Questão de Banco de Dados — DER - Diagrama de Entidade e Relacionamento — CESPE / CEBRASPE 2025
Banco de Dados›DER - Diagrama de Entidade e Relacionamento
Código
ce222325
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UNIVESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Supervisor Pedagógico - Área de Atuação 2: Computação e Áreas Afins
A figura precedente é um DER, que representa a modelagem de uma clínica médica na qual um mesmo médico pode realizar consulta com vários pacientes, sendo possível que o mesmo paciente se consulte com o mesmo médico mais de uma vez.A partir das informações apresentadas, assinale a opção correta.
APode haver várias consultas entre um MÉDICO e determinado PACIENTE, mas, se for este o caso, o atributo data/hora deve ser movido para PACIENTE, de modo que seja possível distinguir consultas dos mesmos paciente e médico.
BTodo MÉDICO possui relacionamento obrigatório com PACIENTE por meio de CONSULTA, mas pode haver PACIENTE que não tenha relacionamento com nenhum MÉDICO por meio de CONSULTA.
CPode haver várias consultas entre um MÉDICO e determinado PACIENTE, caso em que o atributo data/hora será um atributo identificador do relacionamento CONSULTA que permitirá distinguir consultas dos mesmos paciente e médico.
DA modelagem em questão está errada, pois não pode haver relacionamento por meio de entidade associativa CONSULTA em que haja valor 0 (zero) na cardinalidade representada por (0,n).
EA modelagem em questão está errada, pois as cardinalidades deveriam ser representadas, respectivamente, por (n,1) e (n,0) em vez de por (1,n) e (0,n), e a forma modelada PACIENTE não deveria ter relacionamento com MÉDICO por meio de CONSULTA.
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GabaritoC — Pode haver várias consultas entre um MÉDICO e determinado PACIENTE, caso em que o atributo data/hora será um atributo identificador do relacionamento CONSULTA que permitirá distinguir consultas dos mesmos paciente e médico.
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Modelagem de dados: relacionamento N:M e entidade associativa
Gabarito: letra C. No relacionamento muitos-para-muitos (N:M) entre MÉDICO e PACIENTE, o relacionamento CONSULTA deve ser transformado em uma entidade associativa (também chamada de entidade de ligação ou tabela associativa), e o atributo data/hora, que pertence ao relacionamento, atua como atributo identificador (chave) dessa entidade, permitindo distinguir as várias consultas entre o mesmo médico e o mesmo paciente. A alternativa C descreve exatamente essa modelagem correta.
O Diagrama Entidade-Relacionamento (DER) é a representação gráfica do Modelo Entidade-Relacionamento (MER), um modelo conceitual que descreve os dados de um sistema de forma independente de hardware e software. No MER, temos três conceitos fundamentais: entidades (objetos do mundo real, representados por retângulos), atributos (características das entidades ou relacionamentos, representados por elipses) e relacionamentos (associações entre entidades, representados por losangos). A cardinalidade define quantas ocorrências de uma entidade podem estar associadas a uma ocorrência da outra entidade através do relacionamento.
No caso da clínica médica, temos um relacionamento N:M (muitos-para-muitos) entre MÉDICO e PACIENTE, pois um médico pode atender vários pacientes e um paciente pode ser atendido por vários médicos. Além disso, o enunciado informa que o mesmo paciente pode se consultar com o mesmo médico mais de uma vez. Isso significa que o relacionamento CONSULTA precisa de um atributo que o identifique de forma única, pois a combinação de um médico com um paciente não é suficiente para distinguir as diferentes consultas entre eles. Esse atributo é a data/hora da consulta, que funciona como um atributo identificador do relacionamento.
Quando um relacionamento N:M possui atributos próprios, ele é transformado em uma entidade associativa (ou entidade de ligação). Essa entidade associativa herda as chaves primárias das entidades participantes (no caso, o código do médico e o código do paciente) e adiciona seus próprios atributos (no caso, a data/hora). A chave primária da entidade associativa pode ser a combinação das chaves das entidades participantes mais o atributo identificador, ou apenas o atributo identificador, se ele for único. No caso da consulta, a data/hora é o atributo que permite distinguir as diferentes consultas entre o mesmo médico e o mesmo paciente, funcionando como um discriminador.
A cardinalidade do relacionamento CONSULTA é representada como (1,n) do lado do MÉDICO e (0,n) do lado do PACIENTE. Isso significa que um médico deve ter pelo menos uma consulta (participação total, cardinalidade mínima 1) e pode ter várias (cardinalidade máxima n). Já um paciente pode não ter nenhuma consulta (participação parcial, cardinalidade mínima 0) e pode ter várias (cardinalidade máxima n). Essa modelagem está correta e reflete a realidade da clínica: todo médico realiza consultas, mas nem todo paciente necessariamente se consulta.
