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Questão de Química — Relações da Química com as Tecnologias, a Sociedade e o Meio Ambiente — CESPE / CEBRASPE 2026

QuímicaRelações da Química com as Tecnologias, a Sociedade e o Meio Ambiente
Código
ce226226
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
IPAAM
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Analista Ambiental – Especialidade: Química
Em um parque ambiental, vários cervos foram encontrados mortos perto de postes de cerca tratados com um herbicida à base de arsênio. Suspeitou‑se que o arsênio do produto químico tivesse contaminado o ambiente e entrado na cadeia alimentar dos animais.Considerando a análise ambiental de arsênio na situação precedente, assinale a opção correta.
  1. AA análise ambiental de arsênio visa identificar a forma química de arsênio que está presente no ambiente, sem necessidade de medir quanto arsênio existe em cada parte (água, solo, ar ou organismos).
  2. BComo o arsênio é um elemento natural, sua presença no ambiente não precisa ser quantificada, bastando se confirmar qualitativamente que ele está presente nas amostras.
  3. CPara confirmar a contaminação ambiental por arsênio, é suficiente medir a concentração do elemento no herbicida aplicado aos postes, sem necessidade de analisar solo, água ou organismos vivos.
  4. DEm estudos ambientais, a análise de arsênio é feita apenas em água, pois o elemento não se acumula em solos, plantas ou animais.
  5. EA investigação ambiental deve incluir a determinação quantitativa de arsênio em diferentes matrizes, usando métodos analíticos adequados e etapas de preparação de amostra que permitam comparar as concentrações encontradas com valores de background.
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GabaritoE — A investigação ambiental deve incluir a determinação quantitativa de arsênio em diferentes matrizes, usando métodos analíticos adequados e etapas de preparação de amostra que permitam comparar as concentrações encontradas com valores de background.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise ambiental de arsênio: quantificação em múltiplas matrizes

Gabarito: letra E. A investigação ambiental de contaminação por arsênio exige a determinação quantitativa do elemento em diferentes matrizes (água, solo, ar e organismos), com métodos analíticos adequados e preparo de amostra, para que as concentrações encontradas possam ser comparadas com os valores de background (concentrações naturais de referência). As demais alternativas erram ao sugerir que basta a identificação qualitativa, que a análise se restringe a uma única matriz ou que a medição no produto aplicado é suficiente.

A análise ambiental de um contaminante como o arsênio não é um simples teste de presença ou ausência. Ela é um processo investigativo que busca responder a três perguntas fundamentais: (1) quanto existe do elemento em cada compartimento ambiental (quantificação); (2) em que forma química ele se encontra (especiação — arsênio inorgânico As(III) e As(V) é mais tóxico que as formas orgânicas como arsenobetaína); e (3) de onde veio — se da fonte natural (background) ou de uma contaminação antropogênica. A letra E captura exatamente essa lógica: sem quantificar em múltiplas matrizes e sem comparar com os valores naturais de referência, não é possível afirmar que houve contaminação nem avaliar o risco real para a fauna e a flora.

O conceito de valor de background é central. Todo elemento químico ocorre naturalmente no ambiente em concentrações variáveis — o arsênio, por exemplo, está presente em rochas, solos e águas subterrâneas em níveis que dependem da geologia local. A contaminação só pode ser caracterizada quando as concentrações medidas excedem significativamente esses níveis naturais. Por isso, a análise ambiental não se resume a "achar arsênio" — é preciso medir quanto há e comparar com a referência para distinguir o natural do antropogênico. É essa comparação que permite, no caso dos cervos, correlacionar a morte dos animais com o herbicida aplicado nos postes.

