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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce227573
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEFAZ-PR
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Agente Fazendário Estadual (Todos os Cargos)
Texto CG1A1-II


    O ser humano é um paradoxo. Nós somos um paradoxo porque somos animais capazes de refletir sobre o tempo e entender que temos uma dimensão finita neste planeta. Nós somos criaturas que nascemos, crescemos e, finalmente, morremos. Mas também somos capazes de ver um ciclo no qual a própria natureza repete essa ordem. Toda forma de vida repete essa fórmula: nascer, crescer e, finalmente, morrer, ou seja, existe um ponto de criação e de destruição no universo e nós somos partes desse ciclo. Portanto, uma das grandes indagações do espírito humano é tentar compreender de onde nós viemos: por que nós estamos aqui? Qual é o sentido da nossa existência? Nós somos os únicos animais capazes de formular esse tipo de pergunta.

   Uma das lições que aprendemos com a ciência moderna, que julgo ser essencial, porém pouco discutida, é a da exclusividade do ser humano no universo. Dito isto, posso assegurar que não há outro ser humano no universo, ou seja, é impossível que, entre a vasta existência dos planetas que existem no universo, possa ter havido outro planeta que tenha tido uma evolução e uma história similar à do planeta Terra — com mais de 4,5 bilhões de anos — e que tenha forjado a emergência de outra espécie primata semelhante à nossa. Desta forma, aquilo a que me refiro é algo muito importante, isto é, apenas a nossa espécie existe como ser humano. Ainda que haja outros seres extraterrestres bípedes e com uma simetria bilateral, eles não serão humanos, eles serão diferentes, porque a história da vida, em cada planeta, reflete a história da vida daquele planeta.


Marcelo Gleiser. In: À escuta do infinito: estamos mais perto de Deus?
Um encontro entre Marcelo Gleiser e Gianfranco Ravasi. Coordenador: Fabiano Incerti.
Tradução: Natan Marinho Junior. Curitiba: PUCPRESS, 2018, p. 15-16 (com adaptações).
De acordo com as ideias veiculadas no texto CG1A1-II, o ser humano é um paradoxo porque é capaz de
  1. Areconhecer-se como animal e fazer indagações complexas.
  2. Bter consciência de que, embora único, faz parte de um universo maior
  3. Cter consciência de sua inconstância e enxergar a constância nas formas de vida do planeta.
  4. Drefletir sobre o tempo e entender a finitude da vida.
  5. Etestemunhar o ciclo da existência de si mesmo e de outras espécies.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — refletir sobre o tempo e entender a finitude da vida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O ser humano como paradoxo – compreensão direta do texto

Gabarito: letra D. A resposta está explícita no primeiro período do texto: "O ser humano é um paradoxo. Nós somos um paradoxo porque somos animais capazes de refletir sobre o tempo e entender que temos uma dimensão finita neste planeta." Logo, a alternativa D parafraseia fielmente essa passagem.

"Nós somos um paradoxo porque somos animais capazes de refletir sobre o tempo e entender que temos uma dimensão finita neste planeta."

Todas as demais alternativas ou omitem o núcleo da definição ou acrescentam informações que não são a causa direta do paradoxo. Vejamos cada uma:

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o paradoxo decorre de "reconhecer-se como animal e fazer indagações complexas". O texto realmente diz que somos animais e que formulamos perguntas, mas a causa explícita do paradoxo é outra: a capacidade de refletir sobre o tempo e a finitude. A alternativa troca o conceito (troca_conceito), substituindo a razão correta por características gerais do ser humano.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Ter consciência de que, embora único, faz parte de um universo maior" remete ao segundo parágrafo, que trata da exclusividade humana. Porém, o paradoxo é definido no primeiro parágrafo e tem como fundamento a reflexão sobre tempo e finitude, não a unicidade. Portanto, troca o conceito (troca_conceito) ao deslocar o foco para uma ideia que não consta como justificativa do paradoxo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Ter consciência de sua inconstância e enxergar a constância nas formas de vida" – o texto menciona o ciclo de nascer, crescer e morrer, mas não utiliza os termos "inconstância" nem "constância" para definir o paradoxo. A causa continua sendo a reflexão sobre o tempo e a finitude. A alternativa troca o conceito (troca_conceito) ao introduzir vocabulário alheio ao texto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Conforme demonstrado, a alternativa é uma paráfrase literal da definição dada no primeiro período: "refletir sobre o tempo e entender a finitude da vida". Corresponde exatamente à passagem transcrita.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Testemunhar o ciclo da existência de si mesmo e de outras espécies" – o texto diz que "somos capazes de ver um ciclo", mas testemunhar não equivale a refletir e entender. O paradoxo está na capacidade reflexiva, não na mera observação. A alternativa troca o conceito (troca_conceito), reduzindo o sentido original.

Conclusão: A única alternativa que se sustenta integralmente pelo texto é a letra D. As demais ou desviam do núcleo da definição ou acrescentam elementos estranhos à causa do paradoxo.

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