Um paciente com 23 anos de idade procurou atendimento médico na UBS de sua cidade, informando apresentar diarreia há 10 dias. Ele relatou que o número de evacuações foi aumentando progressivamente, sendo 7 episódios por dia até o momento da consulta, e percebeu, na segunda semana de enfermidade, a presença de enterorragia e de muco nas fezes. Além disso, o paciente citou dor abdominal difusa do tipo em cólica de leve intensidade, astenia, anorexia e perda de 2 kg no período. O exame físico mostrou um paciente em regular estado geral, com a presença de dor abdominal difusa à palpação, mais intensa em fossa ilíaca esquerda e com ruídos hidroaéreos aumentados.A partir da situação hipotética precedente, é correto afirmar que a provável causa da enfermidade descrita é
Acâncer de intestino.
Bamebíase.
Cdoença de Crohn.
Dintolerância à lactose.
Edoença celíaca.
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GabaritoB — amebíase.
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Diarreia crônica com disenteria: diagnóstico sindrômico
Gabarito: letra B. O quadro descrito — diarreia com evolução progressiva há 10 dias, enterorragia e muco nas fezes, dor em fossa ilíaca esquerda, astenia, anorexia e perda de peso — configura uma síndrome disentérica de evolução subaguda/crônica, cuja principal causa infecciosa parasitária é a amebíase (infecção por Entamoeba histolytica). A presença de sangue e muco nas fezes com dor abdominal em cólica e comprometimento do estado geral, sem febre alta ou toxemia, aponta para colite amebiana, e não para as demais alternativas, que cursam com outros padrões clínicos.
A diarreia é definida como aumento da frequência das evacuações (≥3 em 24h) com diminuição da consistência das fezes. Quando há sangue, muco ou pus, fala-se em disenteria, que indica lesão inflamatória da mucosa do cólon. A distinção entre diarreia alta (delgado) e baixa (cólon distal/reto) é fundamental: a diarreia baixa cursa com maior número de dejeções, fezes de menor volume, urgência retal, tenesmo e presença de muco, pus ou sangue — exatamente o que o paciente apresenta. A dor em fossa ilíaca esquerda sugere comprometimento do cólon descendente/sigmoide, típico da colite amebiana.
A amebíase é causada pela Entamoeba histolytica, protozoário que invade a mucosa colônica, formando úlceras em "botão de camisa" e provocando disenteria com sangue e muco. O quadro costuma ser de instalação insidiosa, com diarreia que piora progressivamente, cólicas, tenesmo e sintomas sistêmicos leves (astenia, anorexia, perda de peso). A febre costuma ser baixa ou ausente, diferentemente das disentérias bacterianas agudas (Shigella, Salmonella, Campylobacter), que cursam com febre alta, toxemia e início abrupto. A evolução de 10 dias com piora progressiva e perda de peso favorece causa parasitária crônica, como a amebíase.
As demais alternativas devem ser afastadas: câncer de intestino (neoplasia colorretal) geralmente ocorre em pacientes mais velhos, com anemia, alteração do hábito intestinal e sangue oculto, não um quadro diarreico agudo/subagudo com muco e sangue em jovem de 23 anos; doença de Crohn é doença inflamatória intestinal crônica, mas costuma cursar com diarreia crônica, dor abdominal em quadrante inferior direito, fístulas e manifestações extraintestinais, além de início mais precoce e evolução arrastada; intolerância à lactose causa diarreia osmótica, com fezes volumosas e aquosas, sem sangue ou muco, e melhora com exclusão de lactose; doença celíaca é enteropatia por glúten, com diarreia crônica, esteatorreia, distensão abdominal e deficiências nutricionais, sem disenteria.
A banca explora a síndrome disentérica como pista central: a combinação de sangue + muco + cólicas + dor em FIE + evolução subaguda em adulto jovem é o padrão clássico da amebíase intestinal. O diagnóstico é confirmado por exame parasitológico de fezes (pesquisa de cistos e trofozoítos) ou por testes imunológicos (ELISA). O tratamento é feito com metronidazol ou tinidazol, seguido de um amebicida de luz (como secnidazol ou etofamida) para eliminar cistos intestinais.
Síndrome disentérica
1Diarreia baixa (cólon distal)
Sangue, muco ou pus
Urgência, tenesmo
Dor em fossa ilíaca esquerda
2Causas
Amebíase (E. histolytica)
Início insidioso
Febre baixa/ausente
Úlceras em "botão de camisa"
Disenteria bacteriana
Início abrupto
Febre alta e toxemia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O câncer de intestino (neoplasia colorretal) é uma possibilidade em diarreia crônica com sangue, mas é improvável em paciente de 23 anos sem fatores de risco, e o quadro descrito é agudo/subagudo (10 dias), com piora progressiva e sintomas sistêmicos leves. O câncer colorretal costuma manifestar-se com alteração do hábito intestinal, anemia ferropriva, sangue oculto ou visível, e emagrecimento, geralmente em maiores de 50 anos. A ausência de massa palpável, obstrução ou anemia não é mencionada, mas a idade e o padrão disentérico agudo afastam essa hipótese como causa mais provável.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A amebíase intestinal aguda (colite amebiana) é a causa mais provável: diarreia com sangue e muco (disenteria), dor abdominal em cólica, tenesmo, evolução progressiva e sintomas sistêmicos leves (astenia, anorexia, perda de peso) em adulto jovem. A dor em fossa ilíaca esquerda é compatível com comprometimento do cólon distal. A Entamoeba histolytica invade a mucosa colônica, formando úlceras e provocando o quadro disentérico. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, confirmado por exame parasitológico de fezes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica que pode cursar com diarreia, dor abdominal e perda de peso, mas o padrão típico é de diarreia crônica (mais de 4 semanas), com dor em quadrante inferior direito, fístulas, estenoses e manifestações extraintestinais (artrite, uveíte, lesões de pele). O quadro agudo/subagudo com disenteria (sangue e muco) e dor em FIE é mais sugestivo de colite infecciosa, como a amebíase. Além disso, a doença de Crohn geralmente poupa o reto e o cólon esquerdo, e a presença de sangue nas fezes é menos frequente que na retocolite ulcerativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A intolerância à lactose causa diarreia osmótica, com fezes volumosas, aquosas, espumosas e ácidas, acompanhadas de distensão abdominal, flatulência e cólicas, mas sem sangue ou muco. O quadro é desencadeado pela ingestão de lactose e melhora com a exclusão do leite e derivados. A presença de enterorragia e muco nas fezes, além da perda de peso e do comprometimento do estado geral, não se explica por intolerância à lactose, que é um distúrbio de má absorção de carboidrato, não uma doença inflamatória ou infecciosa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A doença celíaca é uma enteropatia sensível ao glúten que causa diarreia crônica, esteatorreia (fezes volumosas, fétidas e gordurosas), distensão abdominal, anemia e deficiências nutricionais. Não cursa com disenteria (sangue e muco) nem com dor em fossa ilíaca esquerda. O quadro descrito é de colite aguda/subaguda, não de má absorção intestinal. A doença celíaca é diagnosticada por sorologia (anti-transglutaminase) e biópsia duodenal, e melhora com dieta sem glúten.
Gabarito: letra B — amebíase, pela síndrome disentérica com evolução subaguda em adulto jovem.