Questão de Nutrição — Tecnologia de Alimentos — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce223187
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: Errado (E). A afirmação está incorreta porque confunde os mecanismos de transferência indireta de genes: sistemas de aceleração de partículas (biobalística), polietilenoglicol (PEG) e lipossomos são métodos de transferência direta de DNA, não indireta. A transferência indireta ocorre por meio de vetores biológicos, como a bactéria Agrobacterium tumefaciens ou vírus, que introduzem o material genético na célula hospedeira.
A bioengenharia de alimentos utiliza técnicas de engenharia genética para modificar organismos, e a distinção entre transferência direta e indireta de genes é fundamental. Na transferência direta, o DNA é introduzido na célula por métodos físicos ou químicos, sem a necessidade de um organismo intermediário. Já na transferência indireta, um vetor biológico (como uma bactéria ou vírus) é utilizado como veículo para carregar o gene de interesse até a célula-alvo.
Os métodos citados na questão — biobalística (sistema de aceleração de partículas), polietilenoglicol e lipossomos — são exemplos clássicos de transferência direta. A biobalística, por exemplo, utiliza micropartículas de ouro ou tungstênio revestidas com DNA que são disparadas contra as células, rompendo fisicamente a parede celular e a membrana plasmática. O PEG atua como agente químico que desestabiliza a membrana, facilitando a entrada do DNA, enquanto os lipossomos são vesículas lipídicas que se fundem com a membrana celular e liberam o DNA no citoplasma.
A transferência indireta, por sua vez, é exemplificada principalmente pela utilização da Agrobacterium tumefaciens, uma bactéria do solo que naturalmente transfere um segmento de seu DNA (T-DNA) para o genoma de plantas. Essa bactéria é amplamente utilizada na produção de plantas transgênicas, como a soja e o milho geneticamente modificados. Outros vetores biológicos incluem vírus modificados, como o vírus do mosaico do tabaco (TMV), que podem ser utilizados para expressar proteínas recombinantes em plantas.
A confusão entre os dois tipos de transferência é uma pegadinha recorrente em provas de tecnologia de alimentos e biotecnologia. A banca explora exatamente o fato de que os métodos físicos e químicos são frequentemente associados à ideia de "indireto" por envolverem intermediários (partículas, substâncias químicas), quando na verdade são classificados como diretos por não utilizarem um organismo biológico como vetor.
A banca inverte a classificação: os métodos físicos e químicos (biobalística, PEG, lipossomos) são diretos, pois o DNA é introduzido diretamente na célula. A transferência indireta exige um vetor biológico, como a Agrobacterium tumefaciens. O candidato que associa "partículas" e "lipossomos" a algo indireto cai na armadilha.
A afirmação está errada porque classifica incorretamente os métodos de transferência de genes. Os sistemas de aceleração de partículas (biobalística), o polietilenoglicol (PEG) e os lipossomos são técnicas de transferência direta de DNA, não indireta. Esses métodos atuam rompendo fisicamente ou quimicamente a parede celular e a membrana plasmática para permitir a entrada do DNA, sem a mediação de um organismo biológico.
A transferência indireta, por outro lado, utiliza vetores biológicos, como a bactéria Agrobacterium tumefaciens ou vírus, que carregam o gene de interesse e o introduzem na célula hospedeira de forma natural ou modificada. Portanto, a assertiva troca os conceitos, atribuindo à transferência indireta métodos que pertencem à transferência direta.
Gabarito: Errado (E).
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