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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — CESPE / CEBRASPE 2026

MedicinaClínica Médica Humana
Código
ce229147
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-MG
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico
No que diz respeito a doenças renais, assinale a opção correta.
  1. AA maioria dos antígenos glomerulares ou mesangiais envolvidos na glomerulonefrite imunomediada é desconhecida.
  2. BQuando a creatinina sérica sobe rapidamente no decorrer de poucos dias, a nefrite aguda é denominada glomerulonefrite membranoproliferativa.
  3. CA síndrome nefrótica descreve o início de uma proteinúria ainda não significativa (menos de 1 g em 24 h), hipotensão arterial, hematúria macroscópica, entre outros sinais.
  4. DA insuficiência hepática pode causar um quadro de insuficiência renal aguda classificada como intrínseca ou parenquimatosa.
  5. ESob o ponto de vista do estilo de vida como fator predisponente, o tabagismo não é um fator de risco estabelecido para o desenvolvimento de doença renal crônica.
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GabaritoA — A maioria dos antígenos glomerulares ou mesangiais envolvidos na glomerulonefrite imunomediada é desconhecida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doenças renais: glomerulonefrites, síndromes glomerulares e fatores de risco

Gabarito: letra A. A afirmativa está correta porque, na maioria das glomerulonefrites imunomediadas, os antígenos glomerulares ou mesangiais envolvidos na patogênese não são identificados — ou seja, permanecem desconhecidos. As demais alternativas distorcem conceitos fundamentais da nefrologia: a rápida elevação da creatinina caracteriza a glomerulonefrite rapidamente progressiva (GNRP), não a membranoproliferativa; a síndrome nefrótica exige proteinúria maciça (> 3,5 g/24h), não proteinúria < 1 g; a insuficiência hepática causa IRA pré-renal (funcional), não intrínseca; e o tabagismo é, sim, fator de risco estabelecido para doença renal crônica.

A questão exige domínio das síndromes glomerulares e dos fatores de risco para doença renal crônica. Vamos organizar o raciocínio por conceitos-chave.

Glomerulonefrites imunomediadas e seus antígenos: As glomerulonefrites imunomediadas podem ser causadas por depósito de imunocomplexos circulantes (antígenos exógenos, como os de infecções, ou endógenos, como o DNA no lúpus) ou por anticorpos que reagem diretamente contra antígenos presentes no glomérulo (como na doença anti-MBG). No entanto, na prática clínica, a maioria dos casos é idiopática — o antígeno desencadeante não é identificado. É exatamente isso que a alternativa A afirma: a maioria dos antígenos glomerulares ou mesangiais envolvidos na glomerulonefrite imunomediada é desconhecida. Isso é verdadeiro e reflete a limitação diagnóstica atual: mesmo com biópsia e imunofluorescência, muitas vezes não se consegue determinar o antígeno específico que iniciou a resposta imune.

Síndrome nefrótica vs. síndrome nefrítica: A síndrome nefrótica é definida por proteinúria maciça (> 3,5 g/24h em adultos), hipoalbuminemia, edema, hiperlipidemia e lipidúria. Já a síndrome nefrítica é caracterizada por oligúria, edema, hipertensão arterial, proteinúria (em geral < 3,5 g/24h) e sedimento urinário ativo com eritrócitos dismórficos e cilindros hemáticos. A alternativa C inverte completamente esses conceitos, descrevendo a síndrome nefrótica com proteinúria < 1 g e hipotensão — o oposto do que ocorre.

Glomerulonefrite rapidamente progressiva (GNRP): A GNRP é uma síndrome clínica caracterizada pela perda progressiva da função renal no decorrer de dias a meses, com sedimento urinário ativo. A rápida elevação da creatinina sérica é a marca dessa síndrome, não da glomerulonefrite membranoproliferativa (GNMP), que tem curso mais indolente. A alternativa B troca o nome da síndrome: quando a creatinina sobe rapidamente, o termo correto é GNRP, não GNMP.

Insuficiência renal aguda (IRA) e insuficiência hepática: A IRA é classificada em pré-renal, intrínseca (ou parenquimatosa) e pós-renal. A insuficiência hepática grave pode causar IRA pré-renal por vasodilatação esplâncnica e redução do volume arterial efetivo (síndrome hepatorrenal), que é funcional e potencialmente reversível, não uma lesão parenquimatosa intrínseca. A alternativa D afirma que a insuficiência hepática causa IRA intrínseca, o que está incorreto — o quadro típico é pré-renal funcional.

