Pular para o conteúdo principal

Questão de Química — Equilíbrio Químico — CESPE / CEBRASPE 2026

QuímicaEquilíbrio Químico
Código
ce227095
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEDUC-PI
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Professor da Educação Básica - Disciplina: Química
Um professor pretende trabalhar o conceito de equilíbrio químico em solução aquosa, enfatizando a natureza dinâmica do equilíbrio e a relação entre a expressão da constante de equilíbrio e a interpretação molecular do processo. Ele dispõe dos seguintes recursos didáticos para uso em sala de aula:• animações digitais que simulam colisões moleculares em tempo real;• gráficos impressos de concentração × tempo;• representações simbólicas de equações químicas e respectivas expressões de Kc;• esferas coloridas para representar reagentes e produtos em um modelo físico manipulável;• problemas contextualizados envolvendo equilíbrio ácido-base em sistemas biológicos.Considerando a situação hipotética apresentada, a construção do conhecimento químico e o uso crítico de recursos didáticos, uma estratégia epistemologicamente consistente com os objetivos educacionais do professor seria
  1. Atrabalhar com problemas contextualizados de sistemas biológicos, evitando-se o uso de modelos e representações abstratas para manter o conteúdo próximo da realidade dos estudantes.
  2. Biniciar pela apresentação formal da expressão matemática da constante de equilíbrio (Kc), seguida da resolução de exercícios algorítmicos, utilizando-se os demais recursos apenas como ilustração complementar ao final da explicação.
  3. Carticular progressivamente as representações macroscópica (problema contextualizado), simbólica (equação e expressão de Kc), gráfica (concentração × tempo) e submicroscópica (animação e modelo físico), promovendo-se comparação entre elas e discutindo seus limites explicativos.
  4. Dpriorizar o modelo físico manipulável, pois a visualização concreta elimina a necessidade de formalização matemática da constante de equilíbrio.
  5. Eutilizar a animação digital como recurso central e substituir integralmente as representações simbólica e gráfica, evitando-se formalizações matemáticas que possam gerar abstração excessiva.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — articular progressivamente as representações macroscópica (problema contextualizado), simbólica (equação e expressão de Kc), gráfica (concentração × tempo) e submicroscópica (animação e modelo físico), promovendo-se comparação entre elas e discutindo seus limites explicativos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ensino de equilíbrio químico: articulação de representações

Gabarito: letra C. A estratégia epistemologicamente consistente é articular progressivamente as representações macroscópica, simbólica, gráfica e submicroscópica, promovendo comparações e discutindo seus limites — exatamente o que a alternativa C descreve. Essa abordagem se alinha à literatura de ensino de ciências, que recomenda o trânsito entre os três níveis de representação (macroscópico, submicroscópico e simbólico) para a construção do conhecimento químico.

O equilíbrio químico é um conceito central da Química, definido como a condição em que as velocidades das reações direta e inversa se igualam, mantendo constantes as concentrações de reagentes e produtos ao longo do tempo, desde que não haja perturbações. A natureza dinâmica do equilíbrio — as reações continuam ocorrendo, mas em velocidades iguais — é um dos pontos mais difíceis para os estudantes, pois contraria a intuição de que "equilíbrio" significa "parado". Para superar essa dificuldade, o professor precisa lançar mão de múltiplas representações que se complementam: a macroscópica (o que se observa, como a cor de uma solução), a submicroscópica (o que ocorre entre as partículas, como colisões moleculares) e a simbólica (a equação química e a expressão de Kc).

A literatura de ensino de Química (como os Parâmetros Curriculares Nacionais e a BNCC) enfatiza que o aprendizado significativo ocorre quando o aluno transita entre esses níveis, compreendendo que cada representação tem potencialidades e limitações. Por exemplo, a animação digital que simula colisões moleculares ajuda a visualizar a dinamicidade do equilíbrio, mas não substitui a expressão matemática de Kc, que quantifica a relação entre as concentrações. O gráfico de concentração × tempo mostra a constância das concentrações no equilíbrio, mas não explica por que isso ocorre. O modelo físico com esferas coloridas torna concreto o rearranjo de átomos, mas pode induzir a ideia de que as partículas são estáticas. Já o problema contextualizado (como o equilíbrio ácido-base no sangue) dá significado ao conceito, mas não prescinde da formalização.

