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Questão de Português — Pontuação — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsPontuação
Código
ce229901
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCU
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Auditor Federal de Controle Externo - Área de Controle Externo/ Orientação: Auditoria de Tecnologia da Informação
        Suposta esta primeira verdade, certa e infalível; a segunda cousa que suponho com a mesma certeza é que a restituição do alheio sob pena da salvação não só obriga aos súditos e particulares, senão também aos cetros e às coroas. Cuidam, ou devem cuidar alguns príncipes que, assim como são superiores a todos, assim são senhores de tudo, e é engano. A lei da restituição é lei natural e lei divina. Enquanto lei natural, obriga aos reis, porque a natureza fez iguais a todos; e enquanto lei divina, também os obriga, porque Deus, que os fez maiores que os outros, é maior que eles. Esta verdade só tem contra si a prática e o uso. Mas por parte deste mesmo uso argumenta assim São Tomás, o qual é hoje o meu doutor, e nestas matérias o de maior autoridade: a rapina, ou roubo, é tomar o alheio violentamente contra vontade de seu dono: “os príncipes tomam muitas cousas a seus vassalos violentamente, e contra sua vontade; logo, parece que o roubo é lícito em alguns casos, porque se dissermos que os príncipes pecam nisto, todos eles, ou quase todos se condenariam”. Oh que terrível e temerosa consequência e quão digna de que a considerem profundamente os príncipes, e os que têm parte em suas resoluções e conselhos! Responde ao seu argumento o mesmo Doutor angélico (...). Respondo (diz S. Tomás) que, se os príncipes tiram dos súbditos o que segundo justiça lhes é devido para conservação do bem comum, ainda que o executem com violência, não é rapina ou roubo. Porém, se os príncipes tomarem por violência o que se lhes não deve, é rapina e latrocínio. Donde se segue que estão obrigados à restituição como os ladrões, e que pecam tanto mais gravemente que os mesmos ladrões, quanto mais perigoso e mais comum o dano com que ofendem a justiça pública, de que eles estão postos por defensores.

Padre António Vieira. Sermão do bom ladrão. Pregado na Igreja da Misericórdia de
Lisboa, no ano de 1655. Internet: <dominiopublico.com.br>  (com adaptações). 
Julgue o item a seguir, referente a ideias e aspectos gramaticais do texto precedente.No sexto período do texto, o trecho introduzido pelo sinal de dois-pontos empregado após o vocábulo “autoridade” consiste na explicitação do termo que está elíptico em “o de maior autoridade”.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso dos dois-pontos no texto de Vieira

ERRADO. A afirmação é falsa: o trecho introduzido pelos dois-pontos após “autoridade” não consiste na explicitação do termo elíptico em “o de maior autoridade”.

O que o trecho faz é introduzir a argumentação de São Tomás, não definir ou explicitar o substantivo omitido em “o de maior autoridade”. Observe o trecho:

“São Tomás, o qual é hoje o meu doutor, e nestas matérias o de maior autoridade: a rapina, ou roubo, é tomar o alheio violentamente…”

O termo elíptico em “o de maior autoridade” é “doutor” (ou “autoridade”). Os dois-pontos não vêm para dizer “qual é o doutor” ou “qual é a autoridade” — isso já está claro pela referência a São Tomás. O que vem após os dois-pontos é o conteúdo do que ele argumenta: a definição de rapina/roubo. Trata-se de uma citação ou paráfrase do argumento do santo, e não uma explicitação do nome ou do cargo.

NÃO CAIA NESSA!

O candidato pode achar que os dois-pontos explicam o termo omitido, mas eles apenas introduzem a fala de São Tomás, que é uma nova oração com outro assunto.

PEGA ESSA DICA!

Em exercícios de pontuação, sempre verifique se o conteúdo após os dois-pontos se relaciona diretamente com o termo imediatamente anterior como explicação, enumeração ou citação. Aqui, a função é de citação.

Gabarito: E (Errado)

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