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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — CESPE / CEBRASPE 2026

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
ce229133
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-MG
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico
Antônio, enfermeiro de um serviço de saúde, sofre acidente com instrumento perfurocortante contaminado com sangue de um paciente portador do vírus da hepatite B.Nesse caso hipotético, o exame sorológico mais relevante para avaliar o risco de que Antônio venha a desenvolver hepatite clínica, e cuja amostra deve ser colhida imediatamente, é o
  1. Aanti-VHD em Antônio.
  2. BHBeAG no paciente-fonte.
  3. CIgG anti-HBc no paciente-fonte.
  4. Danti-HBs no paciente-fonte.
  5. Eanti-HBE no paciente-fonte.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — HBeAG no paciente-fonte.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Acidente com material biológico e hepatite B: marcadores sorológicos

Gabarito: letra B. No acidente com perfurocortante contaminado com sangue de paciente com hepatite B, o exame mais relevante para avaliar o risco de o profissional desenvolver hepatite clínica é o HBeAg no paciente-fonte, pois sua presença indica alta infectividade e replicação viral ativa, o que orienta a necessidade de imunoprofilaxia (vacina e/ou imunoglobulina) e o acompanhamento do acidentado. A conduta segue as diretrizes do Ministério da Saúde para profilaxia pós-exposição ao vírus da hepatite B (HBV).

O acidente com material biológico é uma situação de urgência que exige conduta imediata e padronizada. O primeiro passo é o cuidado local: lavar a área afetada com água e sabão (pele) ou soro fisiológico (mucosas). Em seguida, o profissional deve procurar atendimento médico para avaliação de risco, coleta de exames sorológicos do acidentado e do paciente-fonte, e indicação de profilaxia. A urgência se justifica porque a quimioprofilaxia contra o HIV é mais eficaz se iniciada em até 2 horas após a exposição, e a imunoprofilaxia contra a hepatite B também deve ser iniciada o quanto antes, idealmente nas primeiras 24 a 48 horas.

A hepatite B é causada pelo vírus HBV, e sua evolução clínica depende de fatores como a carga viral e a presença de replicação ativa. Os marcadores sorológicos têm papéis distintos: o HBsAg indica infecção (aguda ou crônica); o anti-HBc total indica contato prévio com o vírus; o anti-HBc IgM indica infecção aguda ou agudização; o anti-HBs indica imunidade (por vacinação ou cura); e o HBeAg indica replicação viral ativa e alta infectividade. É justamente o HBeAg que, quando presente no paciente-fonte, sinaliza maior risco de transmissão, pois reflete maior quantidade de vírus circulante.

No contexto da profilaxia pós-exposição, a avaliação do paciente-fonte é crucial para decidir a conduta. Se o paciente-fonte for HBsAg positivo, o profissional deve receber imunoglobulina e vacina, independentemente do seu status vacinal. A presença do HBeAg no paciente-fonte aumenta o risco de transmissão e reforça a necessidade de profilaxia. Por isso, o exame mais relevante para avaliar o risco de o profissional desenvolver hepatite clínica é o HBeAg no paciente-fonte, pois sua positividade indica maior infectividade e, portanto, maior probabilidade de transmissão e de doença clínica.

A banca explora a confusão entre os marcadores sorológicos, especialmente entre aqueles que indicam infecção, imunidade e replicação viral. O candidato pode confundir o HBeAg (replicação ativa) com o anti-HBe (soroconversão, geralmente associada à redução da replicação) ou com o anti-HBs (imunidade). A chave é lembrar que, para avaliar o risco de transmissão, o que importa é a infectividade do paciente-fonte, que é diretamente proporcional à replicação viral, indicada pelo HBeAg.

Guarde a distinção entre os marcadores: o HBeAg é o marcador de replicação ativa e alta infectividade; o anti-HBe indica soroconversão e menor infectividade; o anti-HBs indica imunidade; o anti-HBc indica contato prévio. É exatamente essa distinção que separa as alternativas desta questão.

