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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce222628
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CAESB-DF
Ano
2025
Nível
Superior
Texto CG1A1


       Como nasceu Brasília? A resposta é simples. Como todas as grandes iniciativas, surgiu quase de um nada. A ideia da interiorização da capital do país era antiga, remontando à época da Inconfidência Mineira. A partir daí, viera rolando pelas diferentes fases da nossa história: o fim da era colonial, os dois reinados e os sessenta e seis anos da República, até 1955. Pregada por alguns idealistas, chegou, mesmo, a se converter em dispositivo constitucional. No entanto, a despeito dessa prolongada hibernação, nunca aparecera alguém suficientemente audaz para dar-lhe vida e convertê-la em realidade.

       Coube a mim levar a efeito a audaciosa tarefa. Não só promovi a interiorização da capital, no exíguo período do meu governo, mas, para que essa mudança se processasse em bases sólidas, construí, em pouco mais de três anos, uma metrópole inteira — moderna, urbanisticamente revolucionária —, que é Brasília.

       Yuri Gagarin, o famoso astronauta, disse-me ao ver Brasília pela primeira vez: “A ideia que tenho, presidente, é a de que estou desembarcando em um planeta diferente, que não a Terra”.

        De fato, o cenário de Brasília tem aspectos realmente singulares. As cúpulas do Palácio do Congresso, uma côncava e outra convexa; a imponência da Praça dos Três Poderes, refletindo o brilho de suas sucessivas fachadas de vidro; o Palácio do Supremo Tribunal de Justiça, apoiado em alicerces tão tênues que dão a impressão de que o edifício não toca o chão, mas flutua; a beleza do Palácio da Alvorada, concebido em linhas de uma harmonia tão perfeita que o traçado de suas colunas sui generis já é motivo ornamental até de certo tipo de louça sofisticada. Tudo ali é diferente, revolucionário. Reflete uma estética urbanística única no mundo. E, sobre o acúmulo das maravilhas criadas pelo gênio humano, estende-se o infinito do horizonte rasgado do Planalto — um horizonte baixo, que lembra as vastidões marinhas e que, sendo enorme, serve de palco, pela manhã e à tarde, aos mais deslumbrantes jogos de luz de que é capaz a natureza.

       Assim é Brasília em uma visão caleidoscópica, sem se recordar o seu todo urbanístico — os blocos residenciais; o Eixo Monumental; a audaciosa torre de telecomunicações com seu restaurante panorâmico; as famosas “quadras” autossuficientes, recordando, em uma feição moderna, as comunidades medievais; e, sobretudo, o lago artificial, com 600 milhões de metros cúbicos de água, dotado de praias, iate clube, barcos a vela e toda natureza de esportes aquáticos.

        No mundo existem algumas cidades artificiais, isto é, não nascidas por imposições sociopolíticas, mas erigidas por iniciativa de reis ou de governantes. A construção de todas elas arrastou-se por anos, e algumas, apesar do tempo passado, ainda não estão de todo concluídas. Por outro lado, nenhuma delas possui uma história própria — uma história de heroísmo, audácia, determinação e espírito de pioneirismo épico, que representou sua construção, exibe uma insígnia que lhe empresta importância ímpar, quando posta em comparação com suas congêneres. A nova capital, descontada sua grandiosidade arquitetônica, permitiu que dois terços do nosso território — que eram desalentadores “espaços vazios” — fossem conquistados. Pode-se dizer assim, e com a maior segurança, que o Brasil só se tornou adulto depois da construção de Brasília.


Juscelino Kubitschek. Por que construí Brasília.
Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2000 (com adaptações).  
O quarto e o quinto parágrafos do texto CG1A1 desenvolvem-se com base em sequências tipológicas predominantemente
  1. Anarrativas.
  2. Bdescritivas.
  3. Cexpositivas.
  4. Dinjuntivas.
  5. Eargumentativas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — descritivas.

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Tipologia textual predominante nos 4º e 5º parágrafos

Gabarito: Alternativa B – descritivas. Os parágrafos quarto e quinto do texto desenvolvem-se com base em sequências tipologicamente descritivas, pois têm como objetivo caracterizar Brasília, enumerando seus elementos arquitetônicos e urbanísticos (4º parágrafo) e contrastando-a com outras cidades artificiais para realçar sua singularidade (5º parágrafo). Não há progressão temporal (narrativa), defesa de tese com argumentação explícita (argumentativa), exposição neutra de informações (expositiva) nem instruções (injuntiva).

Prova no texto

4º parágrafo: "Assim é Brasília em uma visão caleidoscópica, sem se recordar o seu todo urbanístico — os blocos residenciais; o Eixo Monumental; a audaciosa torre de telecomunicações com seu restaurante panorâmico; as famosas “quadras” autossuficientes, recordando, em uma feição moderna, as comunidades medievais; e, sobretudo, o lago artificial, com 600 milhões de metros cúbicos de água, dotado de praias, iate clube, barcos a vela e toda natureza de esportes aquáticos."

Aqui o autor lista e caracteriza elementos físicos de Brasília sem contar uma história ou defender um ponto de vista — é pura descrição.

5º parágrafo: "No mundo existem algumas cidades artificiais... A construção de todas elas arrastou-se por anos... Por outro lado, nenhuma delas possui uma história própria — uma história de heroísmo, audácia, determinação e espírito de pioneirismo épico... A nova capital, descontada sua grandiosidade arquitetônica, permitiu que dois terços do nosso território — que eram desalentadores “espaços vazios” — fossem conquistados."

Embora haja uma comparação e uma apreciação valorativa, o foco central é mostrar como Brasília é (sua história épica, seu impacto territorial) — função descritiva. A frase final ("Pode-se dizer que o Brasil só se tornou adulto depois da construção de Brasília") é uma consequência do retrato traçado, não uma tese argumentada com desenvolvimento lógico.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Narrativas: exigiriam sequência de ações no tempo, com personagens e enredo. Os parágrafos não narram eventos em progressão; apenas descrevem o cenário e as características.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descritivas: ambos os parágrafos caracterizam estática e pormenorizadamente Brasília — seus elementos físicos (4º) e sua singularidade histórica (5º). A função é pintar um quadro, não contar, explicar ou convencer.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Expositivas: o texto não apresenta informações de forma neutra e impessoal; há marcas de subjetividade ("audaciosa torre", "heróico", "adulto") e o objetivo é enaltecer, não expor objetivamente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Injuntivas: não há verbos no imperativo nem instruções de procedimento. O texto não ensina nada a fazer.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Argumentativas: apesar de haver um juízo de valor, a predominância é descritiva. O 5º parágrafo compara e conclui, mas a base é a descrição das qualidades de Brasília. Para ser argumentativo, o texto precisaria defender uma tese com encadeamento lógico de argumentos; aqui, a descrição é a matéria-prima, e a conclusão é apenas uma pincelada final.

Resumo

A descrição é a tipologia que melhor define a intenção comunicativa dos dois parágrafos: caracterizar Brasília em seus aspectos físicos e simbólicos. As demais tipologias (narrativa, expositiva, injuntiva, argumentativa) não se sustentam como predominantes.

Gabarito: letra B.

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