Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2026
Português›Interpretação de Textos
Código
ce231860
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UFAC
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Vestibular
No fragmento apresentado da obra Memórias de um sargento de milícias, o emprego da palavra “fortuna” no primeiro, no terceiro e no último parágrafos contribui para a caracterização do personagem central do episódio narrado, o barbeiro, porque
Arealça o seu nobre caráter, visto que ele aceita um trabalho para o qual não está preparado, mas que colabora para atenuar a tragédia do comércio de pessoas escravizadas.
Brevela, por meio da ironia, o seu caráter oportunista e moralmente questionável, uma vez que ele não hesita diante da proposta de trabalho que o marujo lhe apresenta.
Ccombina a percepção racional da oportunidade de especializar sua aptidão para curar, mesmo com pouca qualificação formal, e a crença na sorte que intervém a seu favor.
Dexpõe sua ingenuidade, pois, em condição de pobreza, ele acaba sendo aliciado pelo marujo para exercer uma profissão para a qual não tem formação e, além disso, para compactuar com uma atividade já considerada criminosa na época.
Eacompanha sua trajetória de ascensão social — de simples barbeiro a médico altruísta, que aceita trabalhar em condições adversas pelo bem comum.
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GabaritoB — revela, por meio da ironia, o seu caráter oportunista e moralmente questionável, uma vez que ele não hesita diante da proposta de trabalho que o marujo lhe apresenta.
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Emprego da palavra "fortuna" na caracterização do barbeiro
Gabarito: letra B. O emprego da palavra "fortuna" revela, por meio da ironia, o caráter oportunista e moralmente questionável do barbeiro, que não hesita diante da proposta do marujo. A palavra aparece três vezes com sentidos que se complementam: inicialmente como seus únicos pertences ("única fortuna" — uma bacia e navalhas), depois como a conversa que se torna sua "salvação e fortuna" e, por fim, como a sorte que lhe deu o meio ("a fortuna tinha-lhe dado o meio"). O tom irônico do narrador denuncia a ausência de escrúpulos do personagem.
"tendo por única fortuna uma bacia de barbear embaixo do braço, um par de navalhas e outro de lancetas na algibeira." "Foi a sua salvação e fortuna." "a fortuna tinha-lhe dado o meio, cumpria sabê-lo aproveitar;"
Alternativa
Caráter do barbeiro
Relação com "fortuna"
Tom do narrador
Ação do personagem
Adequação ao texto
A
Nobre e altruísta
Atenua tragédia
Sério
Aceita trabalho não preparado
❌ Extrapola juízo moral positivo
B
Oportunista e questionável
Ironia (oportunidade duvidosa)
Irônico
Não hesita diante da proposta
✅ Correta
C
Racional e especializante
Sorte + racionalidade
Neutro
Busca curar com pouca formação
❌ Atribui racionalidade não confirmada
D
Ingênuo e aliciado
Sorte passiva
Compassivo
É aliciado pelo marujo
❌ Não sustenta ingenuidade
E
Ascendente e altruísta
Trajetória de sucesso
Elogioso
Aceita condições adversas
❌ Não corresponde ao fragmento
Alternativa A — ❌ Incorreta
"realça o seu nobre caráter" — O texto não apresenta o barbeiro como nobre; ao contrário, a ironia sugere oportunismo. Além disso, "atenuar a tragédia do comércio de pessoas escravizadas" é uma ideia completamente ausente do fragmento. Erro: extrapolação com juízo moral positivo.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"revela, por meio da ironia, o seu caráter oportunista e moralmente questionável, uma vez que ele não hesita diante da proposta de trabalho que o marujo lhe apresenta." — O barbeiro aceita imediatamente: "— Sim, eu também sangro..." e no dia seguinte já parte. A ironia está em chamar de "fortuna" algo que é, na verdade, uma oportunidade duvidosa. Sustentação: o texto mostra a aceitação sem reflexão moral, e o tom é claramente irônico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"percepção racional da oportunidade de especializar sua aptidão para curar" — O barbeiro admite que não entende de cirurgia ("eu da cirurgia não entendo muito"), e o texto não sugere racionalidade ou desejo de especialização; ele age por impulso e necessidade. Erro: atribui racionalidade que o texto não confirma.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"expõe sua ingenuidade" — O barbeiro não é ingênuo; ele puxa conversa e aproveita a chance. "Aliciado pelo marujo" também não se sustenta: ele é abordado, mas a decisão é dele. A ideia de que a atividade era "criminosa na época" é uma inferência não autorizada pelo texto. Erro: contradiz o texto (não há ingenuidade) e extrapola (criminalidade não mencionada).
Alternativa E — ❌ Incorreta
"médico altruísta [...] pelo bem comum" — O barbeiro torna-se médico de navio negreiro, o que não é altruísta; ele age por interesse próprio. "Ascensão social" também não é clara no fragmento: ele sai como barbeiro e volta como? O texto não acompanha sua trajetória posterior. Erro: opinião embutida (altruísmo) e extrapolação.
NÃO CAIA NESSA!
As alternativas erradas tentam maquiar o personagem com traços nobres (nobreza, racionalidade, ingenuidade, altruísmo) que o texto ironicamente nega; a banca cobra a percepção da ironia e do oportunismo evidentes no fragmento.
Conclusão: a única alternativa que se alinha ao tom irônico e à caracterização do barbeiro como oportunista é a B.