Marcador Sorológico

Indicação

Relevância no Acidente com Material Biológico

HBeAg (paciente-fonte)

Replicação viral ativa e alta infectividade

Mais relevante — indica maior risco de transmissão e orienta profilaxia mais agressiva

Anti-HBe (paciente-fonte)

Soroconversão, menor infectividade

Baixa relevância — geralmente indica redução do risco

Anti-HBs (paciente-fonte)

Imunidade (vacina ou cura)

Baixa relevância — indica ausência de infecção ativa

IgG anti-HBc (paciente-fonte)

Contato prévio com HBV

Baixa relevância — não diferencia infecção ativa/resolvida

Anti-VHD (acidentado)

Infecção pelo vírus da hepatite D

Irrelevante — não avalia risco de transmissão do HBV

1Infecção ativa
HBsAg
HBeAg (replicação e alta infectividade)
2Contato prévio
Anti-HBc total
Anti-HBc IgM (aguda)
3Imunidade
Anti-HBs (vacina ou cura)
4Soroconversão
Anti-HBe (menor infectividade)
Marcadores sorológicos HBV
LEVELsoulevel.com.br
Marcadores sorológicos HBV: Infecção ativa (HBsAg, HBeAg (replicação e alta infectividade)); Contato prévio (Anti-HBc total, Anti-HBc IgM (aguda)); Imunidade (Anti-HBs (vacina ou cura)); Soroconversão (Anti-HBe (menor infectividade))

Alternativa A — ❌ Incorreta

O anti-VHD (anticorpo contra o vírus da hepatite D) não é o exame mais relevante neste contexto. O VHD é um vírus defectivo que depende do HBV para se replicar, e sua pesquisa é indicada em casos específicos, como em pacientes com hepatite B crônica ou com quadro clínico mais grave. No acidente com material biológico, a prioridade é avaliar o risco de transmissão do HBV, não do VHD. Além disso, o anti-VHD não é um marcador de infectividade do HBV.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O HBeAg no paciente-fonte é o exame mais relevante para avaliar o risco de o profissional desenvolver hepatite clínica. A presença do HBeAg indica replicação viral ativa e alta infectividade, ou seja, maior quantidade de vírus no sangue e, portanto, maior risco de transmissão. Esse dado orienta a conduta de profilaxia pós-exposição, que deve ser mais agressiva (imunoglobulina + vacina) e o acompanhamento do acidentado. A coleta deve ser imediata, juntamente com outros marcadores do paciente-fonte, como HBsAg e anti-HBc.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O IgG anti-HBc no paciente-fonte indica contato prévio com o HBV, mas não diferencia infecção aguda, crônica ou resolvida. Sua presença não é um marcador de infectividade ou de replicação viral ativa. Para avaliar o risco de transmissão, o que importa é a presença de HBsAg (infecção ativa) e, principalmente, HBeAg (replicação ativa). O IgG anti-HBc isolado não é suficiente para determinar o risco de transmissão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O anti-HBs no paciente-fonte indica imunidade contra o HBV, seja por vacinação ou por cura da infecção. Sua presença significa que o paciente-fonte não é transmissor do vírus, pois não há infecção ativa. Portanto, não é o exame mais relevante para avaliar o risco de transmissão; pelo contrário, sua positividade indica baixo ou nenhum risco. O exame relevante é o HBeAg, que indica replicação viral ativa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O anti-HBe no paciente-fonte indica soroconversão, ou seja, a passagem da fase de replicação ativa (HBeAg positivo) para a fase de menor replicação (anti-HBe positivo). Sua presença geralmente está associada à redução da infectividade, embora em alguns casos de mutação pré-core possa haver replicação mesmo com anti-HBe positivo. No entanto, o anti-HBe não é o marcador mais relevante para avaliar o risco de transmissão; o HBeAg é o marcador de alta infectividade e é ele que deve ser pesquisado imediatamente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato com os marcadores sorológicos da hepatite B, especialmente entre aqueles que indicam infecção (HBsAg, anti-HBc), imunidade (anti-HBs) e replicação viral (HBeAg). A pegadinha está em trocar o HBeAg (replicação ativa e alta infectividade) pelo anti-HBe (soroconversão e menor infectividade) ou pelo anti-HBs (imunidade). Lembre-se: para avaliar o risco de transmissão, o que importa é a infectividade do paciente-fonte, indicada pelo HBeAg.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte uma tabela mental dos marcadores da hepatite B: HBsAg (infecção ativa), anti-HBc (contato prévio), anti-HBc IgM (infecção aguda), HBeAg (replicação ativa), anti-HBe (soroconversão) e anti-HBs (imunidade). Na profilaxia pós-exposição, o HBeAg do paciente-fonte é o marcador de risco de transmissão.

Gabarito: letra B

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