Avaliação de estoques – custo e valor realizável líquido
Gabarito: letra A. A superavaliação de R$ 1.200.000 (ICMS recuperável R$ 600.000 + armazenagem pós-produção R$ 400.000 + perda anormal R$ 200.000) infla indevidamente o ativo e o lucro líquido. A correção (baixa dos valores e reconhecimento das despesas/perdas) é um ajuste meramente contábil, sem movimentação de caixa, portanto não altera o fluxo de caixa operacional na DFC (método indireto). As demais alternativas incorrem em erros conceituais ou numéricos.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A superavaliação de R$ 1.200.000 corresponde aos itens que não poderiam compor o custo dos estoques:
ICMS recuperável: R$ 600.000 – deve ser registrado como crédito fiscal, e não no custo.
Armazenagem de produtos acabados: R$ 400.000 – custo pós-produção, despesa do período.
Perda anormal de insumos: R$ 200.000 – perda extraordinária, não inerente à produção.
Tais inclusões elevaram o estoque final, reduzindo o CPV e, consequentemente, aumentando o lucro líquido. A correção (lançamento de ajuste) reduz o lucro, mas não envolve entrada ou saída de caixa – é um ajuste não caixa. Na Demonstração dos Fluxos de Caixa pelo método indireto, o lucro líquido é ajustado por variações patrimoniais não caixa; uma correção desse tipo não gera alteração no caixa operacional final. Portanto, a afirmação é correta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Os gastos com armazenamento de produtos que já estão em condições de venda (estágio final) não devem ser capitalizados. De acordo com o CPC 16 (IAS 2), os custos de armazenagem de produtos acabados são despesas do período (geralmente despesas comerciais ou administrativas), e não integram o custo do estoque. A afirmação de que “a norma exige a capitalização de todos os custos de manutenção até a entrega” é falsa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A lógica está invertida: uma superavaliação do estoque final do período atual (EF) faz com que o CPV atual seja subavaliado (menor), gerando lucro maior. No período seguinte, esse estoque superavaliado torna-se o estoque inicial (EI); quando for vendido, o CPV do período seguinte será maior (pois o EI está inflado), reduzindo o lucro líquido seguinte (e não “subavaliando” como afirma). Além disso, o método PEPS não altera essa relação de causa e efeito. A banca troca o sentido do impacto: na verdade, há uma superavaliação do lucro no período seguinte, não subavaliação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O raciocínio de reconhecer um ajuste a valor realizável líquido (VRL) de R$ 580.000 parte do custo histórico registrado de R$ 5.000.000 e do VRL de R$ 4.420.000 (R$ 5.200.000 – 15% de despesas de venda). Contudo, o custo histórico de R$ 5.000.000 contém os itens indevidos. Antes de comparar com o VRL, a empresa deve excluir do custo as despesas que jamais poderiam ser ativadas (R$ 1.200.000), chegando a um custo correto de R$ 3.800.000. Esse custo é inferior ao VRL (R$ 4.420.000), portanto não há necessidade de ajuste para perda por desvalorização. O valor de R$ 580.000 é o resultado de um cálculo prematuro.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O valor correto dos estoques é de R$ 3.800.000 (R$ 5.000.000 – R$ 1.200.000), e não R$ 3.600.000. Além disso, a correção da superavaliação não aumenta o fluxo de caixa das atividades operacionais; pelo contrário: o ajuste reduz o lucro líquido, mas não afeta o caixa (é um ajuste não caixa). No método indireto, a redução do lucro líquido é compensada pela exclusão do efeito não caixa, e o caixa operacional permanece inalterado.
Resumo do cálculo:
Item | Valor (R$) | Decisão |
|---|
Estoque registrado | 5.000.000 | – |
(–) ICMS recuperável | (600.000) | Excluir → crédito fiscal |
(–) Armazenagem pós-produção | (400.000) | Excluir → despesa |
(–) Perda anormal | (200.000) | Excluir → perda |
= Custo ajustado | 3.800.000 | – |
VRL (5.200.000 – 15%) | 4.420.000 | Superior ao custo → sem perda |
Gabarito: letra A.