Questão de Medicina — Pneumologia — CESPE / CEBRASPE 2026
- Código
- ce229114
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TCE-MG
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico
- Aembolia pulmonar.
- Bartrite reumatoide.
- Ctuberculose.
- Dcâncer de pulmão.
- Epneumonia.
GabaritoC — tuberculose.
Gabarito: letra C. A principal hipótese diagnóstica é a tuberculose, pois o paciente apresenta silicose pulmonar — condição que confere risco elevado para tuberculose — e quadro clínico compatível: tosse produtiva há três meses, hemoptoicos, febre vespertina e astenia. A associação silicose-tuberculose é amplamente reconhecida na literatura médica, e o contexto ocupacional (mineração) reforça essa suspeita.
A silicose é uma pneumoconiose causada pela inalação de sílica cristalina, comum em trabalhadores de mineração, corte de pedra, fundição e jateamento de areia. A doença cursa com inflamação e fibrose pulmonar, formando nódulos silicóticos característicos. O risco aumentado de tuberculose em pacientes com silicose é um ponto central: a sílica compromete a função dos macrófagos alveolares, prejudicando a capacidade de conter o Mycobacterium tuberculosis, o que facilita tanto a reativação de infecção latente quanto a aquisição de nova infecção. Por isso, pacientes com silicose devem ser rastreados para tuberculose latente e tratados adequadamente.
O quadro clínico apresentado — tosse produtiva com hemoptoicos, febre vespertina e astenia — é clássico de tuberculose pulmonar ativa. A febre vespertina é um sintoma constitucional típico, assim como a astenia e a perda de peso (não mencionada, mas comum). A hemoptise, embora possa ocorrer em outras doenças, é um sinal de alarme que, no contexto de silicose, direciona fortemente para tuberculose. A ausência de tabagismo reduz a probabilidade de câncer de pulmão, embora não a elimine. A pneumonia bacteriana geralmente tem início mais agudo, com febre alta, dor torácica e leucocitose, diferente do quadro subagudo descrito. A embolia pulmonar cursa com dispneia súbita e dor torácica, sem tosse produtiva prolongada. A artrite reumatoide pode estar associada à silicose (síndrome de Caplan), mas não explica o quadro respiratório agudo/subagudo com hemoptoicos.
A distinção crucial é entre tuberculose e câncer de pulmão, ambos com apresentação subaguda e hemoptise possível. No entanto, o fator de risco ocupacional (silicose) e o padrão de febre vespertina com astenia favorecem fortemente a tuberculose. Além disso, a silicose é um fator de risco independente para tuberculose, enquanto o tabagismo é o principal fator para câncer de pulmão — e o paciente nega tabagismo. A pneumonia comunitária típica teria início mais agudo e resposta ao tratamento antibiótico, o que não é o caso. A embolia pulmonar é uma possibilidade, mas o quadro de tosse produtiva com hemoptoicos e febre vespertina não é o padrão clássico.
A banca explora a associação silicose-tuberculose, um conhecimento específico de pneumologia ocupacional. O candidato que não conhece essa relação pode ser levado a escolher câncer de pulmão (pela hemoptise) ou pneumonia (pela tosse produtiva e febre). No entanto, a febre vespertina e a astenia são sintomas constitucionais que apontam para tuberculose, e a silicose é um fator de risco bem estabelecido. A chave é reconhecer que a silicose aumenta o risco de tuberculose e que o quadro clínico é compatível com tuberculose ativa.
A embolia pulmonar (EP) cursa tipicamente com dispneia súbita, dor torácica pleurítica e hipoxemia, frequentemente associada a fatores de risco como imobilização, cirurgia, neoplasia ou uso de anticoncepcionais. O paciente não apresenta esses fatores, e o quadro de tosse produtiva com hemoptoicos e febre vespertina não é o padrão clássico de EP. A hemoptise pode ocorrer em EP com infarto pulmonar, mas seria acompanhada de dor torácica e dispneia aguda, não de um quadro subagudo de três meses com febre e astenia.
A artrite reumatoide (AR) pode estar associada à silicose, configurando a síndrome de Caplan, que cursa com nódulos pulmonares reumatoides. No entanto, o quadro clínico descrito — tosse produtiva, hemoptoicos, febre vespertina e astenia — não é compatível com AR, que se manifesta predominantemente com artrite simétrica, rigidez matinal e, em casos pulmonares, nódulos ou doença intersticial, mas não com sintomas constitucionais agudos/subagudos como febre vespertina e hemoptise.
A tuberculose é a principal hipótese diagnóstica. O paciente tem silicose, condição que confere risco elevado para tuberculose, e apresenta quadro clássico: tosse produtiva há três meses, hemoptoicos, febre vespertina e astenia. A febre vespertina é um sintoma constitucional típico da tuberculose, e a hemoptise, no contexto de silicose, reforça a suspeita. A associação silicose-tuberculose é bem documentada, e o rastreamento de tuberculose latente é recomendado em pacientes com silicose.
O câncer de pulmão pode cursar com tosse, hemoptise e emagrecimento, mas o paciente nega tabagismo, principal fator de risco. Além disso, a febre vespertina e a astenia são sintomas constitucionais mais típicos de tuberculose do que de neoplasia. Embora a silicose seja um fator de risco para câncer de pulmão, o quadro clínico apresentado — com febre vespertina e tosse produtiva — favorece fortemente a tuberculose, especialmente pela associação conhecida entre silicose e tuberculose.
A pneumonia bacteriana típica tem início agudo, com febre alta, dor torácica, tosse produtiva e leucocitose. O quadro descrito é subagudo (três meses), com febre vespertina e astenia, o que não é o padrão clássico de pneumonia comunitária. Além disso, a associação com silicose e a presença de hemoptoicos apontam mais para tuberculose do que para pneumonia bacteriana. A pneumonia seria uma hipótese secundária, mas não a principal.
Gabarito: letra C
Link permanente: /questoes/ce229114