Julgue o item a seguir, acerca da síndrome vestibular aguda com nistagmo em pacientes adultos.O uso de esteroides de curto prazo é o tratamento de primeira linha para a redução da taxa de recorrência, da duração e da intensidade dos sintomas, com consequente melhora da qualidade de vida.
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Síndrome vestibular aguda e tratamento com esteroides
Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmativa está incorreta porque, embora os corticosteroides sejam utilizados na fase aguda da neurite vestibular (principal causa periférica da síndrome vestibular aguda), a evidência atual é insuficiente para sustentar que eles reduzem a taxa de recorrência, a duração e a intensidade dos sintomas a longo prazo, com consequente melhora da qualidade de vida. O tratamento de primeira linha para a síndrome vestibular aguda periférica é sintomático, com supressores vestibulares nos primeiros dias, e a reabilitação vestibular é a medida com melhor evidência para recuperação funcional.
A síndrome vestibular aguda (SVA) é caracterizada por vertigem de início súbito, náuseas, vômitos, desequilíbrio e nistagmo, com duração de dias a semanas. A principal causa periférica é a neurite vestibular, uma inflamação do nervo vestibular, geralmente de etiologia viral (reativação do herpes simples tipo 1). O diagnóstico é clínico, e o principal desafio é diferenciar a causa periférica da central (AVC de fossa posterior), o que é feito por meio do exame de HINTS (Head Impulse, Nystagmus, Test of Skew), que avalia o reflexo vestíbulo-ocular, as características do nistagmo e o skew deviation.
O tratamento da SVA periférica tem dois objetivos principais: aliviar os sintomas na fase aguda e acelerar a recuperação do nervo vestibular e a compensação central. Para o controle sintomático, utilizam-se supressores vestibulares (anti-histamínicos, como dimenidrinato, e benzodiazepínicos, como diazepam ou clonazepam), mas apenas nos primeiros 3 dias, pois o uso prolongado compromete a compensação vestibular fisiológica. O uso de antivirais não é recomendado. A reabilitação vestibular, com exercícios de Cawthorne-Cooksey, é benéfica, especialmente nos casos refratários.
Quanto aos corticosteroides, o material de apoio indica que alguns estudos avaliaram seu uso na fase aguda, mostrando maior recuperação do nervo a curto prazo, porém com evidência insuficiente quanto ao desfecho a longo prazo, sendo necessários mais estudos sobre o tema. Ou seja, não há evidência robusta de que os esteroides reduzam a recorrência, a duração e a intensidade dos sintomas a ponto de melhorar a qualidade de vida. A afirmativa, portanto, superestima o benefício dos corticosteroides, apresentando-os como tratamento de primeira linha com eficácia comprovada em desfechos de longo prazo, o que não corresponde ao conhecimento médico atual.
A pegadinha da questão está em atribuir aos corticosteroides um papel que eles não têm comprovadamente: a redução da recorrência e a melhora da qualidade de vida. O candidato pode ser levado a marcar "certo" por associar esteroides a um efeito anti-inflamatório benéfico, mas a evidência é limitada e o tratamento de primeira linha é sintomático, com supressores vestibulares e reabilitação vestibular.
Síndrome vestibular aguda
1Causa periférica principal
Neurite vestibular (reativação HSV-1)
2Diagnóstico
HINTS (reflexo vestíbulo-ocular, nistagmo, skew)
3Tratamento
Fase aguda (até 3 dias)
Supressores vestibulares (anti-histamínicos, BZD)
Recuperação funcional
Reabilitação vestibular (Cawthorne-Cooksey)
Corticosteroides
Uso na fase aguda (evidência limitada)
Não reduz recorrência/duração/intensidade a longo prazo
Não melhora qualidade de vida comprovadamente
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Item — ❌ ERRADO
A afirmativa está incorreta. O uso de esteroides de curto prazo não é o tratamento de primeira linha para a síndrome vestibular aguda com o objetivo de reduzir recorrência, duração e intensidade dos sintomas. O tratamento de primeira linha é sintomático, com supressores vestibulares nos primeiros dias, e a reabilitação vestibular é a medida com melhor evidência para recuperação funcional. Os corticosteroides podem ser considerados na fase aguda, mas com evidência insuficiente para os desfechos de longo prazo mencionados na afirmativa.