Questão de Administração Pública — Modelos teóricos de Administração Pública — CESPE / CEBRASPE 2026
Administração Pública›Modelos teóricos de Administração Pública
Código
ce227542
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEFAZ-PR
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Agente Fazendário Estadual (Todos os Cargos)
Os modelos presentes na administração pública brasileira são classificados como: patrimonialista, burocrático, gerencialista e societal. Esses modelos representam cada qual um determinado período histórico. No entanto, tem sido debatido que não houve uma sobreposição exclusiva dos novos modelos sobre os anteriores, de modo que características de todos os modelos podem ser encontradas na administração pública atual.Alexandre M. Drumond et al. Internet: <scielo.br> (com adaptações).A respeito dos modelos de administração pública no Brasil, assinale a opção correta.
AOs três modelos de administração pública — patrimonialista, burocrático e gerencial — são sucessivos no tempo, tendo o modelo mais recente substituído e suprimido todos os aspectos dos modelos precedentes.
BA administração pública gerencial representou uma ruptura total com o modelo burocrático, tendo descartado todos os princípios deste, inclusive a constituição de um sistema estruturado de remuneração.
CDiferentemente da administração pública burocrática, a administração pública gerencial caracteriza-se pela rigorosa profissionalização e pela ênfase no controle concentrado dos processos.
DA administração pública burocrática, embora tenha promovido efetividade no controle de abusos, revelou-se autorreferenciada e ineficiente no atendimento à sociedade.
EA administração pública patrimonialista surgiu no século XIX como forma de defender a res publicae e combater a corrupção e o nepotismo, identificando-se com a noção de poder racional-legal.
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GabaritoD — A administração pública burocrática, embora tenha promovido efetividade no controle de abusos, revelou-se autorreferenciada e ineficiente no atendimento à sociedade.
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Modelos de Administração Pública no Brasil
Gabarito: letra D. A administração pública burocrática, embora tenha promovido efetividade no controle de abusos (em relação ao patrimonialismo), tornou-se autorreferenciada e ineficiente no atendimento à sociedade, conforme críticas clássicas ao modelo. As demais alternativas apresentam equívocos sobre a sucessão dos modelos, as características de cada um e o contexto histórico.
Modelo de Administração Pública
Características Principais
Críticas / Limitações
Relação com Outros Modelos
Patrimonialista
Confusão entre público e privado; nepotismo; corrupção; poder pessoal.
Ineficiência; falta de impessoalidade; ausência de controle racional.
Características persistem na atualidade, apesar de não ser o modelo predominante.
Burocrático
Profissionalização; impessoalidade; hierarquia; controle de processos; combate ao nepotismo e à corrupção.
Autorreferenciado; ineficiente no atendimento à sociedade; rigidez excessiva.
Ainda aplicado no núcleo estratégico do Estado e em muitas organizações públicas.
Gerencial
Foco em resultados; descentralização; autonomia gerencial; controle por resultados; eficiência.
Não descartou totalmente a burocracia; manteve profissionalização e estrutura de cargos.
É o modelo vigente, mas não suprimiu totalmente os anteriores.
Modelo mais recente e em construção; busca superar limitações dos modelos anteriores.
Busca incorporar e superar aspectos dos modelos anteriores.
Modelos de Administração Pública: Patrimonialista (Confusão entre público e privado, Nepotismo e corrupção); Burocrático (Controle de abusos, Autorreferenciado, Ineficiente para a sociedade); Gerencial (Foco em resultados, Descentralização, Autonomia gerencial); Societal (Participação popular, Controle social)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que os três modelos são sucessivos e que o mais recente substitui e suprime totalmente os anteriores. O conteúdo de apoio (texto sobre modelos teóricos) esclarece que, embora haja predominância de um modelo em cada época, características dos modelos anteriores persistem: "a administração gerencial é o modelo vigente; a administração burocrática ainda é aplicada no núcleo estratégico do Estado e em muitas organizações públicas; e persistem traços/práticas patrimonialistas de administração nos dias atuais." Portanto, não há supressão total.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a administração pública gerencial representou uma ruptura total com o modelo burocrático, descartando todos os seus princípios, inclusive a constituição de um sistema estruturado de remuneração. O modelo gerencial, na verdade, manteve alguns aspectos da burocracia (como a profissionalização) e introduziu flexibilidade focada em resultados, mas não descartou a estrutura de cargos e salários. A afirmação de "ruptura total" é exagerada e incorreta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Atribui ao modelo gerencial características de "rigorosa profissionalização" e "ênfase no controle concentrado dos processos". A rigorosa profissionalização é mais típica do modelo burocrático; o gerencial valoriza a descentralização, o controle por resultados e a autonomia gerencial. O controle concentrado dos processos é característica burocrática, não gerencial.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente o modelo burocrático: trouxe efetividade no controle de abusos (combate ao nepotismo e corrupção do patrimonialismo), mas tornou-se autorreferenciado (foco excessivo em normas e processos) e ineficiente no atendimento ao cidadão, gerando a crítica que motivou a reforma gerencial. Essa é uma visão consolidada na literatura.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra ao situar o patrimonialismo no século XIX como defensor da res publica e identificado com o poder racional-legal. O patrimonialismo é anterior (monarquias absolutas) e caracteriza-se pela confusão entre público e privado, corrupção e nepotismo, sem separação entre patrimônio público e pessoal do governante. O poder racional-legal é próprio do modelo burocrático weberiano.