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Questão de Medicina — Endocrinologia — CESPE / CEBRASPE 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
ce229144
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-MG
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico
Assinale a opção correta, no que se refere a doenças endócrinas.
  1. AA síndrome de Cushing não está relacionada ao adenoma corticotrófico hipofisário.
  2. BAs mulheres com tireotoxicose apresentam hipermenorreia com frequência, enquanto os homens apresentam exacerbação da libido e, muitas vezes, comportamento sexual compulsivo.
  3. CA terapia clínica com fármacos antitireoidianos e betabloqueadores, tratamento ideal de acompanhamento a longo prazo de adenoma tóxico, pode normalizar a função da tireoide.
  4. DA apresentação mais comum e com manifestação clínica da tireoidite crônica é a tireoidite de Riedel.
  5. EOs portadores de síndrome de Cushing apresentam risco de trombose venosa profunda, com embolia pulmonar subsequente, devido a um estado de hipercoagulabilidade associado.
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GabaritoE — Os portadores de síndrome de Cushing apresentam risco de trombose venosa profunda, com embolia pulmonar subsequente, devido a um estado de hipercoagulabilidade associado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de Cushing e doenças endócrinas

Gabarito: letra E. A alternativa correta é a que associa a síndrome de Cushing a um estado de hipercoagulabilidade, com risco aumentado de trombose venosa profunda e embolia pulmonar — uma complicação reconhecida e grave dessa condição. As demais alternativas contêm erros conceituais: a síndrome de Cushing está sim relacionada ao adenoma corticotrófico hipofisário (doença de Cushing), a tireotoxicose costuma causar oligomenorreia (não hipermenorreia), o adenoma tóxico é tratado preferencialmente com iodo radioativo ou cirurgia (não com antitireoidianos a longo prazo), e a tireoidite de Hashimoto é a forma mais comum de tireoidite crônica, não a de Riedel.

A síndrome de Cushing é o conjunto de sinais e sintomas resultantes da exposição prolongada a níveis elevados de glicocorticoides. A causa mais comum é o uso crônico de corticosteroides exógenos, mas entre as causas endógenas destaca-se a doença de Cushing, que é justamente a síndrome de Cushing causada por um adenoma corticotrófico hipofisário que secreta ACTH em excesso. Esse excesso de ACTH estimula as adrenais a produzirem cortisol em quantidade aumentada. Portanto, a alternativa A, que nega essa relação, está incorreta.

O estado de hipercoagulabilidade na síndrome de Cushing é um fenômeno bem documentado. O excesso de cortisol aumenta a síntese hepática de fatores de coagulação (como fibrinogênio, fator VIII e fator de von Willebrand) e diminui a fibrinólise, criando um ambiente pró-trombótico. Isso se traduz em risco aumentado de trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar (EP), especialmente no período pós-operatório de cirurgia hipofisária ou adrenal. Essa é uma complicação que o clínico deve sempre ter em mente, pois pode ser fatal.

A tireotoxicose, por sua vez, afeta o ciclo menstrual de forma característica. O excesso de hormônios tireoidianos acelera o metabolismo e altera o eixo hipotálamo-hipófise-ovariano, resultando comumente em oligomenorreia (ciclos mais longos e fluxo reduzido) ou até amenorreia. A hipermenorreia (fluxo menstrual excessivo) não é a apresentação típica. Nos homens, a tireotoxicose pode causar diminuição da libido e disfunção erétil, não exacerbação da libido. A alternativa B inverte completamente o quadro clínico esperado.

O adenoma tóxico é um nódulo autônomo da tireoide que produz hormônios em excesso, causando hipertireoidismo. O tratamento de escolha para o adenoma tóxico é o iodo radioativo (radioiodoterapia) ou a cirurgia, pois são terapias definitivas que eliminam o nódulo. Os fármacos antitireoidianos (como metimazol) e betabloqueadores são úteis para controle temporário dos sintomas antes do tratamento definitivo, mas não são indicados como terapia de longo prazo, pois não curam o adenoma e têm risco de efeitos adversos. A alternativa C, portanto, está incorreta ao afirmar que essa é a terapia ideal de acompanhamento a longo prazo.

A tireoidite crônica mais comum é a tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune que é a principal causa de hipotireoidismo em áreas com iodo suficiente. A tireoidite de Riedel é uma forma rara e fibrosante de tireoidite, que se apresenta como um bócio endurecido e pode causar sintomas compressivos. A alternativa D troca as duas: apresenta a forma rara como a mais comum.

A pegadinha central desta questão é que a banca mistura conhecimentos de endocrinologia com complicações clínicas menos óbvias. O candidato pode se sentir tentado a marcar uma alternativa que fale de um tratamento ou de uma apresentação clínica mais "decorável", mas a correta exige conhecimento de uma complicação específica e grave da síndrome de Cushing. Guarde bem: síndrome de Cushing = hipercoagulabilidade = risco de TVP/EP.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a síndrome de Cushing não está relacionada ao adenoma corticotrófico hipofisário. Isso é falso: o adenoma corticotrófico hipofisário é a causa da doença de Cushing, que é a forma mais comum de síndrome de Cushing endógena (ACTH-dependente). O adenoma secreta ACTH em excesso, estimulando as adrenais a produzir cortisol em quantidade aumentada. A alternativa nega exatamente a relação causal mais importante.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que mulheres com tireotoxicose apresentam hipermenorreia com frequência e que homens apresentam exacerbação da libido. Isso é o oposto do que ocorre: a tireotoxicose causa oligomenorreia ou amenorreia nas mulheres (devido à aceleração do metabolismo e alteração do eixo hormonal) e diminuição da libido nos homens. A alternativa inverte completamente o quadro clínico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a terapia clínica com antitireoidianos e betabloqueadores é o tratamento ideal de acompanhamento a longo prazo do adenoma tóxico. Isso é falso: o tratamento definitivo do adenoma tóxico é iodo radioativo ou cirurgia. Os antitireoidianos e betabloqueadores são usados apenas para controle temporário dos sintomas antes do tratamento definitivo, não como terapia de longo prazo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a apresentação mais comum de tireoidite crônica é a tireoidite de Riedel. Isso é falso: a forma mais comum é a tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune. A tireoidite de Riedel é uma forma rara e fibrosante, que se apresenta com bócio endurecido e sintomas compressivos. A alternativa troca a forma comum pela rara.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que portadores de síndrome de Cushing apresentam risco de trombose venosa profunda com embolia pulmonar subsequente devido a um estado de hipercoagulabilidade. Isso é correto: o excesso de cortisol aumenta a síntese de fatores de coagulação e diminui a fibrinólise, criando um estado pró-trombótico. Esse risco é particularmente relevante no pós-operatório de cirurgias para tratamento da síndrome de Cushing.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão de apresentações clínicas. Na tireotoxicose, o candidato pode achar que o excesso de hormônio "acelera tudo", inclusive o fluxo menstrual e a libido — mas o efeito real é o oposto: oligomenorreia e diminuição da libido. Da mesma forma, a tireoidite de Hashimoto (comum) é trocada pela de Riedel (rara). Fique atento a essas inversões clássicas.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de endocrinologia, monte um quadro mental das complicações de cada síndrome. Para a síndrome de Cushing, lembre-se de: hipercoagulabilidade (TVP/EP), osteoporose, diabetes, hipertensão, imunossupressão. Para a tireotoxicose: perda de peso, taquicardia, tremor, oligomenorreia. Essas associações diretas resolvem muitas questões.

Gabarito: letra E

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