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Questão de Medicina — Pneumologia — CESPE / CEBRASPE 2026

MedicinaPneumologia
Código
ce229128
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-MG
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico
Acerca da asbestose, assinale a opção correta.
  1. AA asbestose é uma doença autoimune desencadeada pela mimetização molecular entre proteínas do amianto e antígenos pulmonares, levando à produção de autoanticorpos contra o tecido intersticial.
  2. BO mecanismo fisiopatológico principal da asbestose é a fibrose decorrente da fagocitose frustrada das fibras de amianto pelos macrófagos alveolares, o que desencadeia a liberação de citocinas e fatores de crescimento, que estimulam a inflamação, a deposição de colágeno e, consequentemente, levam à fibrose.
  3. CA asbestose é causada primariamente pela deposição de corpos de amianto ferruginosos na pleura, o que, por sua vez, induz uma reação inflamatória linfocítica que se estende ao parênquima pulmonar, gerando fibrose.
  4. DA principal complicação da asbestose, o mesotelioma, é uma neoplasia epitelial que surge por predisposição genética ativada por ação indireta do asbesto sobre os linfócitos B pulmonares.
  5. EA asbestose resulta da incapacidade dos pneumócitos tipo I de eliminar as fibras curtas de amianto, levando à necrose celular e subsequente deposição de colágeno por ativação direta de fibroblastos.
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GabaritoB — O mecanismo fisiopatológico principal da asbestose é a fibrose decorrente da fagocitose frustrada das fibras de amianto pelos macrófagos alveolares, o que desencadeia a liberação de citocinas e fatores de crescimento, que estimulam a inflamação, a deposição de colágeno e, consequentemente, levam à fibrose.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Asbestose: fisiopatologia e complicações

Gabarito: letra B. A asbestose é uma pneumoconiose (doença pulmonar intersticial difusa) causada pela inalação de fibras de amianto, cujo mecanismo central é a fagocitose frustrada das fibras pelos macrófagos alveolares, com consequente liberação de citocinas e fatores de crescimento que estimulam inflamação, deposição de colágeno e fibrose pulmonar. As demais alternativas distorcem esse mecanismo, atribuindo à doença caráter autoimune, origem pleural, ou envolvendo células e vias que não correspondem à fisiopatologia real.

A asbestose é uma das pneumoconioses, grupo de doenças pulmonares fibroinflamatórias resultantes da inalação e acúmulo de poeiras inorgânicas e minerais nos pulmões. No caso específico do amianto (asbesto), as fibras inaladas atingem os alvéolos e são fagocitadas pelos macrófagos alveolares. Porém, diferentemente de outros agentes, as fibras de amianto são longas e resistentes à degradação, o que impede a digestão completa — é a chamada fagocitose frustrada. Esse processo leva à ativação macrofágica e à liberação de mediadores inflamatórios e fibrogênicos, como citocinas (TNF-alfa, IL-1, IL-8) e fatores de crescimento (TGF-beta, PDGF), que recrutam fibroblastos e estimulam a produção de colágeno, culminando em fibrose intersticial difusa.

A doença tem relação direta com a carga acumulada de exposição ao amianto, sendo mais comum em trabalhadores de mineração, indústria de cimento-amianto, construção naval e isolamento térmico. O quadro clínico típico inclui dispneia progressiva, tosse seca e estertores crepitantes nas bases pulmonares, com padrão restritivo na espirometria e redução da capacidade de difusão do monóxido de carbono (DLCO). Radiologicamente, observam-se opacidades reticulares e, em fases avançadas, faveolamento, predominantemente nas bases e periferia.

É importante distinguir a asbestose de outras doenças relacionadas ao amianto. Enquanto a asbestose é uma fibrose do parênquima pulmonar, as placas pleurais são espessamentos fibrosos da pleura parietal, geralmente assintomáticos e sem relação direta com a fibrose parenquimatosa. Já o mesotelioma maligno é uma neoplasia agressiva das membranas serosas (80% pleural), fortemente associada à exposição ao amianto, mas com patogênese distinta — não é uma complicação direta da fibrose, e sim uma transformação maligna das células mesoteliais. O câncer de pulmão também é uma complicação reconhecida da exposição ao amianto, com risco aumentado especialmente em tabagistas.

