Antônio, enfermeiro de um serviço de saúde, sofre acidente com instrumento perfurocortante contaminado com sangue de um paciente portador do vírus da hepatite B.Nesse caso hipotético, o exame sorológico mais relevante para avaliar o risco de que Antônio venha a desenvolver hepatite clínica, e cuja amostra deve ser colhida imediatamente, é o
Aanti-VHD em Antônio.
BHBeAG no paciente-fonte.
CIgG anti-HBc no paciente-fonte.
Danti-HBs no paciente-fonte.
Eanti-HBE no paciente-fonte.
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GabaritoB — HBeAG no paciente-fonte.
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Acidente com material biológico e hepatite B: marcadores sorológicos
Gabarito: letra B. No acidente com perfurocortante contaminado com sangue de paciente com hepatite B, o exame mais relevante para avaliar o risco de o profissional desenvolver hepatite clínica é o HBeAg no paciente-fonte, pois sua presença indica alta infectividade e replicação viral ativa, o que orienta a necessidade de imunoprofilaxia (vacina e/ou imunoglobulina) e o acompanhamento do acidentado. A conduta segue as diretrizes do Ministério da Saúde para profilaxia pós-exposição ao vírus da hepatite B (HBV).
O acidente com material biológico é uma situação de urgência que exige conduta imediata e padronizada. O primeiro passo é o cuidado local: lavar a área afetada com água e sabão (pele) ou soro fisiológico (mucosas). Em seguida, o profissional deve procurar atendimento médico para avaliação de risco, coleta de exames sorológicos do acidentado e do paciente-fonte, e indicação de profilaxia. A urgência se justifica porque a quimioprofilaxia contra o HIV é mais eficaz se iniciada em até 2 horas após a exposição, e a imunoprofilaxia contra a hepatite B também deve ser iniciada o quanto antes, idealmente nas primeiras 24 a 48 horas.
A hepatite B é causada pelo vírus HBV, e sua evolução clínica depende de fatores como a carga viral e a presença de replicação ativa. Os marcadores sorológicos têm papéis distintos: o HBsAg indica infecção (aguda ou crônica); o anti-HBc total indica contato prévio com o vírus; o anti-HBc IgM indica infecção aguda ou agudização; o anti-HBs indica imunidade (por vacinação ou cura); e o HBeAg indica replicação viral ativa e alta infectividade. É justamente o HBeAg que, quando presente no paciente-fonte, sinaliza maior risco de transmissão, pois reflete maior quantidade de vírus circulante.
No contexto da profilaxia pós-exposição, a avaliação do paciente-fonte é crucial para decidir a conduta. Se o paciente-fonte for HBsAg positivo, o profissional deve receber imunoglobulina e vacina, independentemente do seu status vacinal. A presença do HBeAg no paciente-fonte aumenta o risco de transmissão e reforça a necessidade de profilaxia. Por isso, o exame mais relevante para avaliar o risco de o profissional desenvolver hepatite clínica é o HBeAg no paciente-fonte, pois sua positividade indica maior infectividade e, portanto, maior probabilidade de transmissão e de doença clínica.
A banca explora a confusão entre os marcadores sorológicos, especialmente entre aqueles que indicam infecção, imunidade e replicação viral. O candidato pode confundir o HBeAg (replicação ativa) com o anti-HBe (soroconversão, geralmente associada à redução da replicação) ou com o anti-HBs (imunidade). A chave é lembrar que, para avaliar o risco de transmissão, o que importa é a infectividade do paciente-fonte, que é diretamente proporcional à replicação viral, indicada pelo HBeAg.
Guarde a distinção entre os marcadores: o HBeAg é o marcador de replicação ativa e alta infectividade; o anti-HBe indica soroconversão e menor infectividade; o anti-HBs indica imunidade; o anti-HBc indica contato prévio. É exatamente essa distinção que separa as alternativas desta questão.
