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Questão de Medicina — Endocrinologia — CESPE / CEBRASPE 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
ce229116
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-MG
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico
Paciente do sexo masculino, com 65 anos de idade, negro, obeso e sedentário, comparece a uma unidade básica de saúde para consulta de rotina. Relata já ter sido diagnosticado com diabetes e estar em uso regular de metformina. Em sua última consulta, foi registrada pressão arterial de 135 mmHg  85 mmHg. Na consulta atual, o paciente apresenta os registros de medidas realizadas em casa, três vezes ao dia, por meio de aparelho certificado, no decorrer de um mês, os quais evidenciam pressão média de 139 mmHg  89 mmHg.Considerando o quadro clínico apresentado, assinale a opção correta.
  1. ADado o diagnóstico prévio de diabetes tipo 2, deve-se indicar ao paciente o uso de um bloqueador de receptor da angiotensina associado a um inibidor da enzima conversora da angiotensina.
  2. BComo medida não farmacológica, deve-se orientar o paciente a seguir a dieta DASH, caracterizada por ser pobre em potássio, cálcio, magnésio, proteína, gordura saturada e colesterol.
  3. CPor ter 65 anos de idade, sofrer de diabetes e apresentar pressão média com PAS ≥ 130 mmHg e PAD ≥ 80 mmHg, o paciente deve iniciar tratamento com inibidor da enzima conversora da angiotensina somado a bloqueador de canal de cálcio de longa ação.
  4. DO paciente não apresenta o diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica, sendo necessário apenas que o médico o oriente acerca da importância da mudança de seu estilo de vida.
  5. EOutros fatores de risco para hipertensão arterial primária devem ser questionados e corrigidos, como uso excessivo de álcool, aumento da ingestão de potássio, redução da ingestão de sódio e tempo de sono menor que 7 horas por noite.
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GabaritoC — Por ter 65 anos de idade, sofrer de diabetes e apresentar pressão média com PAS ≥ 130 mmHg e PAD ≥ 80 mmHg, o paciente deve iniciar tratamento com inibidor da enzima conversora da angiotensina somado a bloqueador de canal de cálcio de longa ação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipertensão arterial no paciente diabético idoso

Gabarito: letra C. O paciente tem 65 anos, diabetes tipo 2 e pressão arterial média de 139×89 mmHg (PAS ≥ 130 e PAD ≥ 80), o que configura hipertensão arterial estágio 1 de alto risco cardiovascular. Segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, nesse cenário o tratamento medicamentoso deve ser iniciado imediatamente com a associação de dois fármacos: um inibidor da enzima conversora da angiotensina (IECA) ou bloqueador do receptor da angiotensina (BRA) associado a um bloqueador de canal de cálcio (BCC) ou diurético tiazídico. A alternativa C espelha exatamente essa recomendação.

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é definida como pressão arterial (PA) ≥ 140/90 mmHg no consultório, mas valores entre 130-139/85-89 mmHg já configuram PA elevada ou estágio 1, dependendo do risco cardiovascular associado. No paciente diabético, o risco cardiovascular é considerado alto, e a meta de PA é mais rigorosa: < 130/80 mmHg. Isso significa que, mesmo com PA "limítrofe" (139×89 mmHg), o paciente diabético já se beneficia de tratamento farmacológico imediato, pois o diabetes confere risco cardiovascular aumentado que justifica intervenção precoce.

A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025 (publicada nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia) estabelece que, em pacientes com diabetes mellitus, o início do tratamento medicamentoso deve ser imediato, ao diagnóstico, com dois medicamentos: IECA ou BRA (em caso de intolerância ao IECA) associado a BCC ou diurético tiazídico similar. Essa recomendação tem força FORTE e certeza de evidência ALTA. A justificativa é que a combinação de dois fármacos em baixas doses proporciona maior eficácia anti-hipertensiva com menos efeitos colaterais, além de proteção cardiovascular e renal adicional.

