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Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsSintaxe
Código
ce222818
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
EMBRAPA
Ano
2025
Nível
Superior
        São dois pinheiros altos, e atrás deles o mar. Na linha do horizonte, as linhas parecem estar boiando, nessa luz indecisa da manhã de inverno.

         O homem lança um olhar apressado à paisagem cheia de vento e de sol, e se volta para o interior do apartamento; precisa providenciar as instalações elétricas; um amigo lhe disse uma coisa horrendamente prosaica, a saber: convém trocar o ralo do chuveiro por um desses que se pode fechar, porque assim é evitado o ingresso de baratas. É preciso pensar nisso; e também onde colocar o telefone; e em providenciar o telefone para ser colocado. (...) O colchão não veio? Mas ficaram de mandar trazer no sábado, sem falta. Ali está a cama nua; ali, homem, em breve tu dormirás, amarás, sonharás, morrerás talvez, quem sabe?

         Assim, dentro do apartamento, só existem problemas; entediado, o homem se volta para a varanda, para o mar. Em alguns minutos, houve um movimento de nuvens e de luz; há manchas verdes, três ou quatro, perto das ilhas que estão mais nítidas; parece que se ergueram um pouco no horizonte. Que planura terrena, que montanha imponente, que paisagem no mundo vale o mar? Não o mar do alto-mar, mas esse mar de costa e ilhas, sempre investindo sobre as pedras e sobre as terras, esse que leva homens e coisas dos homens, que recebe plantas que descem os rios boiando, esse mar humano e vivo, e entretanto batendo aos nossos pés a canção do eterno, chamando para o desconhecido, anunciando ao nosso mundo que este mundo não tem fim.

         Chega o porteiro, diz algumas coisas sobre calafates e ladrilhos, água e contrato. O homem desce lentamente, vai andando, encontra um amigo na esquina, o amigo pergunta se é verdade que ele agora vai morar ali no bairro, em que apartamento. Ele responde qualquer coisa, diz que é um apartamento pequeno, que ainda está arrumando, que não tem habite-se, mas dentro dele, consigo mesmo, ele pensa apenas: são dois pinheiros grandes e, atrás deles, o mar.

Rubem Braga. Dois pinheiros e o mar: e outras crônicas sobre o meio ambiente.
São Paulo: Global, 2017 (com adaptações). 
Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item seguinte.No segmento “É preciso pensar nisso” (segundo período do segundo parágrafo), o sujeito da primeira oração é indeterminado, o que se confirma pela flexão verbal na terceira pessoa do singular.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sujeito em "É preciso pensar nisso"

ERRADO. O item afirma que o sujeito da oração "É preciso pensar nisso" é indeterminado, por causa da flexão na 3ª pessoa do singular. Isso está incorreto, pois o sujeito é a oração reduzida de infinitivo "pensar nisso" — um sujeito oracional, não indeterminado.

"precisa providenciar as instalações elétricas; um amigo lhe disse uma coisa horrendamente prosaica, a saber: convém trocar o ralo do chuveiro por um desses que se pode fechar, porque assim é evitado o ingresso de baratas. É preciso pensar nisso; e também onde colocar o telefone..."

Na oração "É preciso pensar nisso":

  • "É": verbo "ser" na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo.

  • "preciso": predicativo do sujeito (adjetivo).

  • "pensar nisso": sujeito da oração (oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo). Equivale a "que se pense nisso" ou "pensar nisso é preciso".

Sujeito indeterminado não é o caso

O sujeito indeterminado ocorre quando o verbo está na 3ª pessoa do plural sem sujeito explícito (ex.: "Dizem que vai chover") ou na 3ª pessoa do singular acompanhado do pronome "se" como índice de indeterminação do sujeito (ex.: "Precisa-se de funcionários"). Nenhuma dessas situações se verifica em "É preciso pensar nisso": não há "se" e há um sujeito claro — a oração "pensar nisso". A flexão na 3ª pessoa do singular é consequência da concordância com um sujeito oracional (sujeito tratado como 3ª pessoa), e não indica indeterminação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir a flexão singular com indeterminação do sujeito. O candidato pode pensar que "sujeito indeterminado" é sinônimo de "verbo na 3ª pessoa do singular", mas isso é falso: a 3ª pessoa do singular é a forma padrão para sujeitos oracionais, que são perfeitamente determinados.

💡 Dica: Sempre distinga sujeito oracional (expresso por uma oração) de sujeito indeterminado (quando não se sabe ou não se quer identificar o agente). A presença de um verbo na 3ª pessoa do singular não basta para indeterminação; é preciso verificar se há ou não um sujeito explícito na oração.

Gabarito: ERRADO (E).

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