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Questão de Contabilidade de Custos — Custo de Produção — CESPE / CEBRASPE 2026

Contabilidade de CustosCusto de Produção
Código
ce227915
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEFAZ-RN
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Auditor Fiscal de Receitas Estaduais - conhecimentos complementares
Uma indústria de componentes eletrônicos, ao encerrar seu exercício financeiro, apresentou um saldo de estoques de produtos acabados no valor de R$ 5.000.000. Durante a auditoria de asseguração, foram identificados os seguintes fatos relativos à formação desse custo.1 Inclusões Indevidas: No montante de R$ 5.000.000, estão incluídos R$ 600.000 de ICMS recuperável sobre matérias-primas e R$ 400.000 de gastos com armazenamento de produtos que já estavam em condições de venda (estágio final).2 Sinistro: O custo incorpora R$ 200.000 referentes a perdas anormais de insumos causadas por uma falha crítica no sistema de refrigeração, não inerente ao processo produtivo regular.3 Valor de Mercado: O valor de venda estimado para este lote é de R$ 5.200.000, porém a empresa incorrerá em comissões de venda de 10% e fretes de entrega de 5% sobre o valor bruto.Considerando as informações apresentadas e a base normativa aplicável à auditoria de estoques, assinale a opção correta.
  1. AA superavaliação identificada de R$ 1.200.000 distorce o lucro líquido do período, aumentando-o, mas o ajuste de correção não altera o saldo final de caixa líquido gerado nas atividades operacionais na DFC.
  2. BOs gastos com armazenamento de R$ 400.000 devem permanecer no custo do estoque, pois a norma contábil exige a capitalização de todos os custos de manutenção até que ocorra a efetiva entrega ao cliente.
  3. CCaso a empresa utilize o método primeiro que entra, primeiro que sai (PEPS), a superavaliação do estoque final provocará uma subavaliação do lucro líquido no exercício seguinte, devido à diminuição do custo das mercadorias vendidas de abertura.
  4. DA entidade deverá reconhecer um ajuste de redução ao valor realizável líquido no montante de R$ 580.000, uma vez que o valor de mercado líquido de despesas de venda é inferior ao custo histórico registrado inicialmente.
  5. EO valor correto dos estoques para fins de balanço patrimonial é de R$ 3.600.000, e a correção da superavaliação resultará em um aumento proporcional no fluxo de caixa das atividades operacionais pelo método indireto.
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GabaritoA — A superavaliação identificada de R$ 1.200.000 distorce o lucro líquido do período, aumentando-o, mas o ajuste de correção não altera o saldo final de caixa líquido gerado nas atividades operacionais na DFC.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Avaliação de estoques – custo e valor realizável líquido

Gabarito: letra A. A superavaliação de R$ 1.200.000 (ICMS recuperável R$ 600.000 + armazenagem pós-produção R$ 400.000 + perda anormal R$ 200.000) infla indevidamente o ativo e o lucro líquido. A correção (baixa dos valores e reconhecimento das despesas/perdas) é um ajuste meramente contábil, sem movimentação de caixa, portanto não altera o fluxo de caixa operacional na DFC (método indireto). As demais alternativas incorrem em erros conceituais ou numéricos.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A superavaliação de R$ 1.200.000 corresponde aos itens que não poderiam compor o custo dos estoques:

  • ICMS recuperável: R$ 600.000 – deve ser registrado como crédito fiscal, e não no custo.

  • Armazenagem de produtos acabados: R$ 400.000 – custo pós-produção, despesa do período.

  • Perda anormal de insumos: R$ 200.000 – perda extraordinária, não inerente à produção.

Tais inclusões elevaram o estoque final, reduzindo o CPV e, consequentemente, aumentando o lucro líquido. A correção (lançamento de ajuste) reduz o lucro, mas não envolve entrada ou saída de caixa – é um ajuste não caixa. Na Demonstração dos Fluxos de Caixa pelo método indireto, o lucro líquido é ajustado por variações patrimoniais não caixa; uma correção desse tipo não gera alteração no caixa operacional final. Portanto, a afirmação é correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Os gastos com armazenamento de produtos que já estão em condições de venda (estágio final) não devem ser capitalizados. De acordo com o CPC 16 (IAS 2), os custos de armazenagem de produtos acabados são despesas do período (geralmente despesas comerciais ou administrativas), e não integram o custo do estoque. A afirmação de que “a norma exige a capitalização de todos os custos de manutenção até a entrega” é falsa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A lógica está invertida: uma superavaliação do estoque final do período atual (EF) faz com que o CPV atual seja subavaliado (menor), gerando lucro maior. No período seguinte, esse estoque superavaliado torna-se o estoque inicial (EI); quando for vendido, o CPV do período seguinte será maior (pois o EI está inflado), reduzindo o lucro líquido seguinte (e não “subavaliando” como afirma). Além disso, o método PEPS não altera essa relação de causa e efeito. A banca troca o sentido do impacto: na verdade, há uma superavaliação do lucro no período seguinte, não subavaliação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O raciocínio de reconhecer um ajuste a valor realizável líquido (VRL) de R$ 580.000 parte do custo histórico registrado de R$ 5.000.000 e do VRL de R$ 4.420.000 (R$ 5.200.000 – 15% de despesas de venda). Contudo, o custo histórico de R$ 5.000.000 contém os itens indevidos. Antes de comparar com o VRL, a empresa deve excluir do custo as despesas que jamais poderiam ser ativadas (R$ 1.200.000), chegando a um custo correto de R$ 3.800.000. Esse custo é inferior ao VRL (R$ 4.420.000), portanto não há necessidade de ajuste para perda por desvalorização. O valor de R$ 580.000 é o resultado de um cálculo prematuro.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O valor correto dos estoques é de R$ 3.800.000 (R$ 5.000.000 – R$ 1.200.000), e não R$ 3.600.000. Além disso, a correção da superavaliação não aumenta o fluxo de caixa das atividades operacionais; pelo contrário: o ajuste reduz o lucro líquido, mas não afeta o caixa (é um ajuste não caixa). No método indireto, a redução do lucro líquido é compensada pela exclusão do efeito não caixa, e o caixa operacional permanece inalterado.

Resumo do cálculo:

Item

Valor (R$)

Decisão

Estoque registrado

5.000.000

(–) ICMS recuperável

(600.000)

Excluir → crédito fiscal

(–) Armazenagem pós-produção

(400.000)

Excluir → despesa

(–) Perda anormal

(200.000)

Excluir → perda

= Custo ajustado

3.800.000

VRL (5.200.000 – 15%)

4.420.000

Superior ao custo → sem perda

Gabarito: letra A.

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