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Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra SE — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsFunções morfossintáticas da palavra SE
Código
ce223694
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
InoversaSul
Ano
2025
Nível
Fundamental
    Um cientista empenhado em pesquisa — no campo da física, por exemplo — pode atacar diretamente o problema que enfrenta. Pode penetrar, de imediato, no cerne da questão, isto é, no cerne de uma estrutura organizada. Com efeito, conta sempre com a existência de uma estrutura de doutrinas científicas já existentes e com uma situação-problema que é reconhecida como problema nessa estrutura. Essa é a razão por que pode entregar a outros a tarefa de adequar ao quadro geral do conhecimento científico a sua contribuição.
     O filósofo vê-se em posição diversa. Ele não se coloca diante de uma estrutura organizada, mas, antes, em face de algo que semelha um amontoado de ruínas (embora, talvez, haja tesouros ocultos). Não lhe é dado apoiar-se no fato de existir uma situação-problema, geralmente reconhecida como tal, pois não existir algo semelhante é possivelmente o fato geralmente reconhecido. Com efeito, tornou-se agora questão frequente, nos círculos filosóficos, saber se a filosofia chegará a colocar um problema genuíno.
     Apesar de tudo, há quem acredite que a filosofia possa colocar problemas genuínos acerca das coisas e quem, portanto, ainda tenha a esperança de ver esses problemas discutidos, e afastados aqueles monólogos desalentadores que hoje passam por discussão filosófica. Se, por acaso, se julgam incapazes de aceitar qualquer das orientações existentes, tudo o que lhes resta fazer é começar de novo, desde o princípio.

Karl Popper. A lógica da pesquisa científica.
Tradução: Leonidas Hegenberg e Octanny Silveira da Mota.
São Paulo: Editora Cultrix, 2008, p. 23 (com adaptações). 
Em relação aos sentidos e aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item subsequente.


No último período do segundo parágrafo, a substituição do termo “se”, em “saber se”, pelo vocábulo que acarretaria alteração de sentido, mas não prejudicaria a correção gramatical do texto.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de "se" por "que" — alteração de sentido e correção gramatical

CERTO. A afirmação do item está correta: trocar “se” por “que” em “saber se” muda o sentido, mas não quebra a gramática. A passagem original é:

“... tornou-se agora questão frequente, nos círculos filosóficos, saber se a filosofia chegará a colocar um problema genuíno.”

Nesse trecho, “se” é conjunção integrante que introduz uma oração subordinada substantiva interrogativa indireta (equivale a “se… ou não”). Substituir por “que” transformaria a oração em declarativa (“saber que a filosofia chegará…”). A consequência é semântica: de uma dúvida passa-se a uma certeza. Gramaticamente, “saber que” é perfeitamente aceitável — ambas as construções são corretas. Portanto, a troca altera o sentido e não prejudica a correção gramatical.

NÃO CAIA NESSA!

O “se” em “saber se” é conjunção integrante, não pronome. Cuidado para não confundir com as funções pronominais (apassivador, reflexivo etc.).

"Se" em "saber se"
  • 1Conjunção integrante
    • Oração subordinada substantiva
    • Interrogativa indireta (dúvida)
  • 2Substituição por "que"
    • Oração declarativa (certeza)
    • Gramaticalmente correta
    • Altera o sentido
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CERTO. Como o item afirma exatamente essa possibilidade, ele está certo.

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