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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce221697
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UERR
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
Vestibular
EUCavaleiro das armas escuras,Onde vais pelas trevas impurasCom a espada sanguenta na mão?Por que brilham teus olhos ardentesE gemidos nos lábios frementesVertem fogo do teu coração?Cavaleiro, quem és? — O remorso?Do corcel te debruças no dorso...E galopas do vale através...Oh! da estrada acordando as poeirasNão escutas gritar as caveirasE morder-te o fantasma nos pés?Onde vais pelas trevas impuras,Cavaleiro das armas escuras,Macilento qual morto na tumba?...Tu escutas... Na longa montanhaUm tropel teu galope acompanha?E um clamor de vingança retumba?Cavaleiro, quem és? que mistério...Quem te força da morte no impérioPela noite assombrada a vagar?O FANTASMASou o sonho de tua esperança,Tua febre que nunca descansa,O delírio que te há de matar!...Álvares de Azevedo. Meu sonho. In: Lira dos vinte anos.São Paulo: Martins Fontes, 1996, p. 39-40.À meia noite, como de costume,passa o Cavaleirotodo de ferro e horror. Passa ou não passa?Duvido. (E tenho medo.)Hoje não durmo. Hei de escutaro som das ferraduras na geladaRua Municipal,o estalar do chicote na garupado cavalo-fantasma.Escuto, protegidoem cobertor de casa-fortalezade família importante. Passa, passa,anda, passa, Cavaleiro, está com medodo medo meu, quem sabe, da garruchado Coronel?O cavaleiro anda atrasado.Vai esperar o sono me vencerpara aparecer dentro do sono?Chego à janela. A brancaescuridão (o frio é branco)não filtra nem um grilo de ruído.Massa de cidade e serra: breu silente.Boca seca, trêmulo,não vejo o Cavaleiro, estou ouvindoem mim o Cavaleiro, em mim é que ele passa,sempre passou e passa sempre e não acabade passar. É isso. Vou dormir.Dou descanso ao cavalo e ao Cavaleiro.Carlos Drummond de Andrade. O Cavaleiro. In: Boitempo: Menino antigo.São Paulo: Companhia das Letras, 2017, p. 221.Da leitura comparativa entre os dois poemas apresentados é correto concluir que
  1. Aa liberdade formal que caracteriza os poemas os filia às inovações linguísticas modernistas.
  2. Bambos pertencem ao mesmo período literário: o Romantismo.
  3. Chá identidade entre o tema abordado e a linguagem empregada nos dois poemas.
  4. Dambos se aproximam pelo emprego do vocativo “Cavaleiro” e pela sugestão de unidade entre o tu e o eu.
  5. Ea atmosfera misteriosa, fantasmagórica e onírica dos poemas os vincula à poética parnasiana.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — ambos se aproximam pelo emprego do vocativo “Cavaleiro” e pela sugestão de unidade entre o tu e o eu.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise comparativa dos poemas

Gabarito: letra D. Ambos os poemas se aproximam pelo uso do vocativo “Cavaleiro” e pela sugestão de unidade entre o tu (Cavaleiro) e o eu (eu lírico). No poema de Álvares de Azevedo, o eu lírico interpela diretamente o Cavaleiro e, ao final, o fantasma revela: “Sou o sonho de tua esperança, / Tua febre que nunca descansa, / O delírio que te há de matar!” – indicando que o Cavaleiro é projeção do próprio eu. No poema de Drummond, o eu lírico afirma: “em mim é que ele passa, / sempre passou e passa sempre e não acaba / de passar.” – novamente o Cavaleiro é internalizado. Essa estrutura de diálogo e identificação entre eu e tu é comum nos dois textos.

Cavaleiro nos poemas
  • 1Vocativo "Cavaleiro"
    • Álvares de Azevedo (Romântico)
    • Drummond (Modernista)
  • 2Unidade eu/tu
    • Cavaleiro é projeção do eu lírico
    • "Sou o sonho de tua esperança" (Azevedo)
    • "em mim é que ele passa" (Drummond)
  • 3Diferenças
    • Linguagem solene (Azevedo)
    • Linguagem coloquial (Drummond)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A liberdade formal não é exclusiva do Modernismo; o poema romântico de Álvares de Azevedo também possui forma livre (versos decassílabos, rimas, mas não segue rigorosamente um esquema fixo). Além disso, o primeiro poema é do Romantismo, não modernista. A alternativa generaliza ao atribuir a ambos a filiação modernista, ignorando o período literário do primeiro.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O poema de Álvares de Azevedo é romântico; o de Drummond é modernista. Pertencem a períodos literários distintos. A alternativa contradiz a cronologia literária evidenciada pelos autores.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Embora o tema (cavaleiro fantasmagórico, noite, sonho) seja semelhante, a linguagem é diferente. O poema romântico usa vocabulário mais solene e exclamativo (“Macilento qual morto na tumba”), enquanto o modernista coloquial e prosaico (“Chego à janela. A branca / escuridão (o frio é branco) / não filtra nem um grilo de ruído.”). A alternativa tangencia o tema, mas ignora as diferenças linguísticas.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como demonstrado, ambos empregam o vocativo “Cavaleiro” e constroem uma relação de identidade entre o sujeito poético e a figura invocada, sugerindo que o Cavaleiro é parte do eu. Veja-se:

“Cavaleiro das armas escuras, / Onde vais...?” (Álvares de Azevedo) “anda, passa, Cavaleiro” (Drummond)

E a unidade:

“Sou o sonho de tua esperança...” (Álvares de Azevedo) “em mim é que ele passa” (Drummond)

Alternativa E — ❌ Incorreta

A atmosfera misteriosa, fantasmagórica e onírica é típica do Romantismo (Álvares de Azevedo) e do Modernismo (Drummond), não do Parnasianismo, que preza por objetividade e perfeição formal. A alternativa troca o conceito de escola literária, atribuindo características que não correspondem ao movimento parnasiano.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre períodos literários (A, B, E) e a tendência de considerar apenas a similaridade temática, desprezando as diferenças de linguagem (C). A alternativa D exige perceber a estrutura dialógica e a unidade tu-eu, que é o ponto de contato real entre os poemas.

Gabarito: letra D.

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