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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce222253
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UNIFAL-MG
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
Vestibular
Kuarup


    As filmagens de Kuarup são mais fiéis ao espírito do livro de Antonio Callado do que o próprio filme. Acontece. Publicado em 1967, Quarup narra, por intermédio da saga de padre Nando, as transformações vividas pelo Brasil desde o suicídio de Getúlio até a ditadura militar. A narrativa acompanha um grupo de brasileiros que se embrenha nos cafundós do Planalto Central para demarcar o centro geográfico do país. Os personagens, cada um à sua maneira, se juntam à expedição por razões idealistas, românticas, éticas e científicas, mas acabam fazendo uma viagem para dentro de si mesmos. O marco geográfico se revela um lugar hostil, habitado por um gigantesco formigueiro de saúvas agressivas. Nós, atores, produtores e técnicos, seríamos submetidos às mesmas pressões de que padeceram os heróis da literatura. Esse era o choque que Ruy Guerra, o diretor, desejava captar.
    Sondada para participar do projeto, sofri frenesis de expectativa: eu tinha 23 anos, em 1998. A vontade de me perder no Brasil profundo por quatro semanas — elas viraram dez —, alojada junto aos povos do Alto Xingu, na pele da personagem Francisca e dirigida por Guerra, ofuscava, em mim, quaisquer outras vontades. Eu me via em Uma aventura na África, abrigada numa barraca militar inglesa, discutindo o roteiro da película à luz do poente.
    Um filme não é apenas um filme: é um filme e mais a logística de dar conta da tropa que o realiza. Um circo grande como aquele, no meio do nada, com duração prevista de três meses, contava com mais de uma centena de voluntários: de peões goianos a intelectuais sensíveis, de cozinheiras do Méier a atrizes burguesas, de japoneses paulistas a lendas vivas da tela grande.
    Viveríamos isolados na mata, com luz racionada, sem privacidade, banheiro ou telefone, a três horas e meia de tecoteco de um aparelho de televisão. Improviso, logística tupiniquim e espírito aventureiro se misturavam para tornar real a visão do diretor.


Fernanda Torres. Sete anos. São Paulo: Companhia das Letras, 2014, p. 13-14 (com adaptações).  
No texto precedente, Fernanda Torres relata sua experiência como atriz do elenco do filme Kuarup, dirigido por Ruy Guerra e inspirado no romance Quarup, de Antonio Callado. A partir dos argumentos que sustentam a opinião da atriz no relato apresentado, é correto afirmar que, na perspectiva de Fernanda Torres,
  1. Aa experiência da equipe do filme nas gravações foi semelhante à da expedição criada por Callado.
  2. Ba proposta de viajar ao Alto Xingu para gravar um filme não a havia empolgado.
  3. Co romance de Callado chegou ao conhecimento do público tardiamente, após o lançamento do filme de Guerra.
  4. Datores, produtores e técnicos não suportaram as pressões do ambiente das gravações do filme.
  5. Eo filme de Guerra retrata literalmente o enredo do romance de Callado.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — a experiência da equipe do filme nas gravações foi semelhante à da expedição criada por Callado.

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Kuarup: Semelhança entre as experiências

Gabarito: letra A. ✅ A alternativa correta é a letra A, pois a autora afirma explicitamente que atores, produtores e técnicos seriam submetidos "às mesmas pressões de que padeceram os heróis da literatura", indicando que a experiência da equipe foi semelhante à da expedição do romance de Callado. Vejamos a análise de cada alternativa:

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A passagem "Nós, atores, produtores e técnicos, seríamos submetidos às mesmas pressões de que padeceram os heróis da literatura" comprova que a experiência da equipe foi análoga à vivida pelos personagens do livro. A autora ainda reforça que o filme é mais fiel ao espírito do livro do que o próprio filme, consolidando a ideia de semelhança.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A autora relata: "A vontade de me perder no Brasil profundo por quatro semanas... ofuscava, em mim, quaisquer outras vontades." Isso demonstra entusiasmo, e não falta de empolgação. A alternativa contradiz o texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O texto informa que o romance foi publicado em 1967, e a autora menciona sua participação no filme em 1998. Portanto, o livro é anterior ao filme, não posterior. Não há menção a lançamento tardio.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Embora a autora diga que sofreriam as mesmas pressões, ela não afirma que não as suportaram. Pelo contrário, o texto descreve a logística e o isolamento, mas não relata que a equipe não suportou. É uma extrapolação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O texto afirma que as filmagens são "mais fiéis ao espírito do livro" do que o próprio filme, e não que retratam literalmente o enredo. Além disso, o livro narra uma expedição ao centro geográfico, enquanto o filme é uma adaptação livre.

Conclusão: A única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a letra A, que reflete a comparação explícita feita pela autora entre a experiência da equipe e a dos personagens literários.

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