Questão de Economia — Desenvolvimento e Crescimento Econômico — CESPE / CEBRASPE 2026
Economia›Desenvolvimento e Crescimento Econômico
Código
ce227739
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEFAZ-PR
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Agente Fazendário Estadual - Função: Economista
A desigualdade de renda e de riqueza no Brasil persiste como uma das mais elevadas do mundo, apesar dos avanços das políticas sociais nas últimas décadas. Em relação a esse tema, assinale a opção correta.
AO aumento do salário mínimo não contribui para a redução da desigualdade de renda.
BO sistema tributário brasileiro reduz a desigualdade, já que, na prática, é baseado no princípio da progressividade, ou seja, pessoas que ganham mais pagam proporcionalmente mais impostos.
CEm uma população muito pobre, em que os salários das pessoas tendem a ser próximos, o índice de Gini tende a ficar próximo de 1, o que mostra uma desigualdade de renda elevada.
DO fato de uma região ter o custo de vida menor que o de outra não significa que a desigualdade de renda de sua população será mais baixa que o da outra região.
EA desigualdade de renda entre homens e mulheres deixou de existir em decorrência do fortalecimento das políticas de gênero nos últimos anos, no país.
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GabaritoD — O fato de uma região ter o custo de vida menor que o de outra não significa que a desigualdade de renda de sua população será mais baixa que o da outra região.
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Desigualdade de Renda no Brasil
Gabarito: letra D. O fato de uma região ter custo de vida menor não implica, por si só, menor desigualdade de renda, pois o índice de Gini mede a concentração da renda – um conceito independente do nível absoluto de preços ou renda média. Essa é a única alternativa que expressa corretamente a relação entre desigualdade e custo de vida.
A banca testa o entendimento do índice de Gini, da progressividade tributária e dos efeitos das políticas sociais sobre a desigualdade. Vamos analisar cada alternativa.
Índice de Gini
1Variação
0 = perfeita igualdade
1 = máxima desigualdade
2Mede
Concentração da renda
Independente do custo de vida
Independente da renda média
3Sistema tributário brasileiro
Predominantemente regressivo
Maior carga no consumo
Atinge mais os pobres
Progressividade
Apenas no IRPF
Não reduz desigualdade
4Salário mínimo
Eleva o piso salarial
Comprime a base da distribuição
Reduz desigualdade
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o aumento do salário mínimo não contribui para reduzir a desigualdade de renda. Na prática, o salário mínimo eleva o piso salarial, beneficiando diretamente os trabalhadores de menor renda, o que tende a reduzir a desigualdade (efeito de compressão da base da distribuição). Embora o impacto dependa de outros fatores (nível de emprego, formalização), a afirmação categórica de "não contribui" é falsa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que o sistema tributário brasileiro reduz a desigualdade por ser baseado na progressividade. Na realidade, o sistema tributário nacional é predominantemente regressivo: a maior carga recai sobre consumo (impostos indiretos), que afeta proporcionalmente mais os pobres. A progressividade (quem ganha mais paga proporcionalmente mais) é mais presente no Imposto de Renda Pessoa Física, mas o conjunto do sistema não é progressivo, e sim regressivo, contribuindo para agravar a desigualdade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que, em uma população muito pobre com salários próximos, o índice de Gini tende a ficar próximo de 1, indicando desigualdade elevada. Isso inverte o significado do índice: o Gini varia de 0 (perfeita igualdade) a 1 (máxima desigualdade). Se todos têm salários próximos, a distribuição é igualitária, e o Gini se aproxima de 0 (e não de 1). A alternativa troca os extremos.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta. A desigualdade de renda (medida, por exemplo, pelo índice de Gini) é uma medida de dispersão dos rendimentos, independente do nível médio de renda ou do custo de vida. Uma região com custo de vida baixo pode ter alta concentração de renda (ex.: poucos ricos e muitos pobres), resultando em Gini elevado. O inverso também é possível. Portanto, não há relação de causalidade entre custo de vida e desigualdade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a desigualdade de renda entre homens e mulheres deixou de existir no Brasil devido às políticas de gênero. Isso é falso. Apesar de avanços, como a Lei da Igualdade Salarial (Lei 14.611/2023) e medidas de combate à discriminação, a desigualdade persiste: dados do IBGE e do Dieese mostram que as mulheres, em média, ganham menos que os homens na mesma função, e a diferença se acentua para negras e chefes de família. A afirmação é exagerada e não corresponde à realidade.