Questão de Medicina — Endocrinologia — CESPE / CEBRASPE 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
ce229145
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-MG
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico
Com relação a doenças endócrinas, assinale a opção correta.
AA gastrite crônica é a complicação gastrintestinal mais comum da obesidade.
BA doença hepática não gordurosa tornou-se a hepatopatia mais comum associada ao excesso de peso, em parte como consequência da resistência à insulina presente na síndrome metabólica.
CO adelgaçamento do terço externo das sobrancelhas é um sinal patognomônico de hipotireoidismo.
DA intolerância à glicose desenvolvida no primeiro trimestre da gravidez é classificada como diabetes gestacional.
EA resistência à insulina no fígado na diabetes melito tipo 2 reflete a incapacidade da hiperinsulinemia de suprimir a gliconeogênese, o que resulta em hiperglicemia de jejum e menor armazenamento de glicogênio pelo fígado no estado pós-prandial.
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GabaritoE — A resistência à insulina no fígado na diabetes melito tipo 2 reflete a incapacidade da hiperinsulinemia de suprimir a gliconeogênese, o que resulta em hiperglicemia de jejum e menor armazenamento de glicogênio pelo fígado no estado pós-prandial.
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Doenças endócrinas: fisiopatologia da resistência insulínica e diagnóstico diferencial
Gabarito: letra E. A alternativa correta descreve com precisão o papel da resistência à insulina no fígado na diabetes melito tipo 2: a hiperinsulinemia não consegue suprimir a gliconeogênese, gerando hiperglicemia de jejum e redução do armazenamento de glicogênio no estado pós-prandial. As demais alternativas contêm erros conceituais que serão detalhados a seguir.
A questão aborda a fisiopatologia da diabetes melito tipo 2 e da síndrome metabólica, exigindo do candidato o domínio de conceitos como resistência insulínica, gliconeogênese e diagnóstico de diabetes gestacional. Vamos analisar cada alternativa com profundidade, começando pelos fundamentos da resistência à insulina.
A resistência à insulina é um estado no qual os tecidos-alvo (fígado, músculo e tecido adiposo) respondem de forma diminuída à ação da insulina. No fígado, a insulina normalmente suprime a gliconeogênese (produção de glicose a partir de precursores não-carboidratos) e estimula a glicogênese (armazenamento de glicose como glicogênio). Na diabetes melito tipo 2, a resistência hepática à insulina faz com que a hiperinsulinemia compensatória não consiga suprimir a gliconeogênese, resultando em produção hepática excessiva de glicose — principal determinante da hiperglicemia de jejum. No estado pós-prandial, a captação de glicose pelo fígado e a síntese de glicogênio também estão prejudicadas, contribuindo para a hiperglicemia pós-prandial.
A síndrome metabólica é um conjunto de fatores de risco cardiovascular que inclui obesidade abdominal, dislipidemia, hipertensão arterial e alterações no metabolismo da glicose. A resistência à insulina é o elo fisiopatológico central, e a doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) é considerada sua manifestação hepática. A DHGNA tornou-se a hepatopatia mais comum associada ao excesso de peso, com prevalência de 75 a 100% em populações com alterações metabólicas decorrentes da resistência insulínica.
A alternativa B afirma que a doença hepática não gordurosa tornou-se a hepatopatia mais comum associada ao excesso de peso. O erro está na palavra "não gordurosa" — o correto é "gordurosa não alcoólica" (DHGNA). A DHGNA é caracterizada pela presença de gordura no fígado (>5%) na ausência de consumo excessivo de álcool, hepatite crônica ou outras doenças hepáticas. É uma manifestação comum da síndrome metabólica e ocorre em até 50% dos pacientes com diabetes melito tipo 2.
A alternativa C afirma que o adelgaçamento do terço externo das sobrancelhas é um sinal patognomônico de hipotireoidismo. O erro está no termo "patognomônico" — esse sinal (conhecido como sinal de Hertoghe) é característico do hipotireoidismo, mas não é patognomônico, pois pode estar presente em outras condições como hanseníase, lúpus eritematoso, dermatite atópica e envelhecimento. Um sinal patognomônico é aquele que, quando presente, é suficiente para estabelecer o diagnóstico com certeza — o que não é o caso.
A alternativa D afirma que a intolerância à glicose desenvolvida no primeiro trimestre da gravidez é classificada como diabetes gestacional. O erro está no período gestacional: o diabetes gestacional é definido como intolerância à glicose com início ou primeiro reconhecimento durante a gestação, mas o rastreamento e diagnóstico são realizados tipicamente entre 24 e 28 semanas (segundo trimestre). A hiperglicemia detectada no primeiro trimestre geralmente representa diabetes pré-gestacional não diagnosticado, não diabetes gestacional.
