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Questão de Medicina — Neurologia — CESPE / CEBRASPE 2026

MedicinaNeurologia
Código
ce229150
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-MG
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico
Uma paciente com 40 anos de idade apresenta, há longa data, uma queixa de cefaleia latejante unilateral e intermitente, associada a náuseas e fotofobia, sem outros distúrbios visuais.Considerando a situação hipotética apresentada, é correto afirmar que o provável diagnóstico da paciente em tela é de
  1. Ahemorragia intracraniana.
  2. Benxaqueca.
  3. Ctumor cerebral.
  4. Dglaucoma.
  5. Ecefaleia tensional.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — enxaqueca.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cefaleias: diagnóstico diferencial

Gabarito: letra B. O quadro descrito — cefaleia latejante, unilateral, intermitente, associada a náuseas e fotofobia, sem outros distúrbios visuais — é o protótipo clínico da enxaqueca (migrânea), uma cefaleia primária. A ausência de sinais de alarme (déficit focal, rigidez de nuca, febre, pior cefaleia da vida, início após 50 anos) afasta as causas secundárias listadas nas demais alternativas.

A enxaqueca é um transtorno neurológico episódico e comum, caracterizado por cefaleia incapacitante, frequentemente unilateral, de caráter pulsátil/latejante, com intensidade moderada a forte, agravada por atividade física rotineira e associada a náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. As crises duram de 4 a 72 horas. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nas características da dor e nos sintomas associados, sendo os exames complementares normalmente normais. A fisiopatologia envolve a ativação do sistema trigeminovascular e a liberação de neuropeptídeos, como o CGRP, levando à dilatação dos vasos meníngeos e à inflamação neurogênica.

O diagnóstico diferencial das cefaleias é amplo e exige a distinção entre cefaleias primárias (enxaqueca, cefaleia tensional, cefaleia em salvas) e secundárias (hemorragia, tumor, meningite, dissecção arterial). As cefaleias secundárias são sintomas de uma doença orgânica subjacente e frequentemente apresentam sinais de alarme, como início súbito e de forte intensidade (cefaleia em trovoada), progressão, início após os 50 anos, piora com esforço, déficit neurológico focal, rigidez de nuca, febre, papiledema ou alteração do nível de consciência. A presença de qualquer um desses sinais exige investigação com neuroimagem e, se necessário, punção lombar.

Na prática, a cefaleia tensional é a mais frequente, mas se caracteriza por dor bilateral, em aperto ou pressão, de intensidade leve a moderada, sem náuseas (apenas anorexia) e com fotofobia ou fonofobia (apenas uma delas). Já a enxaqueca, como no caso da paciente, é tipicamente unilateral, latejante e acompanhada de náuseas e fotofobia. A hemorragia intracraniana e o tumor cerebral são causas secundárias que cursam com outros sinais neurológicos ou sistêmicos, e o glaucoma agudo causa dor ocular intensa com náuseas e vômitos, mas frequentemente com distúrbios visuais (visão turva, halos coloridos) e olho vermelho.

A banca explora a distinção entre cefaleias primárias e secundárias, e entre os subtipos de cefaleias primárias. O candidato deve reconhecer o padrão clínico típico de cada uma e identificar os sinais de alarme que indicam uma causa secundária. A chave é a combinação de características: unilateralidade, caráter latejante e associação com náuseas e fotofobia apontam fortemente para enxaqueca, enquanto a ausência de sinais de alarme afasta as causas secundárias.

Cefaleias
  • 1Primárias
    • Enxaqueca
      • Unilateral, latejante
      • Náuseas e fotofobia
    • Tensional
      • Bilateral, em aperto
      • Sem náuseas
    • Em salvas
  • 2Secundárias (sinais de alarme)
    • Hemorragia intracraniana
      • Início súbito, "trovoada"
    • Tumor cerebral
      • Progressiva, déficit focal
    • Glaucoma agudo
      • Dor ocular, olho vermelho
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A hemorragia intracraniana (incluindo a hemorragia subaracnóidea) é uma causa secundária de cefaleia, mas o quadro típico é de início súbito e de fortíssima intensidade (cefaleia em trovoada, "a pior dor de cabeça da vida"), frequentemente associada a vômitos, rigidez de nuca, alteração do nível de consciência e déficits neurológicos focais. A paciente apresenta cefaleia intermitente e de longa data, sem esses sinais de alarme, o que torna a hipótese de hemorragia intracraniana improvável.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A enxaqueca é a cefaleia primária que melhor se encaixa no quadro: dor latejante, unilateral, intermitente, associada a náuseas e fotofobia, sem outros distúrbios visuais. Esses são os critérios clássicos da enxaqueca sem aura, conforme a Classificação Internacional de Cefaleias (ICHD). A ausência de sinais de alarme e a cronicidade do quadro reforçam o diagnóstico de cefaleia primária, sendo a enxaqueca a mais provável.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O tumor cerebral pode causar cefaleia, mas geralmente é uma cefaleia progressiva, de intensidade crescente, que piora pela manhã, pode acordar o paciente e está associada a déficits neurológicos focais, crises epilépticas ou papiledema. A cefaleia da paciente é intermitente e de longa data, sem sinais de hipertensão intracraniana ou déficit focal, o que torna o tumor cerebral uma hipótese pouco provável.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O glaucoma agudo causa dor ocular intensa, frequentemente unilateral, associada a náuseas e vômitos, mas também cursa com olho vermelho, midríase, visão turva e halos coloridos ao redor das luzes. A paciente não apresenta esses sintomas oculares, apenas fotofobia, o que não é suficiente para o diagnóstico de glaucoma. Além disso, a cefaleia é intermitente e de longa data, enquanto o glaucoma agudo é uma emergência com dor contínua e intensa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A cefaleia tensional é a mais frequente, mas se caracteriza por dor bilateral, em aperto ou pressão (não pulsátil), de intensidade leve a moderada, que não é agravada por atividade física. Além disso, a cefaleia tensional não apresenta náuseas (apenas anorexia) e, quando há fotofobia ou fonofobia, apenas uma delas está presente. O quadro da paciente — unilateral, latejante, com náuseas e fotofobia — é típico de enxaqueca, não de cefaleia tensional.

Gabarito: letra B

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