A alternativa C captura exatamente essa articulação progressiva: partir do macroscópico (problema contextualizado), passar pelo simbólico (equação e Kc), pelo gráfico (concentração × tempo) e chegar ao submicroscópico (animação e modelo físico), sempre comparando as representações e discutindo seus limites. Essa é a abordagem defendida por pesquisadores como Johnstone, que propôs o triângulo representacional da Química, e por autores como Mortimer e Machado, que destacam a importância de múltiplas representações no ensino de ciências.

A pegadinha da questão está em alternativas que propõem o uso exclusivo de um recurso (como a animação ou o modelo físico) ou a hierarquização rígida (como começar pela formalização matemática). Nenhuma delas é epistemologicamente consistente, pois o conhecimento químico exige a integração de diferentes níveis de representação. Guarde esse critério: a estratégia correta é a que articula, compara e discute limites — não a que prioriza ou elimina representações.

RepresentaçõesRecursos didáticos454LEVELsoulevel.com.br
Recursos didáticos no ensino de equilíbrio químico — só Representações: 4; só Recursos didáticos: 5; Representações∩Recursos didáticos: 4

Alternativa A — ❌ Incorreta

Evitar modelos e representações abstratas empobrece o ensino, pois a Química lida intrinsecamente com entidades submicroscópicas (átomos, moléculas, íons) que não são diretamente observáveis. O modelo físico e a animação são justamente ferramentas para tornar essas entidades compreensíveis. Além disso, a expressão de Kc é uma representação simbólica essencial para quantificar o equilíbrio; eliminá-la impediria o aluno de compreender a relação entre concentrações. A alternativa confunde "proximidade com a realidade" com "ausência de abstração", quando o ideal é transitar entre os níveis.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Iniciar pela formalização matemática de Kc e só depois usar os demais recursos como ilustração inverte a sequência recomendada. A literatura de ensino sugere partir do concreto (macroscópico) para o abstrato (simbólico), e não o contrário. Além disso, tratar os recursos como "ilustração complementar ao final" desvaloriza seu papel na construção do conceito: a animação e o modelo físico são fundamentais para compreender a natureza dinâmica do equilíbrio, que a expressão matemática não transmite. A alternativa reflete uma visão tradicional de ensino, centrada na transmissão de fórmulas, que não é consistente com os objetivos de desenvolver a interpretação molecular.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve a articulação progressiva das quatro representações — macroscópica (problema contextualizado), simbólica (equação e Kc), gráfica (concentração × tempo) e submicroscópica (animação e modelo físico) — e acrescenta dois elementos-chave: a comparação entre elas e a discussão de seus limites explicativos. Essa é a abordagem epistemologicamente consistente, pois reconhece que cada representação oferece uma perspectiva parcial e que a compreensão plena do equilíbrio químico exige a integração de todas. A comparação permite ao aluno perceber, por exemplo, que o gráfico mostra a constância das concentrações, mas é a animação que explica por que isso ocorre (velocidades iguais). Discutir limites evita que o aluno superestime uma representação em detrimento das outras.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Priorizar o modelo físico manipulável e afirmar que ele "elimina a necessidade de formalização matemática" é um erro duplo. Primeiro, o modelo físico é uma analogia que tem limites — as esferas coloridas não representam a dinamicidade real das colisões nem a variação contínua das concentrações. Segundo, a formalização matemática de Kc é indispensável para quantificar o equilíbrio e para resolver problemas (como calcular concentrações no equilíbrio). O modelo físico é um recurso valioso, mas não substitui a expressão simbólica; ele deve ser usado em conjunto com as demais representações.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Substituir integralmente as representações simbólica e gráfica pela animação digital é um reducionismo. A animação é excelente para mostrar a dinamicidade do equilíbrio, mas não transmite a relação quantitativa expressa por Kc, nem a evolução temporal das concentrações que o gráfico evidencia. Além disso, "evitar formalizações matemáticas que possam gerar abstração excessiva" é um equívoco: a abstração é inerente à Química, e o papel do professor é ajudar o aluno a lidar com ela, não evitá-la. A alternativa confunde o uso de um recurso como apoio com a substituição de outros, o que empobrece o ensino.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/ce227095