A banca explora aqui a confusão entre os mecanismos de diferentes doenças pulmonares: a alternativa A descreve um mecanismo autoimune por mimetismo molecular, que é característico da febre reumática (reação cruzada entre anticorpos anti-estreptococo e proteínas do hospedeiro), não da asbestose. A alternativa C inverte a localização, atribuindo à pleura o papel central na gênese da fibrose parenquimatosa. A alternativa D mistura conceitos de neoplasia e imunidade, e a alternativa E atribui aos pneumócitos tipo I um papel que não corresponde à fisiopatologia real. O critério decisivo para separar as alternativas é identificar qual descreve corretamente o mecanismo celular e molecular da fibrose induzida pelo amianto: fagocitose frustrada pelos macrófagos alveolares.

Asbestose (pneumoconiose)
  • 1Mecanismo central
    • Inalação de fibras de amianto
    • Fagocitose frustrada por macrófagos
    • Liberação de citocinas e fatores de crescimento
    • Fibrose intersticial difusa
  • 2Distinções
    • Placas pleurais (pleura, assintomáticas)
    • Mesotelioma (neoplasia de células mesoteliais)
    • Câncer de pulmão (risco aumentado)
  • 3Outras pneumoconioses
    • Silicose (nódulos, lobos superiores)
    • Carvoeiro (máculas e nódulos)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A asbestose não é uma doença autoimune. O mecanismo descrito — mimetismo molecular entre proteínas do amianto e antígenos pulmonares com produção de autoanticorpos — é característico de doenças autoimunes como a febre reumática, na qual anticorpos contra a proteína M do estreptococo reagem de forma cruzada com proteínas do hospedeiro (miosina, actina). Na asbestose, o dano é mediado pela resposta inflamatória e fibrogênica à inalação das fibras, sem envolvimento de autoanticorpos.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa descreve com precisão a fisiopatologia da asbestose. As fibras de amianto inaladas são fagocitadas pelos macrófagos alveolares, mas não são digeridas — a fagocitose frustrada leva à liberação de citocinas pró-inflamatórias e fatores de crescimento (TGF-beta, PDGF), que estimulam a proliferação de fibroblastos e a deposição de colágeno, resultando em fibrose intersticial difusa. É exatamente esse o mecanismo central da doença.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A asbestose é uma doença do parênquima pulmonar, não da pleura. Os corpos de amianto ferruginosos (fibras revestidas por material proteináceo e ferro) são encontrados no parênquima pulmonar, não na pleura. As lesões pleurais associadas ao amianto (placas pleurais, espessamento, derrame) são manifestações distintas, e não a causa da fibrose parenquimatosa. A reação inflamatória que gera fibrose ocorre nos alvéolos e no interstício pulmonar, não na pleura.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O mesotelioma é uma neoplasia maligna das células mesoteliais das serosas (pleura, peritônio, pericárdio), fortemente associada à exposição ao amianto, mas não é uma complicação direta da asbestose nem surge por predisposição genética ativada por ação sobre linfócitos B. A patogênese do mesotelioma envolve a transformação maligna das células mesoteliais, possivelmente por ação direta das fibras de amianto sobre o DNA celular, e não por mecanismo imunológico mediado por linfócitos B.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Os pneumócitos tipo I são células epiteliais alveolares que revestem a superfície de troca gasosa, mas não são as células responsáveis pela fagocitose de partículas inaladas — essa função é dos macrófagos alveolares. Além disso, a asbestose não resulta de necrose celular por incapacidade de eliminar fibras curtas; o mecanismo central é a fagocitose frustrada pelos macrófagos, com liberação de mediadores que ativam fibroblastos e levam à fibrose.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura mecanismos de doenças diferentes para confundir. A alternativa A descreve o mimetismo molecular da febre reumática (autoimune), a C inverte a localização (pleura em vez de parênquima), a D mistura neoplasia com imunidade, e a E troca os macrófagos alveolares por pneumócitos tipo I. A chave é lembrar que a asbestose é uma pneumoconiose — doença por inalação de poeira mineral — e que o mecanismo central é a fagocitose frustrada pelos macrófagos. Com treino, você identifica essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para questões de pneumoconioses, monte um quadro mental comparando o agente causal, o mecanismo e a localização da lesão. Na asbestose: fibras de amianto → fagocitose frustrada por macrófagos → fibrose intersticial difusa. Na silicose: sílica cristalina → nódulos silicóticos → fibrose de lobos superiores. Na pneumoconiose do carvoeiro: pó de carvão → máculas e nódulos → fibrose. Essa comparação fixa o conteúdo e evita confusões na prova.

Gabarito: letra B

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