Questão de Medicina — Urologia — CESPE / CEBRASPE 2026
Medicina›Urologia
Código
ce229140
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-MG
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico
Certa paciente, com 30 anos de idade, procurou atendimento em pronto-socorro com queixas de dor que perduravam há três dias. Sentia cólicas na região lombar direita, com irradiação para a região inguinal direita, e apresentava náuseas, vômitos, oligúria, disúria e hematúria. Relatou que apresentou febre de 39 °C e calafrios nas últimas 24 horas. A paciente em questão tem histórico de cálculo renal, nega comorbidades e alergias e não faz uso de medicação regular. Ao exame físico, identificou-se fácies de dor, sudorese, temperatura de 38,9 °C, Giordano positivo no lado direito e ausência de outras alterações. Após a realização de tomografia de abdômen, sem contraste, detectou-se cálculo ureteral próximo a JUV de 0,5 cm.A partir da situação hipotética precedente, assinale a opção que corresponde à conduta médica adequada frente ao quadro clínico da paciente.
Ainternação hospitalar, urocultura, antibioticoterapia EV, podendo-se optar por ceftriaxona 1 g a cada 12 horas por 14 dias, e intervenção para desobstrução
Bamoxicilina + clavulanato VO 500/125 mg a cada 8 horas por 7 dias, tansulosina VO e acompanhamento ambulatorial
Curocultura, amoxicilina + clavulanato 500/125 mg VO a cada 8 horas por 7 dias, tansulosina VO e acompanhamento ambulatorial
Danalgesia EV, tansulosina VO e acompanhamento ambulatorial, com solicitação de urocultura
Eanalgesia EV, urocultura, nitrofurantoína VO 100 mg a cada 6 horas por 5 dias e acompanhamento ambulatorial
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GabaritoA — internação hospitalar, urocultura, antibioticoterapia EV, podendo-se optar por ceftriaxona 1 g a cada 12 horas por 14 dias, e intervenção para desobstrução
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Cólica renal complicada com sepse urinária: conduta de emergência
Gabarito: letra A. A paciente apresenta cólica renal com sinais de sepse urinária (febre alta, calafrios, Giordano positivo, cálculo ureteral obstrutivo de 0,5 cm), o que configura emergência médica: está indicada internação hospitalar, urocultura, antibioticoterapia intravenosa e intervenção para desobstrução do trato urinário. As demais alternativas propõem tratamento ambulatorial ou antibiótico inadequado para sepse, o que contraria a gravidade do quadro.
A cólica renal é a dor intensa causada pela obstrução aguda do trato urinário por um cálculo, geralmente no ureter. O quadro clássico é dor lombar em cólica, irradiada para a região inguinal/genital, acompanhada de náuseas, vômitos e hematúria. O diagnóstico é confirmado por tomografia computadorizada sem contraste, que identifica o cálculo e sua localização. No caso, o cálculo de 0,5 cm no ureter distal (próximo à junção ureterovesical) é pequeno e tem boa chance de eliminação espontânea — mas isso vale apenas para o paciente sem complicações.
O que muda o manejo é a presença de febre alta (39 °C), calafrios e Giordano positivo, que indicam infecção do trato urinário associada à obstrução — a chamada pielonefrite obstrutiva ou sepse urinária. Nessa situação, o cálculo obstrui o fluxo de urina, criando um ambiente propício à proliferação bacteriana e à absorção de toxinas para a corrente sanguínea. A obstrução + infecção é uma emergência urológica: sem descompressão urgente, o paciente pode evoluir para choque séptico e óbito. Por isso, a conduta correta é internação, coleta de urocultura, antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro e desobstrução imediata do trato urinário, seja por stent ureteral (duplo J) ou nefrostomia percutânea.