A alternativa A afirma que a gastrite crônica é a complicação gastrintestinal mais comum da obesidade. O erro é que a complicação gastrintestinal mais comum da obesidade é a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), não a gastrite crônica. A obesidade aumenta a pressão intra-abdominal, favorecendo o refluxo gastroesofágico. A gastrite crônica está mais associada à infecção por Helicobacter pylori, uso de AINEs e outros fatores.
A alternativa E, correta, descreve com precisão a fisiopatologia da resistência insulínica hepática na diabetes melito tipo 2. A hiperinsulinemia (aumento compensatório de insulina) não consegue suprimir a gliconeogênese hepática, resultando em hiperglicemia de jejum. No estado pós-prandial, a captação de glicose pelo fígado e a síntese de glicogênio estão reduzidas, contribuindo para a hiperglicemia pós-prandial.
Resistência à insulina (DM2)
1Fígado
Gliconeogênese não suprimida
Glicogênese reduzida
Resultado: hiperglicemia de jejum
2Músculo
Captação de glicose reduzida
Resultado: hiperglicemia pós-prandial
3Tecido adiposo
Lipólise aumentada
Resultado: ácidos graxos livres elevados
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A gastrite crônica não é a complicação gastrintestinal mais comum da obesidade. A complicação gastrintestinal mais comum associada à obesidade é a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), devido ao aumento da pressão intra-abdominal que favorece o refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago. A gastrite crônica está mais relacionada à infecção por Helicobacter pylori, uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e outros fatores, não sendo uma complicação diretamente ligada à obesidade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O erro está na palavra "não gordurosa". O correto é "doença hepática gordurosa não alcoólica" (DHGNA), que se tornou a hepatopatia mais comum associada ao excesso de peso. A DHGNA é caracterizada pela presença de gordura no fígado (>5%) na ausência de consumo excessivo de álcool, hepatite crônica ou outras doenças hepáticas. É considerada uma manifestação comum da síndrome metabólica, com alta prevalência (75 a 100%) em populações com alterações metabólicas consequentes à resistência insulínica, como obesidade abdominal, síndrome metabólica e diabetes tipo 2.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O erro está no termo "patognomônico". O adelgaçamento do terço externo das sobrancelhas (sinal de Hertoghe) é um sinal característico do hipotireoidismo, mas não é patognomônico, pois pode estar presente em outras condições como hanseníase, lúpus eritematoso sistêmico, dermatite atópica e até no envelhecimento normal. Um sinal patognomônico é aquele que, isoladamente, é suficiente para estabelecer o diagnóstico — o que não se aplica a este caso.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O erro está no período gestacional. O diabetes gestacional é definido como intolerância à glicose com início ou primeiro reconhecimento durante a gestação, mas o rastreamento e diagnóstico são realizados tipicamente entre 24 e 28 semanas de gestação (segundo trimestre). A hiperglicemia detectada no primeiro trimestre geralmente representa diabetes pré-gestacional não diagnosticado (diabetes melito tipo 2 ou tipo 1 preexistente), não diabetes gestacional. O diagnóstico precoce no primeiro trimestre sugere doença prévia à gestação.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão a fisiopatologia da resistência insulínica hepática na diabetes melito tipo 2. No fígado, a insulina normalmente suprime a gliconeogênese e estimula a síntese de glicogênio. Na resistência à insulina, a hiperinsulinemia compensatória não consegue suprimir a gliconeogênese, resultando em produção hepática excessiva de glicose — principal determinante da hiperglicemia de jejum. No estado pós-prandial, a captação de glicose pelo fígado e a síntese de glicogênio estão prejudicadas, contribuindo para a hiperglicemia pós-prandial. A descrição está fisiologicamente correta e reflete o entendimento atual da patogênese da diabetes melito tipo 2.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a troca de termos sutis: "não gordurosa" em vez de "gordurosa não alcoólica" (alternativa B), "patognomônico" em vez de "característico" (alternativa C), e "primeiro trimestre" em vez de "segundo trimestre" (alternativa D). Essas inversões são clássicas em questões de endocrinologia — fique atento a cada palavra.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de fisiopatologia, monte um mapa mental: resistência à insulina → fígado (gliconeogênese aumentada, glicogênese reduzida) → hiperglicemia de jejum; músculo (captação de glicose reduzida) → hiperglicemia pós-prandial; tecido adiposo (lipólise aumentada) → ácidos graxos livres elevados. Essa sequência cai frequentemente em provas.