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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce231860
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UFAC
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Vestibular
No fragmento apresentado da obra Memórias de um sargento de milícias, o emprego da palavra “fortuna” no primeiro, no terceiro e no último parágrafos contribui para a caracterização do personagem central do episódio narrado, o barbeiro, porque
  1. Arealça o seu nobre caráter, visto que ele aceita um trabalho para o qual não está preparado, mas que colabora para atenuar a tragédia do comércio de pessoas escravizadas.
  2. Brevela, por meio da ironia, o seu caráter oportunista e moralmente questionável, uma vez que ele não hesita diante da proposta de trabalho que o marujo lhe apresenta.
  3. Ccombina a percepção racional da oportunidade de especializar sua aptidão para curar, mesmo com pouca qualificação formal, e a crença na sorte que intervém a seu favor.
  4. Dexpõe sua ingenuidade, pois, em condição de pobreza, ele acaba sendo aliciado pelo marujo para exercer uma profissão para a qual não tem formação e, além disso, para compactuar com uma atividade já considerada criminosa na época.
  5. Eacompanha sua trajetória de ascensão social — de simples barbeiro a médico altruísta, que aceita trabalhar em condições adversas pelo bem comum.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — revela, por meio da ironia, o seu caráter oportunista e moralmente questionável, uma vez que ele não hesita diante da proposta de trabalho que o marujo lhe apresenta.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego da palavra "fortuna" na caracterização do barbeiro

Gabarito: letra B. O emprego da palavra "fortuna" revela, por meio da ironia, o caráter oportunista e moralmente questionável do barbeiro, que não hesita diante da proposta do marujo. A palavra aparece três vezes com sentidos que se complementam: inicialmente como seus únicos pertences ("única fortuna" — uma bacia e navalhas), depois como a conversa que se torna sua "salvação e fortuna" e, por fim, como a sorte que lhe deu o meio ("a fortuna tinha-lhe dado o meio"). O tom irônico do narrador denuncia a ausência de escrúpulos do personagem.

"tendo por única fortuna uma bacia de barbear embaixo do braço, um par de navalhas e outro de lancetas na algibeira." "Foi a sua salvação e fortuna." "a fortuna tinha-lhe dado o meio, cumpria sabê-lo aproveitar;"

Alternativa

Caráter do barbeiro

Relação com "fortuna"

Tom do narrador

Ação do personagem

Adequação ao texto

A

Nobre e altruísta

Atenua tragédia

Sério

Aceita trabalho não preparado

❌ Extrapola juízo moral positivo

B

Oportunista e questionável

Ironia (oportunidade duvidosa)

Irônico

Não hesita diante da proposta

✅ Correta

C

Racional e especializante

Sorte + racionalidade

Neutro

Busca curar com pouca formação

❌ Atribui racionalidade não confirmada

D

Ingênuo e aliciado

Sorte passiva

Compassivo

É aliciado pelo marujo

❌ Não sustenta ingenuidade

E

Ascendente e altruísta

Trajetória de sucesso

Elogioso

Aceita condições adversas

❌ Não corresponde ao fragmento

Alternativa A — ❌ Incorreta

"realça o seu nobre caráter" — O texto não apresenta o barbeiro como nobre; ao contrário, a ironia sugere oportunismo. Além disso, "atenuar a tragédia do comércio de pessoas escravizadas" é uma ideia completamente ausente do fragmento. Erro: extrapolação com juízo moral positivo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"revela, por meio da ironia, o seu caráter oportunista e moralmente questionável, uma vez que ele não hesita diante da proposta de trabalho que o marujo lhe apresenta." — O barbeiro aceita imediatamente: "— Sim, eu também sangro..." e no dia seguinte já parte. A ironia está em chamar de "fortuna" algo que é, na verdade, uma oportunidade duvidosa. Sustentação: o texto mostra a aceitação sem reflexão moral, e o tom é claramente irônico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"percepção racional da oportunidade de especializar sua aptidão para curar" — O barbeiro admite que não entende de cirurgia ("eu da cirurgia não entendo muito"), e o texto não sugere racionalidade ou desejo de especialização; ele age por impulso e necessidade. Erro: atribui racionalidade que o texto não confirma.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"expõe sua ingenuidade" — O barbeiro não é ingênuo; ele puxa conversa e aproveita a chance. "Aliciado pelo marujo" também não se sustenta: ele é abordado, mas a decisão é dele. A ideia de que a atividade era "criminosa na época" é uma inferência não autorizada pelo texto. Erro: contradiz o texto (não há ingenuidade) e extrapola (criminalidade não mencionada).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"médico altruísta [...] pelo bem comum" — O barbeiro torna-se médico de navio negreiro, o que não é altruísta; ele age por interesse próprio. "Ascensão social" também não é clara no fragmento: ele sai como barbeiro e volta como? O texto não acompanha sua trajetória posterior. Erro: opinião embutida (altruísmo) e extrapolação.

NÃO CAIA NESSA!

As alternativas erradas tentam maquiar o personagem com traços nobres (nobreza, racionalidade, ingenuidade, altruísmo) que o texto ironicamente nega; a banca cobra a percepção da ironia e do oportunismo evidentes no fragmento.

Conclusão: a única alternativa que se alinha ao tom irônico e à caracterização do barbeiro como oportunista é a B.

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