Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — CESPE / CEBRASPE 2026
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
ce229151
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-MG
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico
Um paciente com 20 anos de idade apresenta, com frequência média de duas vezes ao ano, desde os 5 anos de idade, quadro clínico constituído por obstrução e prurido nasal associados a espirros matinais, que remitem espontaneamente ou com o uso de corticoide oral. Ele considera o contato com poeira doméstica e a mudança climática como os desencadeantes para o surgimento desse quadro clínico. Há dois dias, apresenta uma exacerbação dos sintomas, associados à eliminação de secreção nasal clara e à cefaleia frontomaxilar.Na situação hipotética descrita, antibióticos
Adevem ser considerados se os sintomas descritos perdurarem por mais de 48 horas.
Bdevem ser prescritos, para que a duração dos sintomas diminua.
Cdevem ser empregados como tratamento profilático, caso seja a segunda exacerbação infecciosa no ano.
Dnão são necessários, uma vez que a principal causa das infecções é de etiologia viral.
Edevem ser prescritos se for realizado um exame de imagem que aponte para o diagnóstico de infecção.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — não são necessários, uma vez que a principal causa das infecções é de etiologia viral.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Rinite alérgica e uso racional de antibióticos
Gabarito: letra D. O quadro descrito é de rinite alérgica com exacerbação, e a principal causa das infecções respiratórias associadas é viral, não bacteriana — por isso os antibióticos não são necessários. A conduta correta é tratar a rinite alérgica de base e reservar antibióticos para evidência clínica de infecção bacteriana (secreção purulenta, febre, dor facial persistente).
A rinite alérgica é um processo inflamatório nasal resultante da exposição de um indivíduo sensibilizado a um alérgeno. No caso, o paciente apresenta obstrução e prurido nasal, espirros matinais, desencadeados por poeira doméstica e mudança climática — sintomas clássicos de rinite alérgica. A exacerbação atual, com secreção nasal clara e cefaleia frontomaxilar, sugere uma rinossinusite aguda, que na grande maioria dos casos é de etiologia viral.
As rinossinusites agudas são, em sua maioria, complicações de infecções virais das vias aéreas superiores (resfriado comum). O uso de antibióticos só está indicado quando há suspeita de infecção bacteriana, o que se caracteriza por: sintomas persistentes por mais de 10 dias, piora após melhora inicial (dupla piora), ou sintomas graves (febre > 39°C, dor facial intensa, secreção purulenta por mais de 3-4 dias). No paciente descrito, a secreção é clara e a duração é de apenas 2 dias, o que não preenche critérios para antibioticoterapia.
A conduta correta é tratar a rinite alérgica de base (corticoide intranasal, anti-histamínico, lavagem nasal) e orientar o paciente sobre o curso autolimitado da infecção viral. O uso indiscriminado de antibióticos contribui para a resistência bacteriana, efeitos adversos e custos desnecessários. A decisão de prescrever antibiótico deve ser baseada em critérios clínicos, não em exames de imagem isoladamente, e nunca como profilaxia de exacerbações.
A pegadinha desta questão está em associar a exacerbação dos sintomas nasais com a necessidade de antibiótico. O candidato pode ser levado a pensar que, por ser uma "infecção", precisa de antibiótico. No entanto, a maioria das rinossinusites é viral, e o tratamento antibiótico só se justifica com evidência clínica de infecção bacteriana. A alternativa D é a única que reflete corretamente essa conduta.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que antibióticos devem ser considerados se os sintomas perdurarem por mais de 48 horas. O tempo de 48 horas é insuficiente para diferenciar infecção viral de bacteriana. Os critérios clínicos para suspeita de rinossinusite bacteriana incluem sintomas persistentes por mais de 10 dias, dupla piora ou sintomas graves — não um prazo de 48 horas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que antibióticos devem ser prescritos para diminuir a duração dos sintomas. Em infecções virais, os antibióticos não têm efeito sobre a duração dos sintomas e podem causar efeitos adversos e resistência bacteriana. A prescrição deve ser baseada em evidência de infecção bacteriana, não na intenção de encurtar o quadro viral.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que antibióticos devem ser empregados como tratamento profilático em caso de segunda exacerbação infecciosa no ano. Não há indicação de profilaxia antibiótica para rinossinusites recorrentes. A profilaxia antibiótica não previne exacerbações de rinite alérgica e não é recomendada por diretrizes. O tratamento deve focar no controle da rinite alérgica de base.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que antibióticos não são necessários, uma vez que a principal causa das infecções é de etiologia viral. Esta é a conduta correta. A maioria das rinossinusites agudas é viral, e o uso de antibióticos só é indicado com evidência clínica de infecção bacteriana. No caso descrito, a secreção é clara e a duração é curta, não havendo critérios para antibioticoterapia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que antibióticos devem ser prescritos se um exame de imagem apontar para infecção. Exames de imagem (como radiografia ou tomografia) não são rotina para rinossinusite aguda não complicada e não devem ser usados isoladamente para indicar antibiótico. A decisão deve ser clínica, baseada em critérios como duração dos sintomas, gravidade e presença de secreção purulenta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato acreditar que, por ser uma "infecção", o antibiótico é necessário. A armadilha está em ignorar que a maioria das rinossinusites é viral. Lembre-se: secreção clara e sintomas há apenas 2 dias indicam etiologia viral, não bacteriana. O antibiótico só entra com evidência clínica de infecção bacteriana (secreção purulenta, febre alta, dor facial intensa, sintomas > 10 dias).
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre rinossinusite, decore os critérios de suspeita bacteriana: sintomas persistentes > 10 dias, dupla piora (piora após melhora) ou sintomas graves (febre > 39°C, dor facial intensa, secreção purulenta > 3-4 dias). Se nenhum desses estiver presente, a conduta é sintomática e observação, sem antibiótico.
Gabarito: letra D — antibióticos não são necessários, pois a principal causa das infecções respiratórias associadas à rinite alérgica é viral.