Questão de Medicina — Neurologia — CESPE / CEBRASPE 2026
- Código
- ce229150
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TCE-MG
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico
- Ahemorragia intracraniana.
- Benxaqueca.
- Ctumor cerebral.
- Dglaucoma.
- Ecefaleia tensional.
GabaritoB — enxaqueca.
Gabarito: letra B. O quadro descrito — cefaleia latejante, unilateral, intermitente, associada a náuseas e fotofobia, sem outros distúrbios visuais — é o protótipo clínico da enxaqueca (migrânea), uma cefaleia primária. A ausência de sinais de alarme (déficit focal, rigidez de nuca, febre, pior cefaleia da vida, início após 50 anos) afasta as causas secundárias listadas nas demais alternativas.
A enxaqueca é um transtorno neurológico episódico e comum, caracterizado por cefaleia incapacitante, frequentemente unilateral, de caráter pulsátil/latejante, com intensidade moderada a forte, agravada por atividade física rotineira e associada a náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. As crises duram de 4 a 72 horas. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nas características da dor e nos sintomas associados, sendo os exames complementares normalmente normais. A fisiopatologia envolve a ativação do sistema trigeminovascular e a liberação de neuropeptídeos, como o CGRP, levando à dilatação dos vasos meníngeos e à inflamação neurogênica.
O diagnóstico diferencial das cefaleias é amplo e exige a distinção entre cefaleias primárias (enxaqueca, cefaleia tensional, cefaleia em salvas) e secundárias (hemorragia, tumor, meningite, dissecção arterial). As cefaleias secundárias são sintomas de uma doença orgânica subjacente e frequentemente apresentam sinais de alarme, como início súbito e de forte intensidade (cefaleia em trovoada), progressão, início após os 50 anos, piora com esforço, déficit neurológico focal, rigidez de nuca, febre, papiledema ou alteração do nível de consciência. A presença de qualquer um desses sinais exige investigação com neuroimagem e, se necessário, punção lombar.
Na prática, a cefaleia tensional é a mais frequente, mas se caracteriza por dor bilateral, em aperto ou pressão, de intensidade leve a moderada, sem náuseas (apenas anorexia) e com fotofobia ou fonofobia (apenas uma delas). Já a enxaqueca, como no caso da paciente, é tipicamente unilateral, latejante e acompanhada de náuseas e fotofobia. A hemorragia intracraniana e o tumor cerebral são causas secundárias que cursam com outros sinais neurológicos ou sistêmicos, e o glaucoma agudo causa dor ocular intensa com náuseas e vômitos, mas frequentemente com distúrbios visuais (visão turva, halos coloridos) e olho vermelho.
A banca explora a distinção entre cefaleias primárias e secundárias, e entre os subtipos de cefaleias primárias. O candidato deve reconhecer o padrão clínico típico de cada uma e identificar os sinais de alarme que indicam uma causa secundária. A chave é a combinação de características: unilateralidade, caráter latejante e associação com náuseas e fotofobia apontam fortemente para enxaqueca, enquanto a ausência de sinais de alarme afasta as causas secundárias.
A hemorragia intracraniana (incluindo a hemorragia subaracnóidea) é uma causa secundária de cefaleia, mas o quadro típico é de início súbito e de fortíssima intensidade (cefaleia em trovoada, "a pior dor de cabeça da vida"), frequentemente associada a vômitos, rigidez de nuca, alteração do nível de consciência e déficits neurológicos focais. A paciente apresenta cefaleia intermitente e de longa data, sem esses sinais de alarme, o que torna a hipótese de hemorragia intracraniana improvável.
A enxaqueca é a cefaleia primária que melhor se encaixa no quadro: dor latejante, unilateral, intermitente, associada a náuseas e fotofobia, sem outros distúrbios visuais. Esses são os critérios clássicos da enxaqueca sem aura, conforme a Classificação Internacional de Cefaleias (ICHD). A ausência de sinais de alarme e a cronicidade do quadro reforçam o diagnóstico de cefaleia primária, sendo a enxaqueca a mais provável.
O tumor cerebral pode causar cefaleia, mas geralmente é uma cefaleia progressiva, de intensidade crescente, que piora pela manhã, pode acordar o paciente e está associada a déficits neurológicos focais, crises epilépticas ou papiledema. A cefaleia da paciente é intermitente e de longa data, sem sinais de hipertensão intracraniana ou déficit focal, o que torna o tumor cerebral uma hipótese pouco provável.
O glaucoma agudo causa dor ocular intensa, frequentemente unilateral, associada a náuseas e vômitos, mas também cursa com olho vermelho, midríase, visão turva e halos coloridos ao redor das luzes. A paciente não apresenta esses sintomas oculares, apenas fotofobia, o que não é suficiente para o diagnóstico de glaucoma. Além disso, a cefaleia é intermitente e de longa data, enquanto o glaucoma agudo é uma emergência com dor contínua e intensa.
A cefaleia tensional é a mais frequente, mas se caracteriza por dor bilateral, em aperto ou pressão (não pulsátil), de intensidade leve a moderada, que não é agravada por atividade física. Além disso, a cefaleia tensional não apresenta náuseas (apenas anorexia) e, quando há fotofobia ou fonofobia, apenas uma delas está presente. O quadro da paciente — unilateral, latejante, com náuseas e fotofobia — é típico de enxaqueca, não de cefaleia tensional.
Gabarito: letra B
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