Uma empresa pública de infraestrutura criou um mapa de riscos financeiros, identificando, entre outros, risco de insuficiência de liquidez para honrar dívidas no curto prazo; risco de variação de taxas de juros em contratos indexados; e risco de inadimplência de contraparte em contratos de concessão. Para integrar o monitoramento financeiro com a gestão de riscos, a área de controladoria propôs as seguintes ações:• definir indicadores-chave de risco (KRI), como “projeção de caixa negativa em janelas de 90 dias” e “percentual de contratos com taxa pós-fixada acima de determinado limite”;• estabelecer limites de tolerância (apetite a risco) para cada indicador;• vincular alertas do sistema financeiro à agenda de um comitê de riscos e finanças, que deliberará ajustes (hedge, renegociação, revisão de mix de funding).Considerando a situação hipotética apresentada, bem como aspectos relativos a monitoramento, controle financeiro e gestão de risco financeiro, assinale a opção correta.
AA área de controladoria equivocou-se em propor a definição de apetite a risco, pois ela é inadequada para empresas públicas.
BAs medidas propostas pela área de controladoria caracterizam gestão de riscos, mas não se relacionam ao monitoramento financeiro.
CDas medidas propostas pela área de controladoria, apenas a criação de KRIs tem natureza de controle; limites de tolerância e comitês são elementos de governança, sem reflexo financeiro.
DAs medidas propostas pela área de controladoria exemplificam a integração entre monitoramento financeiro e gestão de riscos, sendo os riscos mapeados transformados em indicadores acompanháveis e decisões de ajuste.
EA última medida proposta pela área de controladoria está inadequada, pois monitoramento financeiro não deve envolver comitês, para não politizar a gestão.
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GabaritoD — As medidas propostas pela área de controladoria exemplificam a integração entre monitoramento financeiro e gestão de riscos, sendo os riscos mapeados transformados em indicadores acompanháveis e decisões de ajuste.
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Gestão de Riscos Financeiros e Monitoramento
Gabarito: letra D. As medidas propostas integram monitoramento financeiro e gestão de riscos ao transformar riscos mapeados em indicadores (KRIs), estabelecer limites de tolerância e criar comitê para decisões de ajuste. Essa integração é essencial para uma gestão de riscos eficaz, conforme princípios de governança.
A questão testa o entendimento de como a controladoria pode conectar riscos financeiros ao cotidiano da gestão, usando ferramentas como KRIs, apetite a risco e comitês. Não há vedação legal para empresas públicas adotarem apetite a risco; pelo contrário, a definição de limites é parte do processo de governança. O contexto de apoio (ISO 31000) reforça que a gestão de riscos deve ser integrada às atividades e funções da organização, com apoio da alta direção e definição de apetite a risco.
Medida Proposta
Natureza da Ação
Relação com Monitoramento Financeiro
Relação com Gestão de Riscos
Definir indicadores-chave de risco (KRI)
Controle e Monitoramento
Transforma riscos financeiros (ex.: liquidez, juros) em métricas quantitativas acompanháveis (ex.: projeção de caixa, percentual de contratos).
Converte riscos identificados em indicadores objetivos para acompanhamento contínuo.
Estabelecer limites de tolerância (apetite a risco)
Governança e Controle Preventivo
Define o nível aceitável de exposição financeira, orientando decisões de alocação de recursos e funding.
Materializa o apetite a risco da organização, delimitando a fronteira entre risco aceitável e não aceitável.
Vincular alertas do sistema financeiro a comitê de riscos e finanças
Governança e Tomada de Decisão
Integra o monitoramento financeiro em tempo real (alertas) à agenda decisória, permitindo ajustes financeiros (hedge, renegociação).
Cria um ciclo de resposta aos riscos, com deliberação colegiada para ações corretivas ou mitigadoras.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o apetite a risco é inadequado para empresas públicas. Não há fundamento legal ou técnico para essa restrição. Empresas públicas, assim como privadas, devem definir seu apetite a risco para orientar decisões e alocar recursos. A ISO 31000, princípio 8, trata da melhoria contínua, e a estrutura de gestão de riscos prevê que o órgão diretivo defina o apetite geral por risco, sem excluir empresas públicas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que as medidas caracterizam gestão de riscos, mas não se relacionam ao monitoramento financeiro. Na verdade, os KRIs (como "projeção de caixa negativa") e os alertas ligados a comitê são instrumentos típicos de monitoramento financeiro. A integração é justamente o cerne da proposta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que apenas a criação de KRIs tem natureza de controle, e que limites de tolerância e comitês são elementos de governança sem reflexo financeiro. Limites de tolerância são controles preventivos, e o comitê delibera ajustes financeiros (hedge, renegociação), tendo impacto direto no resultado financeiro. Governança e controle não são excludentes.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Exatamente o que a situação descreve: os riscos mapeados (liquidez, juros, inadimplência) são convertidos em KRIs, limites são estabelecidos e um comitê toma decisões de ajuste. Isso exemplifica a integração entre monitoramento financeiro e gestão de riscos, conforme boas práticas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Alega que monitoramento financeiro não deve envolver comitês para evitar politização. Não há tal vedação. Comitês de riscos e finanças são comuns e necessários para deliberar ações corretivas de forma colegiada, reduzindo riscos de decisões unilaterais. A politização depende da governança, não da existência do comitê.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, lembre-se de que a gestão de riscos financeiros deve estar integrada ao monitoramento. KRIs, limites de tolerância e comitês são ferramentas complementares, não excludentes. Empresas públicas também adotam apetite a risco, pois isso faz parte da governança.
PEGA ESSA DICA!
BSC
BSC = Balanced Scorecard (ferramenta de gestão estratégica com indicadores de desempenho de fatores críticos)