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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — CESPE / CEBRASPE 2026

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
ce229153
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-MG
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico
Um paciente com 23 anos de idade procurou atendimento médico na UBS de sua cidade, informando apresentar diarreia há 10 dias. Ele relatou que o número de evacuações foi aumentando progressivamente, sendo 7 episódios por dia até o momento da consulta, e percebeu, na segunda semana de enfermidade, a presença de enterorragia e de muco nas fezes. Além disso, o paciente citou dor abdominal difusa do tipo em cólica de leve intensidade, astenia, anorexia e perda de 2 kg no período. O exame físico mostrou um paciente em regular estado geral, com a presença de dor abdominal difusa à palpação, mais intensa em fossa ilíaca esquerda e com ruídos hidroaéreos aumentados.A partir da situação hipotética precedente, é correto afirmar que a provável causa da enfermidade descrita é
  1. Acâncer de intestino.
  2. Bamebíase.
  3. Cdoença de Crohn.
  4. Dintolerância à lactose.
  5. Edoença celíaca.
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GabaritoB — amebíase.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diarreia crônica com disenteria: diagnóstico sindrômico

Gabarito: letra B. O quadro descrito — diarreia com evolução progressiva há 10 dias, enterorragia e muco nas fezes, dor em fossa ilíaca esquerda, astenia, anorexia e perda de peso — configura uma síndrome disentérica de evolução subaguda/crônica, cuja principal causa infecciosa parasitária é a amebíase (infecção por Entamoeba histolytica). A presença de sangue e muco nas fezes com dor abdominal em cólica e comprometimento do estado geral, sem febre alta ou toxemia, aponta para colite amebiana, e não para as demais alternativas, que cursam com outros padrões clínicos.

A diarreia é definida como aumento da frequência das evacuações (≥3 em 24h) com diminuição da consistência das fezes. Quando há sangue, muco ou pus, fala-se em disenteria, que indica lesão inflamatória da mucosa do cólon. A distinção entre diarreia alta (delgado) e baixa (cólon distal/reto) é fundamental: a diarreia baixa cursa com maior número de dejeções, fezes de menor volume, urgência retal, tenesmo e presença de muco, pus ou sangue — exatamente o que o paciente apresenta. A dor em fossa ilíaca esquerda sugere comprometimento do cólon descendente/sigmoide, típico da colite amebiana.

A amebíase é causada pela Entamoeba histolytica, protozoário que invade a mucosa colônica, formando úlceras em "botão de camisa" e provocando disenteria com sangue e muco. O quadro costuma ser de instalação insidiosa, com diarreia que piora progressivamente, cólicas, tenesmo e sintomas sistêmicos leves (astenia, anorexia, perda de peso). A febre costuma ser baixa ou ausente, diferentemente das disentérias bacterianas agudas (Shigella, Salmonella, Campylobacter), que cursam com febre alta, toxemia e início abrupto. A evolução de 10 dias com piora progressiva e perda de peso favorece causa parasitária crônica, como a amebíase.

As demais alternativas devem ser afastadas: câncer de intestino (neoplasia colorretal) geralmente ocorre em pacientes mais velhos, com anemia, alteração do hábito intestinal e sangue oculto, não um quadro diarreico agudo/subagudo com muco e sangue em jovem de 23 anos; doença de Crohn é doença inflamatória intestinal crônica, mas costuma cursar com diarreia crônica, dor abdominal em quadrante inferior direito, fístulas e manifestações extraintestinais, além de início mais precoce e evolução arrastada; intolerância à lactose causa diarreia osmótica, com fezes volumosas e aquosas, sem sangue ou muco, e melhora com exclusão de lactose; doença celíaca é enteropatia por glúten, com diarreia crônica, esteatorreia, distensão abdominal e deficiências nutricionais, sem disenteria.

A banca explora a síndrome disentérica como pista central: a combinação de sangue + muco + cólicas + dor em FIE + evolução subaguda em adulto jovem é o padrão clássico da amebíase intestinal. O diagnóstico é confirmado por exame parasitológico de fezes (pesquisa de cistos e trofozoítos) ou por testes imunológicos (ELISA). O tratamento é feito com metronidazol ou tinidazol, seguido de um amebicida de luz (como secnidazol ou etofamida) para eliminar cistos intestinais.

Síndrome disentérica
  • 1Diarreia baixa (cólon distal)
    • Sangue, muco ou pus
    • Urgência, tenesmo
    • Dor em fossa ilíaca esquerda
  • 2Causas
    • Amebíase (E. histolytica)
      • Início insidioso
      • Febre baixa/ausente
      • Úlceras em "botão de camisa"
    • Disenteria bacteriana
      • Início abrupto
      • Febre alta e toxemia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O câncer de intestino (neoplasia colorretal) é uma possibilidade em diarreia crônica com sangue, mas é improvável em paciente de 23 anos sem fatores de risco, e o quadro descrito é agudo/subagudo (10 dias), com piora progressiva e sintomas sistêmicos leves. O câncer colorretal costuma manifestar-se com alteração do hábito intestinal, anemia ferropriva, sangue oculto ou visível, e emagrecimento, geralmente em maiores de 50 anos. A ausência de massa palpável, obstrução ou anemia não é mencionada, mas a idade e o padrão disentérico agudo afastam essa hipótese como causa mais provável.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A amebíase intestinal aguda (colite amebiana) é a causa mais provável: diarreia com sangue e muco (disenteria), dor abdominal em cólica, tenesmo, evolução progressiva e sintomas sistêmicos leves (astenia, anorexia, perda de peso) em adulto jovem. A dor em fossa ilíaca esquerda é compatível com comprometimento do cólon distal. A Entamoeba histolytica invade a mucosa colônica, formando úlceras e provocando o quadro disentérico. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, confirmado por exame parasitológico de fezes.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica que pode cursar com diarreia, dor abdominal e perda de peso, mas o padrão típico é de diarreia crônica (mais de 4 semanas), com dor em quadrante inferior direito, fístulas, estenoses e manifestações extraintestinais (artrite, uveíte, lesões de pele). O quadro agudo/subagudo com disenteria (sangue e muco) e dor em FIE é mais sugestivo de colite infecciosa, como a amebíase. Além disso, a doença de Crohn geralmente poupa o reto e o cólon esquerdo, e a presença de sangue nas fezes é menos frequente que na retocolite ulcerativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A intolerância à lactose causa diarreia osmótica, com fezes volumosas, aquosas, espumosas e ácidas, acompanhadas de distensão abdominal, flatulência e cólicas, mas sem sangue ou muco. O quadro é desencadeado pela ingestão de lactose e melhora com a exclusão do leite e derivados. A presença de enterorragia e muco nas fezes, além da perda de peso e do comprometimento do estado geral, não se explica por intolerância à lactose, que é um distúrbio de má absorção de carboidrato, não uma doença inflamatória ou infecciosa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A doença celíaca é uma enteropatia sensível ao glúten que causa diarreia crônica, esteatorreia (fezes volumosas, fétidas e gordurosas), distensão abdominal, anemia e deficiências nutricionais. Não cursa com disenteria (sangue e muco) nem com dor em fossa ilíaca esquerda. O quadro descrito é de colite aguda/subaguda, não de má absorção intestinal. A doença celíaca é diagnosticada por sorologia (anti-transglutaminase) e biópsia duodenal, e melhora com dieta sem glúten.

Gabarito: letra B — amebíase, pela síndrome disentérica com evolução subaguda em adulto jovem.

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