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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce226362
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
IPAAM
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Assistente Ambiental – Especialidade: Assistência Ambiental
Texto CG2A1


    A relação entre cientistas e jornalistas, por vezes, é marcada por certa tensão. De um lado, pesquisadores temerosos de que os resultados dos seus estudos, desenvolvidos com rigor durante anos, sejam simplificados demais ou distorcidos. De outro, comunicadores — que têm espaço e tempo limitados para a produção e veiculação das notícias — diante de novos conhecimentos e terminologias difíceis, buscando transmitir conceitos e informações corretas e em uma linguagem de fácil entendimento.

    “A linguagem da academia deve ser, por definição, universal. Entretanto, os artigos científicos são, muitas vezes, impenetráveis. Precisamos nos responsabilizar como atores desse processo de comunicação universal. É nosso dever como cientistas ter forte interlocução com jornalistas. Temos a responsabilidade de fazer uma parte do caminho para que a sociedade possa ter conhecimento da ciência produzida na academia”, enfatizou o pró-reitor de Pesquisa e Inovação da USP.

    O pró-reitor destacou também que a redação científica e a comunicação oral não precisam ser enfadonhas. Correlacionando como ciência e cultura se conectam e se realimentam, o professor assinalou que “apresentar um novo conhecimento usando referências culturais pode fazer a diferença para propagar e tornar memoráveis as ideias da ciência”. 

    Um exemplo mencionado por ele foi a comunicação dos resultados de pesquisas sobre resfriamento de átomos por luz laser por dois grupos distintos. O grupo dos Estados Unidos da América (EUA) utilizou um método matemático, enquanto o grupo francês apresentou uma imagem física que representava o movimento dos átomos subindo e descendo colinas de potencial. “Para denominar esse processo, o grupo francês fez referência a Sísifo, da mitologia grega, que foi condenado a rolar uma rocha montanha acima e, a cada vez que chegava ao topo, a rocha caía e ele precisava começar tudo de novo. Essa conexão de um mecanismo físico com uma imagem cultural levou a uma perenização do conhecimento, e hoje toda a comunidade se refere a esse mecanismo como resfriamento Sísifo”, ilustra.

    Para a diretora da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP, a divulgação científica é uma responsabilidade essencial de todos aqueles que fazem pesquisa em uma universidade pública. “Produzimos conhecimento que só cumpre plenamente seu papel quando chega à sociedade de forma acessível, contextualizada e correta, e o diálogo com profissionais de comunicação bem-preparados e interessados em compreender o rigor científico nos ajuda a traduzir achados complexos em informações úteis para o público”, avalia a professora.


Tiago Rodella. Colaboração entre pesquisadores e comunicadores fortalece a divulgação científica. In: Jornal da USP, 14/11/2025 (com adaptações).
No último período do quarto parágrafo do texto CG2A1, o termo 'perenização' tem o mesmo sentido de
  1. Aestagnação.
  2. Bperpetuação.
  3. Cefemeridade.
  4. Dprecarização.
  5. Eprovisoriedade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — perpetuação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Significado de 'perenização' no texto

Gabarito: letra B. O termo 'perenização' significa perpetuação, pois no texto ele é usado para indicar que o conhecimento se tornou duradouro e permanente, sendo adotado pela comunidade científica até hoje.

Análise do trecho

"Essa conexão de um mecanismo físico com uma imagem cultural levou a uma perenização do conhecimento, e hoje toda a comunidade se refere a esse mecanismo como resfriamento Sísifo."

A palavra 'perenização' deriva de 'perene' (que dura, que se conserva). No contexto, a associação com a mitologia grega (Sísifo) fez com que o conhecimento sobre o resfriamento de átomos se perpetuasse, tornando-se memorável e referência duradoura. A prova está na consequência: "hoje toda a comunidade se refere a esse mecanismo como resfriamento Sísifo" — se o conhecimento é usado até hoje, ele não é efêmero, provisório, precário ou estagnado; ele se perpetuou.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito (antônimo). 'Estagnação' significa paralisação, falta de movimento. O texto fala justamente do contrário: o conhecimento se propagou e se fixou. Não há sentido de estagnação.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

'Perpetuação' é a manutenção contínua de algo no tempo, exatamente o que o texto descreve: a conexão cultural fez o conhecimento durar e ser usado pela comunidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito (antônimo). 'Efemeridade' é algo passageiro, de curta duração. O texto mostra o oposto: o conhecimento se tornou perene.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito (sentido diferente). 'Precarização' significa tornar precário, de má qualidade. O texto não aborda qualidade, mas durabilidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito (antônimo). 'Provisoriedade' é caráter temporário, provisório. O texto indica permanência.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar palavras desconhecidas, analise o contexto imediato e as consequências descritas no texto. Pergunte-se: "qual o efeito disso no restante do parágrafo?" Aqui, a consequência é que o conhecimento ainda é usado — isso aponta para

perenidade, não para algo passageiro.

Gabarito: letra B.

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