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Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsSintaxe
Código
ce222826
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
EMBRAPA
Ano
2025
Nível
Superior

Texto CG2AI  


        Presumivelmente, o processo de criatividade, seja ele qual for, é essencialmente o mesmo em todos os seus ramos, de modo que a evolução de uma nova forma artística, um novo mecanismo ou um novo princípio científico envolve fatores comuns.


        Uma maneira de investigar o problema é considerar as grandes ideias do passado e ver como elas foram geradas. Infelizmente, o método de geração não é claro nem mesmo para os próprios “geradores”.


        Mas e se a mesma ideia revolucionária ocorrer a dois homens, simultânea e independentemente? Talvez os fatores comuns envolvidos sejam esclarecedores. Considere a teoria da evolução pela seleção natural, criada independentemente tanto por Charles Darwin quanto por Alfred Wallace.


        Nesse caso, existem muitos pontos em comum. Ambos viajaram para lugares distantes, tendo observado espécies estranhas de animais e plantas e a maneira como variavam de lugar para lugar. Ambos estavam profundamente interessados em encontrar uma explicação para isso e falharam até cada um deles ler o Ensaio sobre o princípio da população, de Malthus.


        Ambos, então, viram como a noção de superpopulação e esgotamento (que Malthus havia aplicado aos seres humanos) se encaixaria na doutrina da evolução pela seleção natural (se aplicada às espécies em geral).


        Obviamente, portanto, o que é necessário não são apenas pessoas com uma boa formação em uma área específica, mas também pessoas capazes de estabelecer uma conexão entre itens que podem não parecer usualmente conectados.

        Sem dúvida, na primeira metade do século XIX, muitos naturalistas estudaram a maneira pela qual as espécies se diferenciavam entre si. Muitas pessoas leram Malthus. Talvez algumas tenham estudado as espécies e lido Malthus. Mas o que era preciso era alguém que estudasse espécies, lesse Malthus e tivesse a capacidade de fazer uma conexão cruzada.


        O ponto crucial é a rara característica que deve ser encontrada. Uma vez que a conexão cruzada é feita, ela se torna óbvia. Thomas H. Huxley teria exclamado depois de ler A Origem das Espécies: “Que estúpido da minha parte não ter pensado nisso!”. 

        

        Mas por que ele não pensou nisso? A história do pensamento humano poderia fazer parecer que há dificuldade em pensar em uma ideia, mesmo quando todos os fatos estão sobre a mesa. Fazer a conexão cruzada requer certa ousadia — porque qualquer conexão cruzada realizada de uma só vez por muitos se desenvolve não como uma nova ideia, mas como um mero corolário de uma velha ideia.


        É somente mais tarde que uma nova ideia parece razoável. De início, ela normalmente parece sem sentido. Parecia a máxima insensatez supor que a Terra se movia em vez do Sol, ou que os objetos exigiam uma força para detê-los quando em movimento, em vez de uma força para mantê-los em movimento, e assim por diante.


        Uma pessoa disposta a seguir em frente enfrentando a razão, a autoridade e o bom senso deve ser uma pessoa de considerável autoconfiança. Como ela aparece apenas raramente, deve parecer excêntrica (pelo menos nesse aspecto) para o resto de nós. Uma pessoa excêntrica em um aspecto frequentemente o é em outros. Consequentemente, a pessoa com maior probabilidade de obter novas ideias é uma pessoa de boa formação na área de interesse e alguém que não é convencional em seus hábitos.



Isaac Asimov. Sobre criatividade: como as pessoas têm novas ideias?

In: MIT Technology Review, jul./2020 [originalmente escrito em 1959].

Internet: <mittechreview.com.br> (com adaptações).

Julgue o seguinte item, relativo aos aspectos linguísticos do texto CG2A1.No penúltimo período do último parágrafo, o termo “o” retoma o vocábulo “aspecto”.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: retomada do pronome "o"

❌ ERRADO. O termo "o" no penúltimo período não retoma o vocábulo "aspecto". A estrutura "frequentemente o é em outros" mostra que "o" funciona como pronome que retoma a qualidade de "excêntrica", não o substantivo "aspecto". Vejamos o período:

"Uma pessoa excêntrica em um aspecto frequentemente o é em outros."

Aqui, "o" é um pronome oblíquo que desempenha a função de objeto direto, referindo-se ao predicativo "excêntrica" (implícito: "é excêntrica em um aspecto, frequentemente é excêntrica em outros"). A expressão "o é" equivale a "é excêntrica". Portanto, o referente é a característica de ser excêntrico, e não o termo "aspecto". O item está errado.

Análise sintática:

  • "Uma pessoa excêntrica em um aspecto" = sujeito + adjunto adverbial

  • "frequentemente o é em outros" = advérbio + pronome (objeto direto) + verbo + adjunto adverbial.

O pronome "o" substitui o predicativo "excêntrica", já que a oração é elíptica. Se fosse retomar "aspecto", o sentido seria "é aspecto em outros", o que não faz sentido.

PEGA ESSA DICA!

Sempre desconfie de afirmações que simplificam a coesão textual. Pergunte: "O pronome substitui exatamente aquele termo?" e verifique a concordância e o sentido da frase.

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

Gabarito: opção E (Errado).

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