A escolha do IECA ou BRA como um dos componentes da terapia dupla se deve ao efeito nefroprotetor e cardioprotetor comprovado nesses pacientes, especialmente na presença de albuminúria. O BCC de longa ação (como anlodipino) é uma opção preferencial por sua eficácia, segurança e perfil metabólico neutro, sendo particularmente útil em pacientes idosos e obesos. A associação IECA + BCC é uma das combinações preferenciais na hipertensão arterial, conforme demonstrado no estudo ACCOMPLISH, que mostrou redução de eventos cardiovasculares com essa combinação em comparação com IECA + diurético.

A alternativa C está correta porque reúne todos os elementos: idade ≥ 65 anos, diabetes e PA ≥ 130/80 mmHg, indicando início imediato de tratamento com IECA + BCC de longa ação. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de conduta que serão detalhados a seguir.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o tratamento da hipertensão no paciente diabético e as recomendações gerais. Muitos candidatos pensam que, por ser idoso e diabético, o paciente deveria receber apenas medidas não farmacológicas (alternativa D), ou que a monoterapia seria suficiente. No entanto, a diretriz é clara: no diabético com PA ≥ 130/80 mmHg, o tratamento medicamentoso deve ser iniciado imediatamente com associação de dois fármacos. Outra pegadinha clássica é a alternativa A, que sugere a associação de IECA + BRA, o que é contraindicado por aumentar o risco de hipercalemia e lesão renal sem benefício adicional.

HAS no diabético idoso
  • 1Diagnóstico
    • PA ≥ 130/80 mmHg
    • Diabetes = alto risco CV
  • 2Tratamento imediato
    • Associação de 2 fármacos
      • IECA ou BRA
      • BCC longa ação ou tiazídico
  • 3Contraindicações
    • IECA + BRA (hipercalemia)
    • Dieta DASH pobre em K/Ca/Mg
    • Aumentar sódio / reduzir potássio
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A associação de IECA + BRA é contraindicada na prática clínica. Embora ambos os fármacos atuem no sistema renina-angiotensina-aldosterona, a combinação não traz benefício adicional e aumenta significativamente o risco de hipercalemia, hipotensão e piora da função renal. As diretrizes recomendam o uso de um OU outro, nunca ambos simultaneamente. O erro aqui é a associação de duas classes que bloqueiam o mesmo eixo, o que é uma armadilha clássica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) é caracterizada por ser rica em potássio, cálcio, magnésio, fibras e proteínas, e pobre em gordura saturada, colesterol e sódio. A alternativa inverte completamente a composição da dieta, afirmando que ela é pobre em potássio, cálcio, magnésio e proteína, o que é falso. A dieta DASH é justamente recomendada para hipertensos por seu alto teor de nutrientes que auxiliam no controle pressórico.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque o paciente, por ter 65 anos, diabetes e PA média de 139×89 mmHg (PAS ≥ 130 e PAD ≥ 80), se enquadra na recomendação de início imediato de tratamento medicamentoso com associação de dois fármacos. A Diretriz Brasileira de Hipertensão de 2025 recomenda, para pacientes com diabetes, o início com IECA ou BRA associado a BCC ou diurético tiazídico. A alternativa menciona exatamente IECA + BCC de longa ação, que é uma das combinações preferenciais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O paciente tem diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica. Embora a PA de consultório seja 135×85 mmHg (estágio 1), a PA média domiciliar de 139×89 mmHg confirma o diagnóstico. Além disso, por ser diabético, o paciente é considerado de alto risco cardiovascular, e a diretriz recomenda início imediato de tratamento farmacológico, não apenas mudança de estilo de vida. A alternativa subestima a gravidade do quadro e contraria as recomendações atuais.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa apresenta erros nos fatores de risco modificáveis. O uso excessivo de álcool é um fator de risco correto, mas a alternativa afirma que se deve aumentar a ingestão de potássio e reduzir a ingestão de sódio, o que está invertido. Na verdade, recomenda-se reduzir a ingestão de sódio e aumentar a ingestão de potássio. Além disso, o tempo de sono menor que 7 horas por noite é um fator de risco, mas a alternativa o apresenta como algo a ser "corrigido" de forma incorreta, pois o correto seria orientar o paciente a dormir adequadamente (7-8 horas), não apenas "questionar" o fator.

Gabarito: letra C

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