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Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsSintaxe
Código
ce224865
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UNIVESP
Ano
2025
Nível
Superior
Texto CG1A1

    Há muito chegamos à convicção de que a ciência no Brasil, custeada quase exclusivamente pelos cofres públicos, requer, para o apoio que merece, a compreensão da comunidade. Mas esse entendimento não se consegue, ao contrário do que parecem imaginar os cientistas, pela mera exaltação dos méritos da ciência; atinge-se pela paciente educação do povo a respeito do que ela faz e das implicações de suas conquistas.
    Também julgamos útil esse conhecimento como meio de difundir e mesmo criar atitudes que, indispensáveis ao cientista, não podem deixar de favorecer a boa formação do cidadão comum. Citamos, entre elas, o interesse pela criatividade, o espírito crítico, a busca de isenção nas conclusões e de alternativas, a contínua vigilância para que o simplesmente emocional não nos falseie o raciocínio.
    Essas qualidades têm sentido cada vez maior na sociedade moderna, que tanta força procura na tecnologia, hoje, mais do que nunca, fundada na pesquisa científica. Elas são importantes não apenas para ajudar-nos na solução objetiva de muitos problemas, nas encruzilhadas da vida, mas também para aprimoramento de muitas instituições, entre as quais a educação.
     A necessidade de um ensino vivo, em que o “túnel pedagógico” não abafe as potencialidades naturais do educando, é condição que os que militam na ciência e compreendem o que seja essa atividade defendem com empenho, assim como a defendem todos os que procuram obter, pelo sistema educacional, indivíduos capazes de ampla realização pessoal e social. É indiscutível, ao menos em nosso meio, o relevante papel que os cientistas têm tido na adoção de melhores métodos de ensino das ciências e, por extensão, do ensino em geral.  

José Reis. Responsabilidade de cientistas e jornalistas científicos. In: Luisa Massarani e Eliane Dias (org.). José Reis: Reflexões sobre a divulgação científica. Rio de Janeiro: Fiocruz; COC, 2018 [Originalmente publicado em: Ciência e Cultura, v. 26, n. 7, 1974] (com adaptações). 
Estariam preservados os sentidos e a correção gramatical do texto CG1A1 caso se substituísse a forma verbal
  1. A“favorecer” (primeiro período do segundo parágrafo) por corroborar com.
  2. B“criar” (primeiro período do segundo parágrafo) por resultar.
  3. C“chegamos” (primeiro período do primeiro parágrafo) por alcançamos.
  4. D“requer” (primeiro período do primeiro parágrafo) por demanda.
  5. E“deixar” (primeiro período do segundo parágrafo) por permitir.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “requer” (primeiro período do primeiro parágrafo) por demanda.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de forma verbal no texto CG1A1

Gabarito: letra D. A substituição de “requer” por “demanda” preserva tanto o sentido (ambos significam 'exige') quanto a correção gramatical, pois 'demanda' é verbo transitivo direto assim como 'requer'. As demais alternativas alteram a estrutura sintática ou o significado, conforme detalhado abaixo.

PEGA ESSA DICA!

Ao avaliar substituições verbais, verifique regência, sentido e se a construção com a preposição (se houver) se mantém.

Alternativa A — ❌ Incorreta

“favorecer” por “corroborar com”. O original “não podem deixar de favorecer a boa formação” tem “favorecer” como transitivo direto. “Corroborar com” exige complemento preposicionado (corroborar com algo) e muda o sentido para 'confirmar, apoiar', o que não equivale a 'favorecer'. Há erro de regência e alteração de sentido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“criar” por “resultar”. “criar atitudes” é transitivo direto. “resultar” é intransitivo e exige a preposição “em” (resultar em atitudes). Sem “em”, a frase fica agramatical. Além disso, o sentido muda de 'produzir' para 'ser consequência'.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“chegamos” por “alcançamos”. O original: “Há muito chegamos à convicção”. O verbo “chegar” rege preposição “a”, gerando crase. “Alcançar” é transitivo direto, não admite preposição. A substituição isolada produziria “alcançamos à convicção”, com crase indevida e erro de regência. Haveria quebra da correção gramatical.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“requer” por “demanda”. No trecho: “a ciência no Brasil, custeada quase exclusivamente pelos cofres públicos, requer, para o apoio que merece, a compreensão da comunidade”. “Requer” e “demanda” são sinônimos nesse contexto (exigir, necessitar) e ambos regem objeto direto sem preposição. A substituição mantém o sentido e a estrutura gramatical.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“deixar” por “permitir”. A expressão “não podem deixar de favorecer” é uma locução verbal fixa (“deixar de” = cessar, evitar). “Permitir” não pode substituir “deixar” nessa construção, pois “permitir de” não existe. Alteraria completamente o sentido e a sintaxe.

Conclusão: A única substituição que preserva ambos os aspectos é a da letra D.

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