A antibioticoterapia empírica para sepse urinária deve ser intravenosa e de amplo espectro, cobrindo os patógenos mais comuns (enterobactérias, especialmente E. coli). A ceftriaxona 1 g a cada 12 horas é uma opção adequada, mantida por 14 dias, conforme a alternativa A. O tratamento ambulatorial com antibiótico oral (amoxicilina-clavulanato) ou com nitrofurantoína (que não atinge níveis terapêuticos no parênquima renal) é insuficiente e perigoso nesse cenário. A tansulosina, alfabloqueador que facilita a passagem do cálculo, é útil no tratamento conservador da cólica não complicada, mas não trata a sepse.
A distinção central que a banca explora é entre cólica renal não complicada (manejo ambulatorial com analgesia, tansulosina e acompanhamento) e cólica renal complicada com infecção/sepse (emergência, internação e desobstrução). A presença de febre, calafrios e sinais de infecção sistêmica é o divisor de águas. O candidato que memoriza apenas o algoritmo da cólica simples erra ao escolher uma alternativa ambulatorial. A pegadinha está em reconhecer que o cálculo de 0,5 cm, apesar de pequeno, torna-se grave quando associado a infecção obstrutiva.
Guarde o critério decisivo: cálculo ureteral + febre/calafrios = sepse urinária = emergência com desobstrução. É exatamente nesse ponto que as alternativas se dividem.
Cólica renal
1Não complicada
Analgesia
Tansulosina
Acompanhamento ambulatorial
2Complicada (sepse urinária)
Febre/calafrios
Giordano positivo
Obstrução + infecção
Emergência
Internação
Urocultura
Antibiótico EV
Desobstrução (stent/nefrostomia)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conduta está correta e completa: internação hospitalar (necessária para sepse), urocultura (para guiar a antibioticoterapia), antibioticoterapia intravenosa com ceftriaxona 1 g a cada 12 horas por 14 dias (esquema adequado para pielonefrite aguda grave/sepse urinária) e intervenção para desobstrução (stent ureteral ou nefrostomia). A desobstrução é o passo essencial para controlar o foco infeccioso — sem ela, o antibiótico não resolve a sepse.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Propõe tratamento ambulatorial com amoxicilina-clavulanato oral, tansulosina e acompanhamento. O erro é grave: a paciente tem sepse urinária (febre, calafrios, Giordano positivo), que exige internação e antibiótico intravenoso. Antibiótico oral não é adequado para sepse, e a ausência de desobstrução coloca a paciente em risco de choque séptico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Semelhante à B, mas acrescenta urocultura. Apesar da coleta de cultura, mantém o erro de tratar sepse com antibiótico oral e sem internação. A urocultura é importante, mas não substitui a necessidade de antibioticoterapia intravenosa e desobstrução urgente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Propõe apenas analgesia, tansulosina e acompanhamento ambulatorial, com urocultura. Ignora completamente a sepse urinária. A analgesia e a tansulosina são o manejo da cólica não complicada; aqui, a infecção obstrutiva exige intervenção imediata. A urocultura sem tratamento adequado é inútil diante da gravidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Usa nitrofurantoína oral, que é inadequada para pielonefrite/sepse urinária (não atinge níveis terapêuticos no parênquima renal e não trata infecção sistêmica). Além disso, mantém o paciente em acompanhamento ambulatorial, sem desobstrução. A nitrofurantoína é indicada apenas para cistite não complicada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre cólica renal simples e cólica complicada com sepse. O cálculo de 0,5 cm é pequeno e, isoladamente, seria tratado ambulatorialmente — mas a febre, os calafrios e o Giordano positivo mudam tudo. O candidato que foca apenas no tamanho do cálculo e na tansulosina cai nas alternativas B, C ou D. Lembre-se: febre + obstrução = emergência, sempre.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, ao ler um caso de cólica renal, procure ativamente por sinais de complicação: febre, calafrios, hipotensão, confusão mental, oligúria/anúria. Se houver qualquer um deles, a conduta é internação + antibiótico EV + desobstrução. Se não houver, o manejo é ambulatorial com analgesia, tansulosina e acompanhamento. Essa dicotomia resolve a maioria das questões sobre o tema.