A pegadinha desta questão está em confundir o papel do atributo data/hora. Ele não deve ser movido para a entidade PACIENTE (como sugere a alternativa A), pois não é uma característica do paciente, mas sim do relacionamento CONSULTA. Ele também não é um atributo identificador da entidade MÉDICO ou PACIENTE, mas sim do relacionamento CONSULTA, que foi transformado em entidade associativa. A alternativa C captura corretamente essa ideia: o atributo data/hora é um atributo identificador do relacionamento CONSULTA, permitindo distinguir as consultas entre os mesmos paciente e médico.
Guarde a fronteira entre atributo de entidade e atributo de relacionamento: é exatamente nela que as alternativas se dividem. O atributo data/hora pertence ao relacionamento CONSULTA, e não às entidades MÉDICO ou PACIENTE.
Critério
Alternativa A
Alternativa B
Alternativa C (Gabarito)
Alternativa D
Alternativa E
Papel do atributo data/hora
Movido para PACIENTE (incorreto)
Não mencionado
Atributo identificador do relacionamento CONSULTA (correto)
Não mencionado
Não mencionado
Cardinalidade MÉDICO
Não abordada
Obrigatória (mín. 1) — correta
Implícita (1,n) — correta
(0,n) questionada como inválida (incorreto)
(n,1) proposta (incorreto)
Cardinalidade PACIENTE
Não abordada
Parcial (mín. 0) — correta
Implícita (0,n) — correta
(0,n) questionada como inválida (incorreto)
(n,0) proposta (incorreto)
Distinção de múltiplas consultas mesmo médico/paciente
Não resolvida (atributo no lugar errado)
Não abordada
Resolvida via data/hora como chave (correto)
Não abordada
Não abordada
Validade da modelagem DER
Incorreta
Parcialmente correta, mas incompleta
Correta
Incorretamente invalidada
Incorretamente invalidada
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que, se houver várias consultas entre um MÉDICO e um PACIENTE, o atributo data/hora deve ser movido para PACIENTE. Isso está errado. O atributo data/hora é uma característica do relacionamento CONSULTA, não do paciente. Movê-lo para a entidade PACIENTE seria uma modelagem incorreta, pois o atributo não descreve o paciente, mas sim a consulta. A forma correta de distinguir as consultas é manter o atributo data/hora no relacionamento CONSULTA, que, ao ser transformado em entidade associativa, passa a ter esse atributo como parte de sua chave.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que todo MÉDICO possui relacionamento obrigatório com PACIENTE por meio de CONSULTA, mas pode haver PACIENTE que não tenha relacionamento com nenhum MÉDICO. A primeira parte está correta (cardinalidade mínima 1 para MÉDICO), mas a segunda parte está incorreta. No DER, a cardinalidade (0,n) do lado do PACIENTE indica que um paciente pode não ter nenhuma consulta (participação parcial). No entanto, a alternativa B diz que "pode haver PACIENTE que não tenha relacionamento com nenhum MÉDICO", o que é verdadeiro. Mas a alternativa B está incorreta porque ela não menciona o atributo data/hora como identificador do relacionamento, que é o ponto central da questão. Além disso, a alternativa B não aborda a possibilidade de várias consultas entre o mesmo médico e o mesmo paciente, que é o cenário descrito no enunciado.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa C afirma que pode haver várias consultas entre um MÉDICO e determinado PACIENTE, e que, nesse caso, o atributo data/hora será um atributo identificador do relacionamento CONSULTA, permitindo distinguir consultas dos mesmos paciente e médico. Isso está correto. No relacionamento N:M entre MÉDICO e PACIENTE, o relacionamento CONSULTA é transformado em entidade associativa, e o atributo data/hora atua como atributo identificador (chave) dessa entidade, distinguindo as diferentes consultas entre o mesmo médico e o mesmo paciente. A alternativa C descreve exatamente essa modelagem correta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D afirma que a modelagem está errada porque não pode haver relacionamento por meio de entidade associativa CONSULTA em que haja valor 0 (zero) na cardinalidade representada por (0,n). Isso está incorreto. A cardinalidade (0,n) é perfeitamente válida e indica participação parcial: um paciente pode não ter nenhuma consulta. Não há nenhuma regra que proíba cardinalidade mínima zero em uma entidade associativa. A modelagem está correta, e a alternativa D erra ao afirmar que ela é inválida.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E afirma que a modelagem está errada porque as cardinalidades deveriam ser (n,1) e (n,0) em vez de (1,n) e (0,n), e que a forma modelada PACIENTE não deveria ter relacionamento com MÉDICO por meio de CONSULTA. Isso está incorreto. As cardinalidades (1,n) e (0,n) estão corretas: um médico deve ter pelo menos uma consulta (1) e pode ter várias (n), enquanto um paciente pode não ter nenhuma consulta (0) e pode ter várias (n). A notação (n,1) e (n,0) não é uma forma válida de representar cardinalidade, pois o primeiro número indica a cardinalidade mínima e o segundo a máxima, e n é sempre maior que 1. Além disso, o relacionamento entre MÉDICO e PACIENTE por meio de CONSULTA é necessário para modelar o cenário descrito. A alternativa E erra ao afirmar que a modelagem está incorreta.