Questão de Medicina — Hematologia — CESPE / CEBRASPE 2026
Medicina›Hematologia
Código
ce229113
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-MG
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico
No que diz respeito à síndrome torácica aguda, uma das manifestações da anemia falciforme, assinale a opção correta.
AEssa síndrome é menos comum no período do inverno, em pessoas com os genótipos HbS e Hb S-beta-talassemia e em asmáticos.
BO diagnóstico dessa síndrome independe de um novo infiltrado pulmonar, ainda que o paciente apresente quadro agudo de febre, dor torácica, hipoxemia, sibilância, tosse ou dispneia.
COs agentes etiológicos bacterianos mais encontrados na referida síndrome são a Chlamydia pneumoniae e o Mycloplasma pneumoniae.
DO tratamento com antibiótico empírico deve ser imediatamente iniciado nos pacientes acometidos pela síndrome, devido ao potencial de gravidade do quadro, sendo indicado o uso de cefalosporina de terceira geração em monoterapia.
EA gravidade dessa síndrome varia de acordo com a idade do paciente, sendo a doença mais branda em adultos e mais mortal em crianças.
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GabaritoC — Os agentes etiológicos bacterianos mais encontrados na referida síndrome são a Chlamydia pneumoniae e o Mycloplasma pneumoniae.
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Síndrome torácica aguda na anemia falciforme
Gabarito: letra C. A síndrome torácica aguda (STA) é uma complicação grave da anemia falciforme, e os agentes bacterianos mais frequentemente identificados são a Chlamydia pneumoniae e o Mycoplasma pneumoniae, conforme a literatura médica. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a STA é mais comum no inverno, exige infiltrado pulmonar novo para o diagnóstico, o tratamento empírico não se limita a cefalosporina de terceira geração em monoterapia, e a gravidade é maior em crianças, não em adultos.
A síndrome torácica aguda é uma das principais causas de morbimortalidade na anemia falciforme, caracterizada por febre, dor torácica, hipoxemia e infiltrado pulmonar novo à radiografia. Ela resulta da vaso-oclusão pulmonar, frequentemente precipitada por infecção, embolia gordurosa ou sequestro pulmonar. O diagnóstico é clínico-radiológico, e o tratamento envolve suporte, analgesia, oxigenioterapia e antibióticos empíricos, com cobertura para germes encapsulados e atípicos.
A fisiopatologia da STA envolve a adesão de células falciformes ao endotélio, levando à obstrução microvascular e à isquemia pulmonar. A infecção é um gatilho comum, e os agentes mais comuns são bactérias encapsuladas, como Streptococcus pneumoniae, e atípicas, como Chlamydia pneumoniae e Mycoplasma pneumoniae. A identificação do agente etiológico é difícil, e o tratamento empírico deve cobrir tanto os germes típicos quanto os atípicos.
A gravidade da STA varia com a idade: é mais frequente e mais grave em crianças, especialmente naquelas com menos de 5 anos, podendo levar à síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) e à morte. Em adultos, a apresentação tende a ser menos fulminante, mas ainda assim é uma emergência médica. A prevenção inclui hidratação, analgesia, espirometria de incentivo e vacinação contra pneumococo e Haemophilus influenzae.
A banca explora a confusão entre os critérios diagnósticos e os agentes etiológicos. O infiltrado pulmonar novo é obrigatório para o diagnóstico, e a ausência dele afasta a STA. Além disso, a antibioticoterapia empírica deve incluir cobertura para atípicos, não se restringindo a uma única classe. A pegadinha está em inverter a epidemiologia e a gravidade, além de simplificar o esquema antibiótico.
Síndrome torácica aguda (STA): Definição (Complicação da anemia falciforme, Vaso-oclusão pulmonar); Diagnóstico (Infiltrado pulmonar novo (obrigatório), Febre, dor torácica, hipoxemia); Agentes etiológicos (Chlamydia pneumoniae, Mycoplasma pneumoniae, Streptococcus pneumoniae); Tratamento empírico (Cobertura para típicos e atípicos, Cefalosporina + macrolídeo); Epidemiologia (Mais comum no inverno, Mais grave em crianças)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A STA é mais comum no inverno, em pessoas com genótipos HbS e HbS-beta-talassemia, e em asmáticos. A alternativa inverte a relação: diz que é menos comum nesses grupos, quando na verdade são fatores de risco. A hipoxemia e a infecção respiratória, mais frequentes no inverno, precipitam a falcização e a vaso-oclusão pulmonar.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O diagnóstico de STA depende de um novo infiltrado pulmonar em exame de imagem, associado a sintomas como febre, dor torácica, hipoxemia, sibilância, tosse ou dispneia. A alternativa afirma o contrário, negando a necessidade do infiltrado, o que contraria os critérios diagnósticos estabelecidos.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Os agentes etiológicos bacterianos mais encontrados na STA são a Chlamydia pneumoniae e o Mycoplasma pneumoniae. Esses patógenos atípicos são frequentemente identificados em estudos, juntamente com Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. A cobertura antibiótica empírica deve incluir macrolídeos ou quinolonas para atípicos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O tratamento com antibiótico empírico deve ser iniciado imediatamente, mas não se limita a cefalosporina de terceira geração em monoterapia. O esquema deve cobrir germes encapsulados (como pneumococo) e atípicos, sendo comum a associação de cefalosporina com macrolídeo. A monoterapia com cefalosporina não cobre Mycoplasma e Chlamydia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A gravidade da STA é maior em crianças, especialmente nas menores de 5 anos, com maior risco de complicações e morte. Em adultos, a doença tende a ser menos grave, embora ainda seja uma emergência. A alternativa inverte a relação etária.