Doenças reumáticas: gota, dermatomiosite, lúpus, Sjögren e esclerose sistêmica
Gabarito: letra E. A alternativa correta descreve com precisão a evolução do fenômeno de Raynaud secundário na esclerose sistêmica: a isquemia recorrente leva a alterações estruturais irreversíveis nos pequenos vasos, culminando em úlceras isquêmicas nas pontas dos dedos, necrose e, em casos graves, amputação. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre outras doenças reumáticas, como a localização das crises de gota, as lesões da dermatomiosite, o eritema do lúpus e os achados laboratoriais da síndrome de Sjögren.
As doenças reumáticas autoimunes formam um grupo heterogêneo de condições que afetam principalmente o tecido conjuntivo, com manifestações musculoesqueléticas, cutâneas, vasculares e sistêmicas. Cada uma tem um perfil clínico-laboratorial característico, e a banca explora justamente as confusões mais comuns entre elas. Vamos analisar cada uma das doenças citadas para entender por que apenas a letra E está correta.
Gota: é uma artropatia por deposição de cristais de urato monossódico. A crise aguda clássica acomete a primeira articulação metatarsofalangiana (podagra), e não os tornozelos e joelhos como afirma a alternativa A. Embora essas articulações possam ser afetadas em crises posteriores, a apresentação inicial típica é no hálux.
Dermatomiosite: é uma miopatia inflamatória com manifestações cutâneas características, como as pápulas de Gottron e o sinal de Gottron, além do heliótropo (eritema violáceo periorbitário). As úlceras genitais não fazem parte do quadro típico; elas são mais associadas a outras condições, como a doença de Behçet. A alternativa B, portanto, está incorreta.
Lúpus eritematoso sistêmico (LES): o eritema em asa de borboleta (malar) é uma manifestação cutânea clássica, mas não é a dermatite crônica mais comum. A lesão cutânea mais frequente é a fotossensibilidade, que pode se manifestar como rash malar agudo ou lesões discóides crônicas. A alternativa C generaliza de forma incorreta.
Síndrome de Sjögren: é uma doença autoimune que afeta principalmente as glândulas exócrinas, causando sicca (olhos secos e boca seca). Os achados laboratoriais típicos incluem hipergamaglobulinemia, fator reumatoide positivo e anticorpos anti-Ro/SSA e anti-La/SSB. A leucocitose não é um achado característico; na verdade, pode haver leucopenia. A alternativa D está incorreta.
Esclerose sistêmica: é uma doença autoimune do tecido conjuntivo caracterizada por fibrose cutânea e visceral, além de vasculopatia. O fenômeno de Raynaud é uma manifestação precoce e frequente, e quando secundário à esclerose sistêmica, pode evoluir para úlceras digitais, necrose e até amputação, devido à isquemia crônica e às alterações estruturais irreversíveis dos pequenos vasos. A alternativa E descreve exatamente essa evolução, sendo a correta.
A pegadinha da questão está em trocar as manifestações típicas de cada doença, fazendo o candidato confundir, por exemplo, a localização da gota com outras articulações, ou as lesões cutâneas da dermatomiosite com úlceras genitais. É fundamental conhecer as características clínicas distintivas de cada doença reumática para evitar esses erros.
Doença Reumática | Característica Clínica Típica | Achado Laboratorial/Complicação |
|---|
Gota | Crise aguda clássica na 1ª articulação metatarsofalangiana (podagra) | Deposição de cristais de urato monossódico |
Dermatomiosite | Pápulas de Gottron, sinal de Gottron, heliótropo (eritema violáceo periorbitário) | Miopatia inflamatória; úlceras genitais não são típicas |
Lúpus eritematoso sistêmico (LES) | Rash malar em asa de borboleta (agudo); lúpus discóide é a lesão crônica mais comum | Fotossensibilidade; anticorpos antinucleares |
Síndrome de Sjögren | Sicca (olhos e boca secos) | Hipergamaglobulinemia, FR positivo, anti-Ro/SSA e anti-La/SSB; pode haver leucopenia |
Esclerose sistêmica | Fenômeno de Raynaud secundário precoce | Vasculopatia com úlceras isquêmicas digitais, necrose e amputação |
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que nas crises iniciais de gota as articulações dos tornozelos e joelhos são as mais acometidas. Isso está errado: a crise aguda de gota clássica acomete a primeira articulação metatarsofalangiana (podagra), que é o local mais comum. Tornozelos e joelhos podem ser afetados, mas não são os mais frequentes nas crises iniciais. A banca troca a localização típica para confundir o candidato.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que úlceras genitais são as lesões mais específicas da dermatomiosite e ocorrem no escroto ou nos lábios vulvares. Isso é incorreto: as lesões cutâneas características da dermatomiosite são as pápulas de Gottron, o sinal de Gottron e o heliótropo (eritema violáceo periorbitário). Úlceras genitais não fazem parte do quadro típico; elas são mais associadas à doença de Behçet, por exemplo. A banca troca as manifestações cutâneas da dermatomiosite por outras lesões.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o eritema fotossensível em borboleta é a dermatite crônica mais comum em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico. Embora o rash malar em asa de borboleta seja uma manifestação clássica e aguda do LES, a lesão cutânea crônica mais comum é o lúpus discóide, que se apresenta como placas eritematosas descamativas, com atrofia e cicatrizes. A fotossensibilidade é frequente, mas o rash malar não é a dermatite crônica mais comum. A alternativa generaliza e confunde o quadro agudo com o crônico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que exames laboratoriais de rotina em pacientes com síndrome de Sjögren podem revelar leucocitose e, em pouca frequência, linfocitose. Isso está incorreto: na síndrome de Sjögren, os achados laboratoriais típicos incluem hipergamaglobulinemia, fator reumatoide positivo e anticorpos anti-Ro/SSA e anti-La/SSB. A leucocitose não é um achado característico; na verdade, pode haver leucopenia (diminuição dos leucócitos). A banca inverte o achado esperado.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente a evolução do fenômeno de Raynaud secundário na esclerose sistêmica. O fenômeno de Raynaud é uma manifestação precoce e frequente na esclerose sistêmica, e quando secundário, pode evoluir para alterações estruturais irreversíveis nos pequenos vasos sanguíneos, levando a úlceras isquêmicas nas pontas dos dedos, necrose e, em casos graves, amputação. Essa é uma complicação bem documentada da doença, e a alternativa está correta.
Gabarito: letra E