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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce231862
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UFAC
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Vestibular
A composição do poema Gesso estrutura-se
  1. Ana linguagem poética marcada pela violência — “mão estúpida”, “ajoelhei com raiva” —, que representa a revolta do eu lírico contra um mundo em que os objetos valem mais que os homens.
  2. Bna subjetividade melancólica do poeta, que expressa a inexorável passagem do tempo a carcomer e manchar o que um dia foi vivo e belo.
  3. Cno emprego de diminutivos, como “estatuazinha”, “figurinha” e “gessozinho”, que sugere poeticamente a pequenez humana diante do mundo mercantilizado.
  4. Dna perspectiva lírico-amorosa, forjada esteticamente como forma efêmera e delicada que pode inadvertidamente se partir, causando sofrimento ao ser que ama.
  5. Ena antítese que opõe a mercadoria sem vida ao sentimento humano retratado artisticamente, que é capaz de dar ao objeto a forma sensível da experiência social humana.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — na antítese que opõe a mercadoria sem vida ao sentimento humano retratado artisticamente, que é capaz de dar ao objeto a forma sensível da experiência social humana.

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Estrutura do poema "Gesso" – ✅ Gabarito: letra E

A composição do poema se estrutura na antítese entre a mercadoria inanimada e o sentimento humano que a vivifica. O eu lírico contrapõe o "gessozinho comercial" (objeto frio) ao processo de sofrimento que o torna "verdadeiramente vivo". O verso final explicita essa oposição:

"Só é verdadeiramente vivo o que já sofreu."

Essa antítese é o eixo estrutural do poema, opondo o objeto morto (comercial) à vida adquirida pela experiência da dor.


Alternativa A — ❌ Incorreta

O poema contém expressões de violência ("mão estúpida", "ajoelhei com raiva"), mas isso não é o eixo estruturante. A ideia de "revolta contra um mundo em que os objetos valem mais que os homens" não aparece no texto — é uma extrapolação que acrescenta uma crítica social ausente. O foco é a transformação do objeto, não uma denúncia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A passagem do tempo "carcom" e "mancha" a estatueta, e há tom melancólico, mas a alternativa restringe o poema a isso. O desfecho não é melancólico: o objeto "vive" e "é tocante" justamente por ter sofrido. A ideia de "inexorável passagem do tempo" é apenas parte do percurso, não a estrutura central. O poema afirma que o sofrimento dá vida, superando a mera decadência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Os diminutivos existem ("estatuazinha", "figurinha", "gessozinho"), mas a interpretação de "pequenez humana diante do mundo mercantilizado" é inferência não autorizada. O poema não discute mercantilização; trata da humanização do objeto pelo sofrimento. Novamente, extrapolação temática.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Não há perspectiva "lírico-amorosa" no poema. A relação do eu lírico com a estatueta é de identificação e reflexão, não de amor romântico. A ideia de "ser que ama" é introduzida de fora; o texto não a sustenta. Extrapolação.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O poema se estrutura na antítese entre o objeto mercantil ("gessozinho comercial") e o sentimento humano que o impregna ("impregnaram-na da minha humanidade"). A experiência do sofrimento (quebra, recomposição) transforma o objeto frio em algo "vivo". O verso final — "Só é verdadeiramente vivo o que já sofreu" — é a síntese da oposição. Essa antítese é a espinha dorsal da composição.

Trecho-chave: "Hoje este gessozinho comercial / É tocante e vive, e me fez agora refletir / Que só é verdadeiramente vivo o que já sofreu."

Gabarito: letra E

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