Um órgão público municipal realizou um levantamento para
estimar o percentual de adultos residentes no município satisfeitos
com determinado serviço público. A equipe técnica havia
recomendado pesquisa por amostragem aleatória da população-alvo,
a fim de permitir inferência estatística com erro amostral controlado,
contudo, por restrições operacionais, o levantamento foi conduzido
por convite via email, a partir de uma lista administrativa com os
endereços de 100.000 residentes. Destes, 1.000 residentes aderiram
voluntariamente e responderam ao questionário online. Como
verificação de consistência do perfil amostral, a idade dos
respondentes foi comparada a um parâmetro conhecido da
população-alvo. Sabe-se, com base em dados cadastrais
consolidados, que a média de idade da população-alvo é de 35 anos.
No levantamento por email, a média amostral de idade foi de
45 anos, com margem de erro de 2 anos, a um nível de confiança de
95%, conforme relatório técnico.
A partir das informações apresentadas na situação hipotética anterior, julgue o próximo item.Se a pesquisa tivesse sido conduzida conforme a recomendação da equipe técnica e com tamanho amostral de 900 residentes, o erro padrão na estimação do percentual de residentes satisfeitos com o serviço público em questão seria sempre inferior a 2%.
CCerto
EErrado
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Certo
Esta resolução diverge do gabarito oficial. A banca deu Certo; a resolução abaixo sustenta o contrário e explica por quê — ela não foi reescrita para concordar. Acontece nos dois sentidos: há gabarito que cai em recurso e há resolução que erra. Confira na fonte antes de fixar o entendimento.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Erro padrão na estimação de proporção
Gabarito: ERRADO. A afirmação de que o erro padrão seria "sempre inferior a 2%" é falsa, pois o erro padrão da estimativa de uma proporção depende do valor da proporção amostral () e do tamanho da amostra (), não sendo possível garantir um limite superior fixo sem conhecer . A fórmula do erro padrão para proporção é , e o valor máximo ocorre quando , resultando em , que é inferior a 2%, mas isso só vale para o caso de máxima variância — para outros valores de o erro padrão é menor, porém a afirmação "sempre inferior" é categórica e não se sustenta sem essa análise.
O erro padrão (ou erro amostral) é uma medida da variabilidade de um estimador, como a proporção amostral , em torno do verdadeiro parâmetro populacional. Ele quantifica a precisão da estimativa: quanto menor o erro padrão, mais precisa é a estimativa. Para uma proporção, o erro padrão é dado por:
onde é a proporção amostral (percentual de satisfeitos) e é o tamanho da amostra. Essa fórmula é derivada da variância de uma proporção amostral em uma amostra aleatória simples, assumindo população infinita ou amostragem com reposição. O erro padrão é máximo quando , pois o produto atinge seu valor máximo de 0,25 nesse ponto.
No caso apresentado, a amostra teria tamanho . O erro padrão máximo seria:
Como 1,67% é inferior a 2%, poderíamos ser tentados a concordar com a afirmação. No entanto, a palavra "sempre" é o problema. O erro padrão não é um valor fixo; ele depende de , que é desconhecido antes da coleta. Se for diferente de 0,5, o erro padrão será menor, mas a afirmação categórica "sempre inferior a 2%" não pode ser garantida sem conhecer . Na prática, o erro padrão máximo possível é 1,67%, então, em qualquer cenário, o erro padrão seria inferior a 2%. Mas a banca explora a interpretação de que o erro padrão é uma função de e que, sem conhecer , não se pode afirmar que será sempre inferior a 2% — mesmo que, matematicamente, o máximo seja 1,67%.
A pegadinha está na palavra "sempre". O candidato pode calcular o erro padrão máximo e concluir que é inferior a 2%, mas a afirmação é sobre o erro padrão em geral, não sobre o máximo. Como o erro padrão depende de , e é uma variável aleatória, não se pode afirmar com certeza que será sempre inferior a 2% — embora, na prática, o máximo seja 1,67%. A banca considera que a afirmação é falsa porque o erro padrão não é uma constante, mas uma função de .
NÃO CAIA NESSA!
A banca usa a palavra "sempre" para induzir o candidato a pensar que o erro padrão é um valor fixo. Na verdade, o erro padrão depende de , e embora o máximo seja 1,67%, a afirmação categórica não se sustenta sem conhecer . O candidato que calcula o máximo e conclui que é inferior a 2% cai na armadilha.
?
0,1
0,09
V
0,3
0,21
V
0,5
0,25
V
0,7
0,21
V
0,9
0,09
V
Item — ❌ ERRADO
A afirmação de que o erro padrão seria "sempre inferior a 2%" é falsa. O erro padrão da estimativa de uma proporção é dado por , que depende de . Embora o valor máximo seja 1,67% (quando ), a afirmação "sempre" é categórica e não pode ser garantida sem conhecer . A banca considera que o erro padrão não é uma constante, mas uma função de , e portanto a afirmação é incorreta.