Fatores de risco para doença renal crônica: São fatores de risco estabelecidos: hipertensão arterial, diabetes mellitus, história familiar de doença renal crônica, idade avançada, obesidade, doenças cardiovasculares e tabagismo. O tabagismo é, sim, um fator de risco bem documentado para o desenvolvimento e progressão da doença renal crônica, por mecanismos que incluem dano endotelial, estresse oxidativo e inflamação. A alternativa E afirma o contrário, o que é falso.

A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos: a banca troca os nomes das síndromes glomerulares e inverte as características clínicas. O candidato que domina as definições precisas de cada síndrome elimina as alternativas incorretas com segurança.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta. Na maioria das glomerulonefrites imunomediadas, os antígenos glomerulares ou mesangiais envolvidos na patogênese não são identificados — permanecem desconhecidos. Isso é verdadeiro mesmo em doenças bem caracterizadas, como a nefrite lúpica, onde o antígeno (DNA, nucleossomos) é conhecido, mas na maioria dos casos a etiologia é idiopática. O texto de apoio confirma que a patogênese de muitas glomerulonefrites permanece desconhecida, como na doença por lesão mínima: "A patogênese da DLM permanece desconhecida." Essa é a realidade clínica: mesmo com biópsia e imunofluorescência, muitas vezes não se identifica o antígeno específico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta porque troca o nome da síndrome. Quando a creatinina sérica sobe rapidamente em poucos dias, o termo correto é glomerulonefrite rapidamente progressiva (GNRP), não glomerulonefrite membranoproliferativa (GNMP). O texto de apoio define: "A GNRP é uma síndrome clínica caracterizada pela perda progressiva da função renal no decorrer de um período de dias a meses em um paciente com sedimento urinário ativo." A GNMP tem curso mais indolente e não é caracterizada por rápida elevação da creatinina. A banca explora a confusão entre os nomes das glomerulonefrites.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta porque inverte completamente as características da síndrome nefrótica. A síndrome nefrótica é definida por proteinúria maciça (> 3,5 g/24h em adultos), não por proteinúria < 1 g. Além disso, a síndrome nefrótica cursa com edema, hiperlipidemia e hipoalbuminemia, não com hipotensão arterial. O texto de apoio descreve a síndrome nefrítica com "oligúria, edema, hipertensão arterial sistêmica, proteinúria (em geral, < 3,5 g/24h) e exame de urina anormal" — ou seja, a alternativa mistura elementos das duas síndromes, criando um quadro que não corresponde a nenhuma delas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta porque a insuficiência hepática grave causa insuficiência renal aguda do tipo pré-renal (funcional), não intrínseca ou parenquimatosa. A síndrome hepatorrenal é um exemplo clássico: ocorre vasodilatação esplâncnica, redução do volume arterial efetivo e ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, levando a vasoconstrição renal e queda da filtração glomerular, sem lesão parenquimatosa significativa. A IRA intrínseca envolve lesão direta do parênquima renal (necrose tubular aguda, glomerulonefrite, nefrite intersticial), que não é o mecanismo típico da insuficiência hepática.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta porque o tabagismo é, sim, um fator de risco estabelecido para o desenvolvimento e progressão da doença renal crônica. O tabagismo causa dano endotelial, estresse oxidativo, inflamação e acelera a aterosclerose, contribuindo para a lesão renal. Estudos epidemiológicos demonstram associação entre tabagismo e maior incidência de doença renal crônica, especialmente em pacientes com diabetes e hipertensão. A banca explora a tentação de considerar o tabagismo apenas como fator de risco cardiovascular, mas ele também é nefrotóxico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter os conceitos das síndromes glomerulares. Nesta questão, a alternativa C mistura elementos da síndrome nefrítica (hipertensão, hematúria) com a nefrótica (proteinúria), e a alternativa B troca o nome da GNRP pela GNMP. O candidato que decora as definições exatas de cada síndrome elimina essas armadilhas com facilidade. Fique atento: síndrome nefrótica = proteinúria maciça + edema + hipoalbuminemia; síndrome nefrítica = oligúria + hipertensão + hematúria + proteinúria subnefrótica. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para questões de nefrologia, monte uma tabela mental comparando as síndromes glomerulares:

Característica

Síndrome Nefrótica

Síndrome Nefrítica

Proteinúria

> 3,5 g/24h

< 3,5 g/24h

Pressão arterial

Normal ou baixa

Hipertensão

Edema

Presente (anasarca)

Presente (periorbital)

Sedimento urinário

Lipidúria, poucos cilindros

Hematúria, cilindros hemáticos

Exemplo clássico

DLM, GESF, membranosa

Pós-infecciosa, IgA

Essa tabela resolve a maioria das questões que pedem para diferenciar as duas síndromes.

Gabarito: letra A

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