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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce227570
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEFAZ-PR
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Agente Fazendário Estadual (Todos os Cargos)
Texto CG1A1-II


    O ser humano é um paradoxo. Nós somos um paradoxo porque somos animais capazes de refletir sobre o tempo e entender que temos uma dimensão finita neste planeta. Nós somos criaturas que nascemos, crescemos e, finalmente, morremos. Mas também somos capazes de ver um ciclo no qual a própria natureza repete essa ordem. Toda forma de vida repete essa fórmula: nascer, crescer e, finalmente, morrer, ou seja, existe um ponto de criação e de destruição no universo e nós somos partes desse ciclo. Portanto, uma das grandes indagações do espírito humano é tentar compreender de onde nós viemos: por que nós estamos aqui? Qual é o sentido da nossa existência? Nós somos os únicos animais capazes de formular esse tipo de pergunta.

   Uma das lições que aprendemos com a ciência moderna, que julgo ser essencial, porém pouco discutida, é a da exclusividade do ser humano no universo. Dito isto, posso assegurar que não há outro ser humano no universo, ou seja, é impossível que, entre a vasta existência dos planetas que existem no universo, possa ter havido outro planeta que tenha tido uma evolução e uma história similar à do planeta Terra — com mais de 4,5 bilhões de anos — e que tenha forjado a emergência de outra espécie primata semelhante à nossa. Desta forma, aquilo a que me refiro é algo muito importante, isto é, apenas a nossa espécie existe como ser humano. Ainda que haja outros seres extraterrestres bípedes e com uma simetria bilateral, eles não serão humanos, eles serão diferentes, porque a história da vida, em cada planeta, reflete a história da vida daquele planeta.


Marcelo Gleiser. In: À escuta do infinito: estamos mais perto de Deus?
Um encontro entre Marcelo Gleiser e Gianfranco Ravasi. Coordenador: Fabiano Incerti.
Tradução: Natan Marinho Junior. Curitiba: PUCPRESS, 2018, p. 15-16 (com adaptações).
Mantendo-se a correção gramatical e os sentidos do texto CG1A1-II, a oração “no qual a própria natureza repete essa ordem” (quarto período do primeiro parágrafo) poderia ser reescrita como
  1. Acuja própria natureza repete essa ordem.
  2. Bquando a própria natureza repete essa ordem.
  3. Cque a própria natureza repete essa ordem.
  4. Dem que a própria natureza repete essa ordem.
  5. Epelo qual a própria natureza repete essa ordem.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — em que a própria natureza repete essa ordem.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de oração com pronome relativo

Gabarito: letra D. A oração original "no qual a própria natureza repete essa ordem" refere-se ao termo "um ciclo" (lido no texto: "ver um ciclo no qual a própria natureza repete essa ordem"). O pronome relativo "no qual" equivale a "em que", indicando o lugar figurado ou o contexto em que a ação ocorre. A reescrita com "em que" mantém perfeita correção gramatical e o sentido original.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever uma oração com pronome relativo, identifique a preposição exigida pelo verbo (aqui, "repetir em") e a relação de sentido (lugar, tempo, instrumento, etc.).


Alternativa

Reescrita proposta

Motivo da correção/incorreção

Relação semântica

A

cuja própria natureza repete essa ordem.

❌ Incorreta – "cuja" indica posse, alterando o sentido original (natureza pertenceria ao ciclo).

Posse (inadequada)

B

quando a própria natureza repete essa ordem.

❌ Incorreta – "quando" é relativo temporal, mas o texto exige noção de lugar/contexto.

Tempo (inadequada)

C

que a própria natureza repete essa ordem.

❌ Incorreta – omite a preposição "em", necessária para manter o ciclo como local da repetição.

Objeto direto (inadequada)

D

em que a própria natureza repete essa ordem.

✅ Correta – "em que" equivale a "no qual", mantendo o sentido de lugar figurado/contexto.

Lugar/contexto (correta)

E

pelo qual a própria natureza repete essa ordem.

❌ Incorreta – "pelo qual" indica meio/causa, alterando a relação original.

Meio/causa (inadequada)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"cuja própria natureza repete essa ordem." O pronome "cuja" indica posse, o que altera a relação sintática e o sentido: passaria a ideia de que a natureza pertence ao ciclo, o que não está no texto. Além disso, a construção "cuja própria natureza" é estranha à norma culta. Erro: troca de conceito (posse por locação).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"quando a própria natureza repete essa ordem." "Quando" é advérbio relativo de tempo, mas no texto o ciclo é o lugar/contexto em que a repetição ocorre, não um momento. Erro: troca de noção semântica (tempo por espaço).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"que a própria natureza repete essa ordem." O pronome "que" sem preposição funciona como sujeito ou objeto direto; aqui, o antecedente "ciclo" seria interpretado como objeto direto do verbo "repetir", o que inverte a relação: o ciclo passaria a ser repetido pela natureza, e não o local da repetição. A preposição "em" é obrigatória para manter o sentido original. Erro: omissão da preposição necessária (incompletude estrutural).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"em que a própria natureza repete essa ordem." "Em que" é equivalente a "no qual", mantendo a relação de lugar figurado (o ciclo como contexto). A construção é gramatical e semanticamente idêntica à original.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"pelo qual a própria natureza repete essa ordem." "Pelo qual" equivale a "por + o qual", indicando meio ou causa. Isso altera o sentido: daria a entender que o ciclo é o instrumento pelo qual a natureza repete a ordem, o que não está no texto. Erro: troca de preposição que altera a relação semântica.

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