Marcador Sorológico
Indicação
Relevância no Acidente com Material Biológico
HBeAg (paciente-fonte)
Replicação viral ativa e alta infectividade
Mais relevante — indica maior risco de transmissão e orienta profilaxia mais agressiva
Anti-HBe (paciente-fonte)
Soroconversão, menor infectividade
Baixa relevância — geralmente indica redução do risco
Anti-HBs (paciente-fonte)
Imunidade (vacina ou cura)
Baixa relevância — indica ausência de infecção ativa
IgG anti-HBc (paciente-fonte)
Contato prévio com HBV
Baixa relevância — não diferencia infecção ativa/resolvida
Anti-VHD (acidentado)
Infecção pelo vírus da hepatite D
Irrelevante — não avalia risco de transmissão do HBV
Marcadores sorológicos HBV: Infecção ativa (HBsAg, HBeAg (replicação e alta infectividade)); Contato prévio (Anti-HBc total, Anti-HBc IgM (aguda)); Imunidade (Anti-HBs (vacina ou cura)); Soroconversão (Anti-HBe (menor infectividade))
Alternativa A — ❌ Incorreta
O anti-VHD (anticorpo contra o vírus da hepatite D) não é o exame mais relevante neste contexto. O VHD é um vírus defectivo que depende do HBV para se replicar, e sua pesquisa é indicada em casos específicos, como em pacientes com hepatite B crônica ou com quadro clínico mais grave. No acidente com material biológico, a prioridade é avaliar o risco de transmissão do HBV, não do VHD. Além disso, o anti-VHD não é um marcador de infectividade do HBV.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O HBeAg no paciente-fonte é o exame mais relevante para avaliar o risco de o profissional desenvolver hepatite clínica. A presença do HBeAg indica replicação viral ativa e alta infectividade, ou seja, maior quantidade de vírus no sangue e, portanto, maior risco de transmissão. Esse dado orienta a conduta de profilaxia pós-exposição, que deve ser mais agressiva (imunoglobulina + vacina) e o acompanhamento do acidentado. A coleta deve ser imediata, juntamente com outros marcadores do paciente-fonte, como HBsAg e anti-HBc.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O IgG anti-HBc no paciente-fonte indica contato prévio com o HBV, mas não diferencia infecção aguda, crônica ou resolvida. Sua presença não é um marcador de infectividade ou de replicação viral ativa. Para avaliar o risco de transmissão, o que importa é a presença de HBsAg (infecção ativa) e, principalmente, HBeAg (replicação ativa). O IgG anti-HBc isolado não é suficiente para determinar o risco de transmissão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O anti-HBs no paciente-fonte indica imunidade contra o HBV, seja por vacinação ou por cura da infecção. Sua presença significa que o paciente-fonte não é transmissor do vírus, pois não há infecção ativa. Portanto, não é o exame mais relevante para avaliar o risco de transmissão; pelo contrário, sua positividade indica baixo ou nenhum risco. O exame relevante é o HBeAg, que indica replicação viral ativa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O anti-HBe no paciente-fonte indica soroconversão, ou seja, a passagem da fase de replicação ativa (HBeAg positivo) para a fase de menor replicação (anti-HBe positivo). Sua presença geralmente está associada à redução da infectividade, embora em alguns casos de mutação pré-core possa haver replicação mesmo com anti-HBe positivo. No entanto, o anti-HBe não é o marcador mais relevante para avaliar o risco de transmissão; o HBeAg é o marcador de alta infectividade e é ele que deve ser pesquisado imediatamente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato com os marcadores sorológicos da hepatite B, especialmente entre aqueles que indicam infecção (HBsAg, anti-HBc), imunidade (anti-HBs) e replicação viral (HBeAg). A pegadinha está em trocar o HBeAg (replicação ativa e alta infectividade) pelo anti-HBe (soroconversão e menor infectividade) ou pelo anti-HBs (imunidade). Lembre-se: para avaliar o risco de transmissão, o que importa é a infectividade do paciente-fonte, indicada pelo HBeAg.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental dos marcadores da hepatite B: HBsAg (infecção ativa), anti-HBc (contato prévio), anti-HBc IgM (infecção aguda), HBeAg (replicação ativa), anti-HBe (soroconversão) e anti-HBs (imunidade). Na profilaxia pós-exposição, o HBeAg do paciente-fonte é o marcador de risco de transmissão.