A relação entre cientistas e jornalistas, por vezes, é
marcada por certa tensão. De um lado, pesquisadores temerosos
de que os resultados dos seus estudos, desenvolvidos com rigor
durante anos, sejam simplificados demais ou distorcidos.
De outro, comunicadores — que têm espaço e tempo limitados
para a produção e veiculação das notícias — diante de novos
conhecimentos e terminologias difíceis, buscando transmitir
conceitos e informações corretas e em uma linguagem de fácil
entendimento.
“A linguagem da academia deve ser, por definição,
universal. Entretanto, os artigos científicos são, muitas vezes,
impenetráveis. Precisamos nos responsabilizar como atores desse
processo de comunicação universal. É nosso dever como
cientistas ter forte interlocução com jornalistas. Temos a
responsabilidade de fazer uma parte do caminho para que a
sociedade possa ter conhecimento da ciência produzida na
academia”, enfatizou o pró-reitor de Pesquisa e Inovação da USP.
O pró-reitor destacou também que a redação científica e a
comunicação oral não precisam ser enfadonhas. Correlacionando
como ciência e cultura se conectam e se realimentam, o professor
assinalou que “apresentar um novo conhecimento usando
referências culturais pode fazer a diferença para propagar e tornar
memoráveis as ideias da ciência”.
Um exemplo mencionado por ele foi a comunicação dos
resultados de pesquisas sobre resfriamento de átomos por luz
laser por dois grupos distintos. O grupo dos Estados Unidos da
América (EUA) utilizou um método matemático, enquanto o
grupo francês apresentou uma imagem física que representava o
movimento dos átomos subindo e descendo colinas de potencial.
“Para denominar esse processo, o grupo francês fez referência a
Sísifo, da mitologia grega, que foi condenado a rolar uma rocha
montanha acima e, a cada vez que chegava ao topo, a rocha caía e
ele precisava começar tudo de novo. Essa conexão de um
mecanismo físico com uma imagem cultural levou a uma
perenização do conhecimento, e hoje toda a comunidade se refere
a esse mecanismo como resfriamento Sísifo”, ilustra.
Para a diretora da Faculdade de Odontologia de Bauru da
USP, a divulgação científica é uma responsabilidade essencial de
todos aqueles que fazem pesquisa em uma universidade pública.
“Produzimos conhecimento que só cumpre plenamente seu papel
quando chega à sociedade de forma acessível, contextualizada e
correta, e o diálogo com profissionais de comunicação
bem-preparados e interessados em compreender o rigor científico
nos ajuda a traduzir achados complexos em informações úteis
para o público”, avalia a professora.
Tiago Rodella. Colaboração entre pesquisadores e comunicadores fortalece a divulgação científica.
In: Jornal da USP, 14/11/2025 (com adaptações).
Assinale a opção em que o trecho destacado do texto CG2A1 pode ser corretamente considerado uma síntese do tema central desse texto.
A'os artigos científicos são, muitas vezes, impenetráveis.' (segundo período do segundo parágrafo)
B“a redação científica e a comunicação oral não precisam ser enfadonhas” (primeiro período do terceiro parágrafo)
C“a divulgação científica é uma responsabilidade essencial de todos aqueles que fazem pesquisa em uma universidade pública” (primeiro período do último parágrafo)
D“A relação entre cientistas e jornalistas, por vezes, é marcada por certa tensão.” (primeiro período do primeiro parágrafo)
E'A linguagem da academia deve ser, por definição, universal.' (primeiro período do segundo parágrafo)
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GabaritoE — 'A linguagem da academia deve ser, por definição, universal.' (primeiro período do segundo parágrafo)
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Síntese do tema central no texto CG2A1
Gabarito: letra E. A alternativa E — "A linguagem da academia deve ser, por definição, universal." — sintetiza o tema central do texto: a necessidade de a ciência se comunicar de forma acessível à sociedade, o que exige que cientistas e jornalistas colaborem para superar a tensão inicial e tornar o conhecimento universal.
Análise do tema central
O texto discute a relação entre cientistas e jornalistas, marcada por tensão, mas argumenta que os pesquisadores têm a responsabilidade de fazer sua parte para que a sociedade entenda a ciência. A fala do pró-reitor, que contém o trecho da alternativa E, é o eixo central: "A linguagem da academia deve ser, por definição, universal. Entretanto, os artigos científicos são, muitas vezes, impenetráveis. Precisamos nos responsabilizar como atores desse processo de comunicação universal." Isso demonstra que a universalidade da linguagem acadêmica é o princípio norteador, e a partir dele se desdobram os exemplos e argumentos.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"os artigos científicos são, muitas vezes, impenetráveis."
Este trecho expõe um problema pontual, não a síntese do tema. O texto avança além desse diagnóstico, propondo soluções (parceria com jornalistas, uso de referências culturais). Erro: reduz o tema a uma dificuldade específica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"a redação científica e a comunicação oral não precisam ser enfadonhas"
É um conselho sobre estilo, parte do argumento, mas não abarca a responsabilidade de comunicação universal. Erro: foca no aspecto estilístico, omitindo o dever de tornar a ciência acessível.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"a divulgação científica é uma responsabilidade essencial de todos aqueles que fazem pesquisa em uma universidade pública"
Essa fala da diretora reforça a responsabilidade dos pesquisadores, mas restringe o tema às universidades públicas, enquanto o texto trata da ciência em geral (exemplo do grupo francês e americano, sem vínculo com universidade pública). Erro: limita o alcance do tema central.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"A relação entre cientistas e jornalistas, por vezes, é marcada por certa tensão."
É a frase de abertura, que introduz o problema, mas não sintetiza a tese. O texto propõe superar essa tensão por meio da colaboração e da responsabilidade dos cientistas. Erro: apresenta apenas o ponto de partida, não a ideia principal.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
'A linguagem da academia deve ser, por definição, universal.'
Esse trecho é a tese central defendida pelo autor, apoiada pelo pró-reitor. A partir dela, o texto desenvolve a necessidade de os cientistas se fazerem entender, usando exemplos (resfriamento Sísifo) e concluindo com a responsabilidade da divulgação científica. Justificativa: é o princípio que unifica todas as partes do texto.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar o tema central, busque a frase que expressa a tese – o que o autor quer defender. Normalmente aparece na introdução ou conclusão de parágrafos argumentativos. Aqui, a tese está no segundo parágrafo, na fala do pró-reitor.