Na prática, um estudo como o do enunciado seguiria etapas bem definidas: coleta de amostras de solo ao redor dos postes, de água de superfície e subterrânea, de vegetação (que pode acumular o elemento por absorção radicular) e de tecidos dos animais mortos (fígado, rim, sangue). Cada matriz exige um preparo de amostra específico — digestão ácida para solo e tecidos, filtração e preservação para água — e um método analítico adequado à concentração esperada, como espectrometria de absorção atômica (AAS), espectrometria de emissão óptica com plasma indutivamente acoplado (ICP-OES) ou espectrometria de massas com plasma indutivamente acoplado (ICP-MS). Os resultados são então comparados com os valores de background da região e com limites regulatórios, como os estabelecidos pela Resolução CONAMA 420/2009 para solos e pela Portaria de Potabilidade do Ministério da Saúde para água.

A pegadinha que a banca explora nesta questão é a tentação de simplificar a análise ambiental: o candidato pode achar que "confirmar a presença" do arsênio já é suficiente, ou que medir no herbicida aplicado resolve o problema. Mas a ciência ambiental exige rigor quantitativo e abrangência de matrizes — é isso que permite estabelecer o nexo causal entre a fonte (herbicida), o transporte (solo, água) e o efeito (morte dos cervos). Guarde esse critério: análise ambiental = quantificação + múltiplas matrizes + comparação com background. É exatamente nele que as alternativas se dividem.

  1. 1Coleta de amostras (multimatriz)
  2. 2Preparo de amostra específico
  3. 3Método analítico adequado
  4. 4Quantificação (medir quanto)
  5. 5Comparação com background
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a análise visa identificar a forma química "sem necessidade de medir quanto arsênio existe". Erra ao descartar a quantificação, que é o coração da análise ambiental. A especiação (identificar a forma química) é importante porque a toxicidade varia com a espécie química — arsênio inorgânico é mais tóxico que o orgânico —, mas ela complementa a determinação quantitativa, não a substitui. Sem medir as concentrações, não há como avaliar risco, comparar com limites legais ou com valores de background.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Sustenta que, por ser um elemento natural, o arsênio "não precisa ser quantificado, bastando confirmar qualitativamente". É o erro inverso da letra A: confunde presença com contaminação. O fato de o arsênio ser natural não o torna inofensivo — a toxicidade depende da dose (concentração) e da forma química. A confirmação qualitativa ("tem arsênio") não distingue o nível natural do nível contaminado; só a quantificação permite essa distinção e a avaliação do risco real para os animais.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Propõe que basta medir a concentração no herbicida aplicado aos postes, "sem necessidade de analisar solo, água ou organismos vivos". Erra ao ignorar o transporte e a exposição. Medir o herbicida confirma a fonte potencial, mas não diz nada sobre quanto arsênio efetivamente migrou para o ambiente, em que concentração chegou aos cervos e se houve bioacumulação na cadeia alimentar. A análise das matrizes ambientais e biológicas é indispensável para estabelecer o nexo causal entre a fonte e a morte dos animais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a análise é feita "apenas em água, pois o elemento não se acumula em solos, plantas ou animais". Duplo erro: (1) o arsênio se acumula em solos (adsorção em óxidos de ferro e manganês, matéria orgânica) e entra na cadeia alimentar por absorção radicular em plantas e ingestão por herbívoros — é exatamente o que o enunciado sugere; (2) a análise restrita à água deixaria de fora os compartimentos onde o elemento pode estar mais concentrado e onde a exposição dos animais ocorre. A investigação ambiental é multimatriz por natureza.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve com precisão o que é uma investigação ambiental de contaminação: determinação quantitativa (medir quanto) em diferentes matrizes (água, solo, ar, organismos), usando métodos analíticos adequados (sensíveis e seletivos) e etapas de preparação de amostra (digestão, extração, concentração) que permitam comparar as concentrações com valores de background. É exatamente esse protocolo que permite distinguir a contaminação antropogênica do arsênio natural e estabelecer o vínculo entre o herbicida e a morte dos cervos.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de análise ambiental, desconfie de alternativas que proponham simplificações — "basta confirmar presença", "apenas em água", "só no produto aplicado". A investigação séria é sempre quantitativa, multimatriz e comparada com background. Se a alternativa mencionar "valores de background" ou "concentrações naturais de referência", ela quase sempre é a correta — esse é o conceito que separa o especialista do leigo.

Gabarito: letra E

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