Questão de Medicina — Pneumologia — CESPE / CEBRASPE 2026
- Código
- ce229149
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TCE-MG
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico
- AIV e VI.
- BI, V e VI.
- CI, II, III e IV.
- DI, III, IV e V.
- EI, II, III, V e VI.
GabaritoC — I, II, III e IV.
Gabarito: letra C. O paciente apresenta exacerbação aguda de DPOC (dispneia progressiva, tosse com secreção purulenta, taquipneia, hiperinsuflação, gasometria com acidose respiratória e hipoxemia), e o manejo inicial apropriado inclui oxigenoterapia, broncodilatador, corticoide sistêmico e antimicrobiano (itens I, II, III e IV). O CPAP e a intubação orotraqueal (itens V e VI) não são indicados de imediato, pois o paciente está lúcido, sem sinais de fadiga muscular iminente e sem contraindicação à ventilação não invasiva — mas o CPAP não é a primeira escolha na exacerbação de DPOC, e a intubação é reservada para falência do tratamento clínico.
A exacerbação aguda da DPOC é definida como um evento agudo caracterizado por piora dos sintomas respiratórios (dispneia, tosse, escarro) que vai além da variação diária normal e exige mudança terapêutica. O diagnóstico é essencialmente clínico, e a gasometria arterial é fundamental para avaliar a gravidade: neste caso, pH 7,30, PaCO₂ 60 mmHg e PaO₂ 50 mmHg caracterizam insuficiência respiratória aguda tipo II (hipoxêmica e hipercápnica) com acidose respiratória. O tratamento inicial visa corrigir a hipoxemia, aliviar a obstrução brônquica e tratar a causa precipitante, que aqui é provavelmente infecciosa (secreção purulenta).
A oxigenoterapia é o primeiro passo, com meta de saturação de oxigênio entre 88% e 92%, pois a hiperóxia pode suprimir o drive respiratório e piorar a hipercapnia. O broncodilatador de curta ação (como salbutamol e ipratrópio) é a base do tratamento, reduzindo a obstrução ao fluxo aéreo. O corticoide sistêmico (como prednisona oral ou hidrocortisona venosa) reduz a inflamação das vias aéreas e acelera a recuperação. O antimicrobiano é indicado quando há suspeita de infecção bacteriana, como neste caso, pela presença de secreção purulenta.
O CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas) não é a primeira escolha na exacerbação de DPOC, pois o problema principal é a obstrução ao fluxo expiratório, e o CPAP não reduz a resistência das vias aéreas. A ventilação não invasiva (VNI) com pressão de suporte (PSV) e PEEP é a modalidade preferida, pois reduz o trabalho respiratório e melhora a troca gasosa. A intubação orotraqueal e a ventilação mecânica são reservadas para falência do tratamento clínico, como piora da acidose, rebaixamento do nível de consciência, instabilidade hemodinâmica ou fadiga muscular iminente.
A pegadinha da banca está em considerar o CPAP e a intubação como medidas iniciais. O CPAP é útil em outras condições, como edema agudo de pulmão, mas na DPOC a VNI com PSV é a escolha. A intubação é uma medida de resgate, não inicial, pois o paciente está lúcido e sem contraindicação à VNI. O manejo inicial deve ser escalonado: oxigenoterapia, broncodilatador, corticoide e antibiótico, com monitorização e, se necessário, VNI.
A oxigenoterapia é a primeira medida para corrigir a hipoxemia (PaO₂ 50 mmHg). A meta é manter SpO₂ entre 88% e 92%, evitando hiperóxia que pode piorar a hipercapnia. O oxigênio úmido sob cateter é uma forma adequada de administração.
O antimicrobiano é indicado pela presença de secreção purulenta, que sugere infecção bacteriana. A antibioticoterapia é recomendada na exacerbação aguda de DPOC quando há aumento do volume do escarro, purulência ou necessidade de ventilação mecânica.
O corticoide sistêmico é indicado para reduzir a inflamação das vias aéreas, acelerar a recuperação e melhorar a função pulmonar. A dose recomendada é de prednisona 40 mg/dia por 5 dias ou equivalente.
O broncodilatador de curta ação (salbutamol e ipratrópio) é a base do tratamento, reduzindo a obstrução ao fluxo aéreo e aliviando a dispneia. Deve ser administrado em doses frequentes, por nebulização ou inalador dosimetrado com espaçador.
O CPAP não é a primeira escolha na exacerbação de DPOC. A ventilação não invasiva com pressão de suporte (PSV) e PEEP é a modalidade preferida, pois reduz o trabalho respiratório e melhora a troca gasosa. O CPAP é mais útil em outras condições, como edema agudo de pulmão.
A intubação orotraqueal e a ventilação mecânica são reservadas para falência do tratamento clínico, como piora da acidose, rebaixamento do nível de consciência, instabilidade hemodinâmica ou fadiga muscular iminente. O paciente está lúcido e sem contraindicação à VNI, portanto a intubação não é indicada inicialmente.
Conclusão: Corretos: I, II, III e IV → portanto a alternativa é a letra C.
Gabarito: letra C
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