cabe 'isso' → objeto direto
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PEGA ESSA DICA!

Para identificar a função sintática de uma oração com "que", substitua o "que" por "isso" e encaixe na oração principal. Veja: "Charles Darwin assentou isso". Isso indica que a oração é objeto direto. Se coubesse "disso", seria objeto indireto; se coubesse "nisso", seria complemento nominal, etc. Nesse caso, cabe "isso", logo, objeto direto.

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

CERTO.

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