Inferência sobre a reação de Ana no conto Amor
Gabarito: letra D. A reação intensa de Ana ao ver o cego mascando chiclete não decorre de inveja, repulsa estética ou empatia, mas sim do conhecimento súbito de que sua vida aparentemente harmoniosa e controlada é frágil e ilusória. O texto deixa claro que Ana construíra uma realidade "passível de aperfeiçoamento" (1º parágrafo), mas o cego, "sem sofrimento" (3º parágrafo), mascava indiferente, revelando a precariedade dessa ordem.
Prova no texto:
"Parecia ter descoberto que tudo era passível de aperfeiçoamento, a cada coisa se emprestaria uma aparência harmoniosa; a vida podia ser feita pela mão do homem." (ideal de controle)
"Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos." (realidade indiferente)
A descrição de Ana como aparentando ódio sugere o abalo dessa ilusão.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: Extrapolação. O texto não menciona inveja nem liberdade. A reação de Ana não é motivada por ciúmes do cego, mas por uma perturbação existencial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: Troca de conceito. A banalidade do ato não é o foco; o que incomoda é a indiferença do cego, não uma ofensa ao "bom gosto" de Ana. O texto diz "como se ele a tivesse insultado", mas é uma impressão, não uma ofensa real.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: Contradiz o texto. O cego é descrito como "sem sofrimento", o que invalida a ideia de empatia com uma situação desoladora.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa capta a inferência central: a visão do cego revela a fragilidade da vida controlada de Ana, gerando uma reação de choque e ódio.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: Generalização indevida. O texto não sugere que o cego se comporte de forma provocativa; apenas que Ana se sente insultada. Não há comportamento inadequado atribuído ao cego.
Conclusão: A única alternativa que se sustenta por inferência lógica e direta do texto é a D.