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Questão de Português — Crase — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsCrase
Código
ce223445
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
FUB
Ano
2025
Nível
Superior
Texto CB1A1

        Falar de acesso à Internet no Brasil é, ainda, falar de desigualdade. Embora a digitalização tenha avançado em diversos segmentos — da educação à economia —, cerca de 20% da população brasileira permanece desconectada ou sem condições de usufruir dos recursos digitais. A democratização da Internet é, portanto, um imperativo de inclusão social, desenvolvimento econômico e cidadania.

        Apesar de o Brasil ter ultrapassado a marca de 80% da população com algum tipo de acesso à Internet, o país ainda apresenta um cenário de profundas desigualdades regionais e sociais no que se refere à qualidade, velocidade e estabilidade da conexão. Os dados da pesquisa TIC Domicílios 2023, realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, revelam que 88% da população urbana está conectada, mas esse índice cai para 60% nas áreas rurais. As regiões Norte e Nordeste apresentam baixos indicadores de infraestrutura de conectividade, sendo ainda dependentes de redes móveis instáveis, enquanto o Sudeste concentra a maior parte dos investimentos em fibra óptica e banda larga de alta velocidade.

        A disparidade segue a lógica de expansão do setor de telecomunicações no país — fortemente orientada pela rentabilidade —, que privilegia centros urbanos e regiões com maior poder aquisitivo. Segundo dados do IBGE de 2022, enquanto quase 90% dos domicílios localizados no Sudeste têm acesso à Internet, os números caem para cerca de 70% no Norte e no Nordeste, com situação mais grave nas áreas rurais.

        O Brasil enfrenta também um déficit preocupante de letramento digital. Segundo levantamento feito pela ANATEL em 2024, apenas 30% da população brasileira possui habilidades digitais básicas, e menos de 20% atinge um nível intermediário de proficiência em letramento digital. A carência tecnológica forma uma barreira à inserção dessa população no mercado de trabalho e no sistema educacional, além de reforçar a exclusão social. Um ponto preocupante também é que a falta de letramento digital aumenta a vulnerabilidade à desinformação e a fraudes.

        Em um país marcado por desigualdades históricas, a exclusão digital se soma a outras formas de marginalização.

Internet:<https://esginside.com.br>  (com adaptações)
Julgue o item seguinte, relativo ao vocabulário e a outros aspectos linguísticos do texto CB1A1.É facultativo o emprego do sinal indicativo de crase no vocábulo “a” em “a outras formas de marginalização” (último período do texto).
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase diante de pronome indefinido – não é facultativa no texto

Gabarito: E (Errado). A afirmativa de que é facultativo empregar crase no vocábulo "a" em "a outras formas de marginalização" está errada. No trecho original, o "a" é apenas preposição exigida pelo verbo "somar"; não há artigo definido feminino antes de "outras", logo não há fusão que justifique a crase. Como o artigo não está presente, a crase é proibida, e não facultativa.

O texto comprova:

"a exclusão digital se soma a outras formas de marginalização."

Aqui, "a" é exclusivamente preposição. O termo "outras" é pronome indefinido que não vem acompanhado de artigo "as". Sem o artigo, a crase não pode ocorrer.

NÃO CAIA NESSA!

O candidato pode pensar que, por ser palavra feminina, a crase é sempre possível ou facultativa. No entanto, a regra exige que haja artigo feminino definido antes da palavra. Diante de pronomes indefinidos como "outras", o artigo é dispensável (e geralmente ausente); se houvesse artigo, a crase seria obrigatória. Mas no texto original não há, portanto inserir crase seria um erro.

PEGA ESSA DICA!

Para saber se a crase é facultativa, verifique se o termo seguinte admite artigo feminino definido e se esse artigo é opcional. Casos clássicos de facultatividade: diante de pronomes possessivos femininos ("a/à minha casa") e de topônimos femininos sem especificação ("vou a/à Brasília"). Já diante de "outras", "muitas", "várias", o artigo não é facultativo no sentido de poder ser livremente acrescentado sem alterar a estrutura – ele é normalmente omitido; sua inclusão mudaria a referência (específica vs. genérica).

Análise:

  • ✅ CERTO? A banca afirma que é facultativo. Mas facultativo significa que ambas as formas (com e sem crase) são igualmente corretas. Na frase original, com crase teríamos "soma-se às outras formas" – isso exigiria a inserção do artigo "as", que não está no texto. Essa inserção altera o sentido (específico) e não é uma mera opção ortográfica. Logo, não é facultativo; é errado supor que se pode colocar crase ali.

  • ❌ ERRADO (gabarito). O item está falso.

Conclusão: a afirmativa é falsa, pois não há artigo definido antes de "outras" no trecho, tornando a crase impossível. Portanto, o gabarito é E (Errado).

PEGA ESSA DICA!

Até sua Maria

Lembra os casos de crase FACULTATIVA: antes de 'até', antes de pronome possessivo feminino ('sua') e antes de nome próprio feminino ('Maria').

— Crase — casos facultativos

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