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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce223553
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
FUNPRESP-EXE
Ano
2025
Nível
Superior
Julgue o item a seguir, referente às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.O autor sugere que o sofrimento deve ser tolerado em prol de um bem maior, uma vez que os prazeres da vida só são apreciados quando os perdemos ou quando passamos por momentos dolorosos.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sofrimento como meio para um bem maior? Schopenhauer não diz isso

ERRADO. A afirmação de que "o autor sugere que o sofrimento deve ser tolerado em prol de um bem maior" extrapola o texto. Em nenhum momento Schopenhauer prescreve uma atitude ou defende que o sofrimento seja um meio para alcançar algo; ele apenas descreve a dinâmica psicológica de como os seres humanos percebem prazer e dor.

Gabarito: Errado.


Ancoragem no texto

A passagem central para a análise é:

"Enquanto possuímos os três maiores bens da vida, saúde, mocidade e liberdade, não temos consciência deles, e só os apreciamos depois de os havermos perdido, porque esses também são bens negativos."

O autor afirma que só valorizamos certos bens após perdê-los – um fato observado, não uma recomendação. Mais adiante, ele diz:

"É por este motivo que todos os poetas são obrigados a colocar os seus heróis em situações cheias de ansiedades e de tormentos, a fim de os livrarem delas"

Aqui ele explica a técnica literária, mas não diz que o sofrimento real deve ser tolerado para um "bem maior". O texto é descritivo, não prescritivo.


Análise do enunciado

A assertiva comete o erro clássico de extrapolação (acrescentar informação que o texto não autoriza). Ela afirma que o autor "sugere que o sofrimento deve ser tolerado em prol de um bem maior". Contudo, o texto não contém nenhum verbo modal de obrigação ou conselho ("deveria", "é preciso", "é necessário"). A ideia de "bem maior" também é estranha ao texto; Schopenhauer não hierarquiza o sofrimento como meio para um fim positivo – ao contrário, ele enfatiza o caráter negativo da felicidade e a realidade mais presente da dor.

A segunda parte ("os prazeres da vida só são apreciados quando os perdemos ou quando passamos por momentos dolorosos") até encontra eco no texto ("só os apreciamos depois de os havermos perdido"), mas a conclusão que se tira disso – a tolerância do sofrimento como meio – não está lá. O texto apenas constata um mecanismo, não o aprova ou recomenda.


Erro da banca na distratora (assertiva)

  • Extrapolação: o texto fala em "apreciar depois de perder", mas não em "tolerar sofrimento para um bem maior".

  • Opinião pessoal do examinador: a assertiva mistura a observação do autor com um juízo de valor ("deve ser tolerado") que não está no texto.

  • Contradição implícita: se o sofrimento fosse um meio para um fim, ele seria algo positivo; Schopenhauer, porém, afirma que "a nossa faculdade de sofrer é mais viva" e que a dor é real, enquanto a felicidade é apenas ausência de dor – não há qualquer defesa do sofrimento como instrumento.


PEGA ESSA DICA!

Ao ler questões de certo/errado sobre inferência, desconfie de palavras como "deve", "deveria", "precisa" – elas introduzem um juízo normativo. O texto de Schopenhauer é descritivo/filosófico; ele explica, não aconselha.

Conclusão: a assertiva é falsa. O gabarito é Errado.

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