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Questão de Medicina — Pneumologia — CESPE / CEBRASPE 2026

MedicinaPneumologia
Código
ce229149
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-MG
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico
Um paciente com 80 anos de idade e portador de doença pulmonar obstrutiva crônica, em uma consulta de emergência, relata apresentar agravamento de sua dispneia há dois dias, associada a incremento da tosse com eliminação de secreção purulenta. O exame físico mostra um paciente afebril, lúcido e orientado no tempo e no espaço, com pressão arterial normal, frequência cardíaca de 110 bpm e frequência respiratória de 30 irpm. A ausculta respiratória revela redução global do murmúrio vesicular fisiológico, com ausência de ruídos adventícios. Observa-se hiperinsuflação, sem sinais de consolidação na radiografia do tórax e hemograma normal. A gasometria arterial apresenta os seguintes resultados: pH = 7,3; Paco₂= 60 mmHg; Pao₂= 50 mmHg e 30 mmol/L de bicarbonato. A partir dessa situação hipotética, é correto inferir que as formas mais apropriadas de se lidar com a situação, inicialmente, incluemI prescrever oxigênio úmido sob cateter.II prescrever antimicrobiano.III prescrever corticoide sistêmico.IV prescrever broncodilatador.V empregar o CPAP.VI indicar entubação endotraqueal e ventilação mecânica.Estão certos apenas os itens
  1. AIV e VI.
  2. BI, V e VI.
  3. CI, II, III e IV.
  4. DI, III, IV e V.
  5. EI, II, III, V e VI.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — I, II, III e IV.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Exacerbação aguda de DPOC: manejo inicial

Gabarito: letra C. O paciente apresenta exacerbação aguda de DPOC (dispneia progressiva, tosse com secreção purulenta, taquipneia, hiperinsuflação, gasometria com acidose respiratória e hipoxemia), e o manejo inicial apropriado inclui oxigenoterapia, broncodilatador, corticoide sistêmico e antimicrobiano (itens I, II, III e IV). O CPAP e a intubação orotraqueal (itens V e VI) não são indicados de imediato, pois o paciente está lúcido, sem sinais de fadiga muscular iminente e sem contraindicação à ventilação não invasiva — mas o CPAP não é a primeira escolha na exacerbação de DPOC, e a intubação é reservada para falência do tratamento clínico.

A exacerbação aguda da DPOC é definida como um evento agudo caracterizado por piora dos sintomas respiratórios (dispneia, tosse, escarro) que vai além da variação diária normal e exige mudança terapêutica. O diagnóstico é essencialmente clínico, e a gasometria arterial é fundamental para avaliar a gravidade: neste caso, pH 7,30, PaCO₂ 60 mmHg e PaO₂ 50 mmHg caracterizam insuficiência respiratória aguda tipo II (hipoxêmica e hipercápnica) com acidose respiratória. O tratamento inicial visa corrigir a hipoxemia, aliviar a obstrução brônquica e tratar a causa precipitante, que aqui é provavelmente infecciosa (secreção purulenta).

A oxigenoterapia é o primeiro passo, com meta de saturação de oxigênio entre 88% e 92%, pois a hiperóxia pode suprimir o drive respiratório e piorar a hipercapnia. O broncodilatador de curta ação (como salbutamol e ipratrópio) é a base do tratamento, reduzindo a obstrução ao fluxo aéreo. O corticoide sistêmico (como prednisona oral ou hidrocortisona venosa) reduz a inflamação das vias aéreas e acelera a recuperação. O antimicrobiano é indicado quando há suspeita de infecção bacteriana, como neste caso, pela presença de secreção purulenta.

O CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas) não é a primeira escolha na exacerbação de DPOC, pois o problema principal é a obstrução ao fluxo expiratório, e o CPAP não reduz a resistência das vias aéreas. A ventilação não invasiva (VNI) com pressão de suporte (PSV) e PEEP é a modalidade preferida, pois reduz o trabalho respiratório e melhora a troca gasosa. A intubação orotraqueal e a ventilação mecânica são reservadas para falência do tratamento clínico, como piora da acidose, rebaixamento do nível de consciência, instabilidade hemodinâmica ou fadiga muscular iminente.

A pegadinha da banca está em considerar o CPAP e a intubação como medidas iniciais. O CPAP é útil em outras condições, como edema agudo de pulmão, mas na DPOC a VNI com PSV é a escolha. A intubação é uma medida de resgate, não inicial, pois o paciente está lúcido e sem contraindicação à VNI. O manejo inicial deve ser escalonado: oxigenoterapia, broncodilatador, corticoide e antibiótico, com monitorização e, se necessário, VNI.

Item I — ✅ Correto

A oxigenoterapia é a primeira medida para corrigir a hipoxemia (PaO₂ 50 mmHg). A meta é manter SpO₂ entre 88% e 92%, evitando hiperóxia que pode piorar a hipercapnia. O oxigênio úmido sob cateter é uma forma adequada de administração.

Item II — ✅ Correto

O antimicrobiano é indicado pela presença de secreção purulenta, que sugere infecção bacteriana. A antibioticoterapia é recomendada na exacerbação aguda de DPOC quando há aumento do volume do escarro, purulência ou necessidade de ventilação mecânica.

Item III — ✅ Correto

O corticoide sistêmico é indicado para reduzir a inflamação das vias aéreas, acelerar a recuperação e melhorar a função pulmonar. A dose recomendada é de prednisona 40 mg/dia por 5 dias ou equivalente.

Item IV — ✅ Correto

O broncodilatador de curta ação (salbutamol e ipratrópio) é a base do tratamento, reduzindo a obstrução ao fluxo aéreo e aliviando a dispneia. Deve ser administrado em doses frequentes, por nebulização ou inalador dosimetrado com espaçador.

Item V — ❌ Incorreto

O CPAP não é a primeira escolha na exacerbação de DPOC. A ventilação não invasiva com pressão de suporte (PSV) e PEEP é a modalidade preferida, pois reduz o trabalho respiratório e melhora a troca gasosa. O CPAP é mais útil em outras condições, como edema agudo de pulmão.

Item VI — ❌ Incorreto

A intubação orotraqueal e a ventilação mecânica são reservadas para falência do tratamento clínico, como piora da acidose, rebaixamento do nível de consciência, instabilidade hemodinâmica ou fadiga muscular iminente. O paciente está lúcido e sem contraindicação à VNI, portanto a intubação não é indicada inicialmente.

Conclusão: Corretos: I, II, III e IV → portanto a alternativa é a letra C.

Gabarito: letra C

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