Questão de Medicina — Pneumologia — CESPE / CEBRASPE 2026
Medicina›Pneumologia
Código
ce229159
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-MG
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico
Um paciente com 57 anos de idade procura atendimento ambulatorial como parte de rotina preventiva. Relata bom estado geral, sem perda ponderal, febre, tosse, hemoptise ou dispneia. Como parte da investigação, é submetido a tomografia computadorizada de tórax de baixa dose, que revela nódulo pulmonar solitário sólido de contornos regulares, medindo 5 mm, no lobo inferior direito. O paciente apresenta como antecedentes: tabagismo (35 maços/ano), sedentarismo e dislipidemia. Relata história familiar de câncer de próstata (pai) e doença pulmonar obstrutiva crônica em irmão.Com base nesse caso clínico, assinale a opção em que é descrita a conduta médica inicial adequada em face do achado, conforme as recomendações da Sociedade Brasileira de Pneumologia de 2024.
Atranquilizar o paciente e não realizar seguimento tomográfico, devido às características benignas do nódulo
Bindicar biópsia cirúrgica imediata
Csolicitar ressecção cirúrgica
Dsolicitar tomografia por emissão de pósitrons associada à tomografia computadorizada (PET-CT)
Eseguir protocolo de rastreamento com acompanhamento tomográfico em seis meses
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GabaritoE — seguir protocolo de rastreamento com acompanhamento tomográfico em seis meses
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Nódulo pulmonar solitário: conduta inicial
Gabarito: letra E. Para um nódulo pulmonar sólido de 5 mm, de contornos regulares, em paciente de alto risco (tabagista de 35 maços/ano), a conduta inicial adequada é o seguimento com tomografia de tórax de baixa dose em 6 meses, conforme as diretrizes de rastreamento do câncer de pulmão. A alternativa E descreve exatamente esse protocolo.
O nódulo pulmonar solitário é uma opacidade arredondada, bem ou razoavelmente definida, de até 3 cm, circundada por parênquima pulmonar normal. A conduta diante desse achado é definida por um algoritmo que considera, principalmente, o tamanho do nódulo, suas características morfológicas (sólido, subsólido, contornos regulares ou espiculados) e o risco individual do paciente (idade, tabagismo, história familiar de câncer de pulmão). Nódulos muito pequenos, como o de 5 mm, têm probabilidade extremamente baixa de malignidade, mesmo em pacientes de alto risco. Por isso, a recomendação não é intervir imediatamente, mas sim realizar vigilância por imagem, repetindo a tomografia em intervalos definidos para avaliar crescimento. O crescimento é o principal indicador de malignidade; nódulos estáveis em dois anos de seguimento são considerados benignos. A conduta correta, portanto, é o acompanhamento tomográfico seriado, e não a biópsia ou ressecção imediata, que seriam indicadas para nódulos maiores ou com características suspeitas.
A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), alinhada às diretrizes internacionais, recomenda o rastreamento do câncer de pulmão com tomografia de baixa dose em população de alto risco (idade entre 50 e 80 anos, carga tabágica ≥ 20 maços/ano, tabagista ativo ou que parou há menos de 15 anos). Quando um nódulo é detectado, o manejo segue um fluxograma baseado no risco e no tamanho. Para nódulos sólidos de 5 mm, a recomendação é repetir a TC em 6 meses. Se estável, o seguimento continua em 12 meses e depois anualmente, até completar dois anos de estabilidade. Essa estratégia visa evitar procedimentos desnecessários em lesões quase certamente benignas, sem perder a janela de cura de um eventual câncer em crescimento.
A principal distinção que esta questão explora é entre a vigilância ativa (indicada para nódulos pequenos e de baixo risco) e a intervenção diagnóstica ou terapêutica imediata (reservada para nódulos maiores, com características suspeitas, ou que crescem no seguimento). A banca testa se o candidato sabe que nódulos de 5 mm, mesmo em paciente de alto risco, não justificam PET-CT, biópsia ou cirurgia de primeira linha. O PET-CT, por exemplo, tem baixa acurácia em nódulos menores que 8-10 mm, devido ao pequeno volume de tecido metabolicamente ativo, além de gerar alto custo e exposição à radiação. A biópsia e a ressecção cirúrgica são procedimentos invasivos, com riscos de complicações, que só se justificam quando a probabilidade de malignidade é alta o suficiente para superar os riscos do procedimento.
A pegadinha central é a tentação de intervir em um paciente de alto risco (tabagista pesado). O candidato pode pensar que, por ser um fumante de 35 maços/ano, o nódulo deve ser tratado agressivamente. No entanto, as diretrizes são claras: o tamanho do nódulo é o fator mais importante na decisão inicial, e 5 mm é um tamanho em que a vigilância é a regra, independentemente do risco. A história familiar de câncer de próstata e a DPOC no irmão não alteram a conduta para este nódulo específico, pois não são fatores de risco tão fortes quanto o tabagismo para câncer de pulmão, e o tamanho do nódulo continua sendo o determinante principal.
Guarde o critério decisivo: tamanho do nódulo + características morfológicas + risco do paciente definem a conduta. Para nódulos sólidos < 6 mm, o seguimento é a regra. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
1Nódulo < 6 mm
2TC em 6 meses
3Estável? Segue 12 meses
4Crescimento? Intervenção
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que não há necessidade de seguimento tomográfico. Isso está errado, pois, mesmo com características benignas, o nódulo de 5 mm em paciente de alto risco deve ser acompanhado para confirmar estabilidade. A conduta correta é a vigilância, não o abandono do seguimento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Indica biópsia cirúrgica imediata. A biópsia é um procedimento invasivo, com riscos de pneumotórax e sangramento, que não se justifica para um nódulo de 5 mm, cuja probabilidade de malignidade é muito baixa. A indicação de biópsia é para nódulos maiores (> 8 mm) ou com características suspeitas (espiculado, crescimento no seguimento).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sugere ressecção cirúrgica imediata. A ressecção cirúrgica é o tratamento definitivo do câncer de pulmão, mas só é indicada após confirmação diagnóstica ou quando a probabilidade de malignidade é alta. Para um nódulo de 5 mm, a cirurgia imediata seria um procedimento excessivo e arriscado, sem benefício comprovado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Solicita PET-CT. O PET-CT tem baixa acurácia em nódulos menores que 8-10 mm, pois o pequeno volume de tecido pode não captar o fluorodesoxiglicose (FDG) de forma significativa, gerando resultados falso-negativos. Além disso, é um exame caro e com exposição à radiação, não sendo a primeira escolha para nódulos de 5 mm.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve o seguimento com tomografia em 6 meses. Essa é a conduta recomendada pelas diretrizes para nódulos sólidos de 5 mm, mesmo em pacientes de alto risco. O acompanhamento visa detectar crescimento, que é o principal sinal de malignidade, evitando intervenções desnecessárias em lesões benignas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a ansiedade de intervir em um paciente tabagista pesado. O candidato pode achar que, por ser um fumante de 35 maços/ano, o nódulo deve ser tratado agressivamente. No entanto, o tamanho do nódulo (5 mm) é o fator mais importante na decisão inicial, e a vigilância é a regra, independentemente do risco. Lembre-se: nódulos pequenos, mesmo em alto risco, são seguidos, não biopsiados.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de nódulo pulmonar, decore a regra de bolso: nódulos sólidos < 6 mm → seguimento em 6-12 meses; 6-8 mm → seguimento em 3-6 meses; > 8 mm → considerar PET-CT ou biópsia. Essa escala resolve a maioria das questões.